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"Viagens do Imaginário "

Onde periódicamente nossos colunistas e convidados compartilham com todos nós suas trilhas e suas viagens...


- Viagem a Chich'en Itza, México
[por Pietra DiChiaroLuna]

Chichen Itza, a boca do poço de Itza, fica na península de Yucatã, no México. Foi centro religioso e político da antiga civilização maia e foi construida entre 435 e 455 da era comum. Hoje, o site arqueológico é uma das nova Sete Maravilhas do Mundo e foi considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO em 1988.
 
Com aproximadamente 4km2 de extensão, Chitchen Itza guarda em si vários monumentos que chamam a atenção pela imponencia e importância para o povo pré-colombiano. A mais impressionante pirâmide do povo maia se encontra lá e é o Templo de Kukulcán (nome maia para Quetzalcoatl), também conhecido como "El Castillo" (o castelo). O templo da Serpente Emplumada passa por um femôneno nos equinócios, quando, ao por do sol, a descida da escadaria da pirâmide é tomada pelos raios solares, formando assim, o corpo da serpente. Existem poucos registros fotográficos do evento, mas um deles pode ser visto no hotel que se encontra no local.

A cabeça da Serpente Emplumada.
 
Um outro prédio curioso de Chichen Itza é o conhecido por Caracol. Trata-se de um observatório astronômico em formato arredondado que servia para a observação dos céus. Curiosamente, esse povo procurava e acompanhava os movimentos do planeta Vênus.
 
Outras estruturas também chamam a atenção como o trono de Kukulkan, as muitas colunas do Templo dos Mil Guerreiros, a quadra de Poktapok, um jogo de bola muito parecido com o basquente, cuja quadra tem uma acustica que se conversa normalmente a metros de distância
 
Mas, de tudo, aprendi muito alguns conceitos e idéias quando conheci o Cenote Sagrado e o Chac Mool. O dar-se à deidade.
 
Chac Mool.

O Chac Mool é a entrada do Templo dos Guerreiros. A origem dessa estatua é Tolteca, povo que tomou a civilização maia, que era extremamente pacífica, fazendo nascer um novo momento entre os pré-colombianos. Acredita-se que essas estátuas seguravam os corações dos sacrificados em honra aos Deuses. O coração era a oferta mais importante aos Deuses, assim era a primeira a ser retirada do corpo ainda batendo. O sangue, o coração, o sacrifício eram parte dessa sociedade que se tornou guerreira e compreendia a importância de "dividir-se" com as deidades, sendo que os melhores guerreiros ou os mais bravos inimigos tinham esse fim.
 

 Cenote Sagrado.

O Cenote Sagrado (Poço Sagrado, em espanhol) é uma depressão profunda, um poço com 22 metros de profundidade. Era um local para o recebimento de sacrifícios. Esses sacrifícios eram feitos ao deus Chaak em épocas de seca, para que ele se agradasse e mandasse a chuva. Os sacrifícios eram feitos com os melhores daquela cidade e era feita toda uma preparação ritual para que o sacrificado fosse bem recebido. Ao lado do poço, existem as ruínas de um pequeno "banho de vapor' no qual o sacrificado era preparado e, provavelmente, colocado em estado alterado de consciência. Em escavações no poço encontraram ossos humanos de diferentes idades e muitas jóias e artefatos.
 
Pietra conhecendo os pré-colombianos.

Quando eu cheguei em Chichen Itzá, num dia ensolarado de verão, eu tive uma impressão ímpar do lugar. O lugar é imenso. Aliás, tudo ali é imenso. As pedras, as esculturas, o chão, o poço, o tempo que se passou. E sob um céu grandemente azul, o templo de Kukulcán se levanta. E os meus olhos cresceram e se despejaram: em lágrimas.
 
Eu nunca havia pensando em ir a um lugar desses. Na verdade, eu achei sabendo muito pouco sobre ele, mas era evidente, no momento em que se põe o pé ali é que não estava em um lugar qualquer. Que ali, o mundo espiritual e o físico se encontravam e que a devoção de um povo antigo ainda vibrava em cada pedra. E mais: o corpo da Serpente Emplumada que se observara por tantos anos entre os maias, ainda se iluminava no pôr-do-sol do primeiro dia do equinócio.
 
Lá, onde os turistas passeavam, eu percebia um silência profundo. Como se tudo se calasse frente a grandeza e imponencia do lugar. Não tem jeito: não existem outras palavras além de grande, imenso, imponente, importante. Chichen Itzá é assim. É o local onde mora uma serpente de luz: onde grandes homens e mulheres descançam e seus ossos são lembrados; onde o rei jaguar mora eternamente; onde eu aprendi que o sacríficio é um dos nossos doares aos Deuses. Onde eu aprendi, pela primeira vez, que os Deuses não nos servem, nós os servimos. Por nós e pela nossa comunidade e pelo ser da Terra.
 
Pietra, a latina.
 
 
Para conhecer mais, visite:

- Um tour virtual pelas estruturas de Chichen Itza.

- Para conhecer os movimentos observados astronomicamente pelos maias.

- Site da UNESCO com os Patrimônios da Humanidade.




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