tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
Tuga Martins




menu menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
 

Curtas e sedutoras

 

k

Mentira tem pernas curtas, mas sedutoras. Todo mundo sabe, mas ninguém aposta uma corrida contra ela. Falta fôlego para acompanhar o ritmo alucinante. A agilidade de Mentira amedronta, inibe os sentidos, camufla as sensações. Vi Mentira escapar de patrulhas de verdade, esconder-se da realidade e sobrepor-se aos fatos. Mas Mentira não é discreta, ao contrário fala alto. Ensurdece que a ouve. É certo que às vezes se confunde e engorda, infla por conta dos apetrechos que agrega. Exagera nos tons. Torna-se pesada, difícil de carregar. Mas aí Mentira abre as pernas, ainda que curtas, para quem se dispõe a se entregar a um prazer suposto. Não importam as conseqüências, mas a ginga tortuosa das pernas de Mentira encanta, principalmente quando afaga imagens pouco acreditáveis.

r

Não faltam meias para as pernas de Mentira. Afinal meias mentiras aquecem, principalmente, egos falidos, enrugados pelo tempo de inchaço. Mentira sufoca, faz engasgar, gaguejar, praguejar quando exposta à luz dos fatos. Mas Mentira não se esconde por muito tempo. A gente encontra Mentira em cada esquina. É meretriz do caráter, vagabunda e sórdida capaz de envenenar a mais pura das águas. Até mesmo os deuses atribuíram função a Mentira. Nas mãos sagradas, Mentira é artifício e não há sacrifício para quem desfruta do sabor adocicado que antecede o acre da verdade.

u

 

Mentira vive ao lado do poder. Desvia a vida por um brilho emprestado, uma escuridão simulada. Pobre Otelo que se deixou amargar pelo sibilo de Mentira e matou Desdêmona, assassinou seu amor maior. Mas pessoas fogem menos de Mentira do que do estrago provocado por ela. Mentira subestima a percepção humana. É aliada da alienação. Faz movimentos sutis, quase imperceptíveis, quando há recompensa financeira. Mentira sempre erra nas contas. Põe mais nos bolsos de quem a usa. Mentira é insone, não descansa, mas vez ou outra tropeça quando tenta dar passo maior que a perna. E quando Mentira cai, desmorona, arrasta consigo histórias mal alinhavadas, contadas com empáfia, sustentadas pelas pernas curtas de Mentira. Um amontoado de incongruências fermentadas e fétidas.

e

 

As portas da casa de Mentira vivem escancaradas. Há aconchego convidativo, inebriante e confortável. Ninguém percebe os espinhos que circundam a casa de Mentira. Garras que aprisionam gotas de verdade e refrescam o irreal. Quem se aproxima para espiar a casa de Mentira, se fere, sangra, infecciona pela podridão. Quando desvendada, Mentira morre, mas sempre volta noutra roupagem. Mais bem elaborada, sem fiapos, mais voraz e pisando leve com suas pernas curtas que mal deixam pegadas. E assim Mentira consegue mudar o passado e nesse rastro reescreve o presente. Mas mesmo quando se disfarça de ficção, por sorte Mentira não consegue futuro.

d

 

Tuga Martins


<<início<<<Tuga Martins

|
 
 
 
tribos de gaia