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Closer – Perto demais, dirigido por Mike Nichols
O passeio do “O Enamorado” nos anseios do amor romântico
[ Por Ana Marques]

 

Aviso: Recomendo assistir ao filme antes de ler a análise. Será mais fácil entendê-lo se houver assistido as cenas que eu descreverei aqui.

Olhe-me.
Eu te olho e te amo.
Basta um segundo, te vejo.
Eu te desejo.
Um segundo, um ano.
Eu te olho e te amo.

(poema por Ana Marques)

E assim, te olho e te amo, os dois primeiros personagens do filme Closer se apresentam a nós. Dan (Jude Law) quer amar, Alice (Natalie Portman) quer ser amada. Eles se olham. “Hello stranger”, diz Alice. São romanticamente estranhos, exatamente como deveriam ser e a mágica se faz.



O arcano “O Enamorado” passeia entre eles, unindo-os.

O amor é um acidente... esperando para acontecer. (frase do trailler)

São flechados pela seta certeira de cupido. Eles acham que decidiram ficar juntos, quando na verdade o acidente aconteceu. Em alguns minutos, dois estranhos se amam.

Até o próximo amor.

Quem é Alice?
Quem é Dan?
O que eles representam um para o outro?

Dan vive de escrever obituários. Ele busca emoção na conquista, quando não a consegue em sua vidinha medíocre e em seu talento duvidoso como escritor. Ele conquista Alice por ser o garotão bonito que sorri, que se abre, que se deixa seduzir enquanto acredita estar seduzindo, que se deixa controlar enquanto está sendo controlado. Ele é o Arcano I do tarô, o nosso querido e imaturo Mago, que pode ser maravilhosamente aproveitado se consciente de sua condição de aprendiz, mas quando esse Mago se arroga na posição de grande conhecedor da natureza humana – a posição que na verdade pertence ao Imperador ou ao Hierofante – ele se perde em truques bobos que só convencem à primeira vista. De mago dos quatro elementos ele se torna apenas um ilusionista. E às vezes, nem mesmo um ilusionista tão bom assim.

Alice é garçonete e stripper, veio fugida dos Estados Unidos e está recém chegada à Londres. O que ela busca? Quem foge aprende da pior maneira possível que os problemas dos quais tentou se livrar costumam segui-lo. Então Alice parece estar fugindo, parece estar em busca. Mas em busca de quê? Ela é jovem, sensual, bonita. Mas mesmo sendo tudo isso, vive de subempregos. Parece estar segura de si e da força que possui para permanecer interessante para alguém que vive da emoção do encontro como Dan. Ela é inteligente, percebe que é o inesperado que o atrai. E ela é sempre inesperada, afinal ela é o Arcano 0 (ou XXII), é aquela que não possui endereço fixo, que não tem direção certa, que chega quase sem nada e parte da mesma forma.

Eles representam o acidente um para o outro. A atração pelo imprevisto, pelo diferente, pelo excêntrico. Porém mesmo a excentricidade torna-se monótona com o tempo, cansa e fica enjoativa. O diferente todos os dias torna-se igual, principalmente se vem sempre da mesma pessoa.

O desejo é um estranho que você pensa conhecer (frase do trailler)

Conhecemos nossos limites?

Os personagens do filme conhecem os deles?

Percebem quando estão entrando numa armadilha pronta, montada, sem chance de escapatória?

Dan encontra Anna (Julia Roberts) numa sessão de fotos para seu livro. Eles se sentem atraídos. Anna é o oposto de Alice: mais velha, mais vivida, recém-separada, fotógrafa, profissional independente... e emocionalmente carente. Alice quer ser amada, mas não precisa disso. Anna precisa ser amada para se reconhecer como uma pessoa importante. Dan vê em Anna uma nova conquista, uma nova emoção da caçada, uma nova estratégia. Anna é o Arcano VI, a própria essência do filme, e conforme o herói central dessa lâmina do tarô, ela é levada de um lado para outro conforme é seduzida ou rejeitada. De cada lado, um sedutor, de cada lado, uma mentira, logo acima o cupido que aqui significa o acaso, o destino, a escolha que não é baseada no que se deseja para si mesma, mas nos padrões de comportamento herdados de uma vida frustrada.

“Eu não beijo estranhos”, diz Anna. E eles se beijam.

Ele quer amá-la para sentir de novo aquela emoção, ela precisa desesperadamente ser amada para se sentir menos sozinha em seu espaço.

Mas existe uma quebra: Alice chega. Anna não quer dividir alguém, quer exclusividade. Alice rapidamente percebe que algo aconteceu. Ela pressente o fim do interesse de Dan e o novo interesse se desenhando no horizonte no bonito perfil de Anna.

Dan vai embora. Alice e Anna se enfrentam com a desculpa de uma foto.
Não existe raiva, apenas reconhecimento.
Lembram-se? O amor é um acidente... esperando para acontecer2. Pois é, aconteceu novamente.

Agora Alice verá Dan partir. Ela sabe disso, é apenas uma questão de tempo. Por isso ela chora quando vira o rosto para encarar Anna e suas lentes. Ela chora pela perda que já está acontecendo.

Em seguida encontramos o grande manipulador do filme: Larry (Clive Owen).

Ele e Dan se encontram num animado chat erótico. Dan se faz passar por Anna e procura seduzir o Larry. Não é tão difícil assim, Larry quer ser seduzido. E depois, querendo apenas que um constrangimento ocorra para Anna, ele promove um encontro de Larry e ela.

Voltamos para a primeira frase do filme.

O amor é um acidente... esperando para acontecer. (frase do trailler)

Outro acidente: Anna e Larry se conhecem. Anna queria ser amada e reconhecida por esse amor, Larry queria ser seduzido pelo amor. E a relação entre os dois flui.

Mas quem é Larry? Porque eu o chamei de “o grande manipulador”? Ele é o médico dermatologista, sozinho, em busca de aventura, de um pouco de cor ao seu uniforme branco. Senhor de si, ligeiramente irônico, apaixonado por prostitutas, por sexo, pelo poder. Ele é o Arcano V, o nosso Hierofante. Magnífico em seu disfarce de eminência parda.

E ele é o manipulador porque consegue transformar todas as situações com todos os demais personagens em satisfações de seu próprio prazer. Ele puxa as cordinhas, todos se mexem sem parar.

A intimidade é uma mentira... que contamos a nós mesmos. (frase do trailler)

Toda a intimidade aqui é mentirosa.
Alice percebe Dan, mas não consegue se antecipar à traição dele.
Anna desconhece Larry. Ela não consegue conhecer a si própria, aos seus sonhos, desejos e verdades, por que raios conheceria do homem que finge como ninguém?
Dan não compreende Alice, nem arranha a superfície de quem ela é e do que é capaz.

Larry conhece a todos, num olhar compreende de cada um o que nem eles mesmos podem compreender de si. Mas intimidade vai além do conhecimento e da análise lógica, envolve entrega. Larry não se entrega, preocupado que está puxando as cordinhas de suas marionetes. E dessa forma, ele deixa espaço para a traição de Anna.

Na vernissage de Anna o palco está armado e todos se conhecem. Larry e Alice trocam algumas palavras e a profundidade de seus personagens pode ser adivinhada. Mais que se aproximar do outro lado da trincheira, Larry percebe que Alice sabe tanto quanto ele e a respeita por isso, embora não signifique que ele vai perder a chance de tentar manipulá-la quando lhe convier.

Agora não há mais desconhecidos aqui. Nenhum estranho. Existe apenas a disputa.

Quem será amado? Quem será vencido?

A verdade é um jogo... que jogamos para vencer. (frase do trailler)

Um jogo de perdas e ganhos se estabelece. Levados por decisões impensadas a estratégias bem elaboradas, os personagens interagem uns com os outros de forma apaixonada. Quando a traição de Anna e Dan se estabelece, toda a rotineira vida familiar que eles aparentavam levar vai imediatamente por água abaixo.

Anna conta a verdade à Larry.

Ele a força a dizer a verdade, ele quer ouvir dela o que sentiu com Dan. Ele quer que ela repise a ferida, desfaça o encantamento da paixão por Dan. Ele quer preencher com culpa e remorso o prazer que ela sentiu. Ele quer danificar, estremecer, macular o amor que ela diz sentir por outro homem.

E ele consegue.

Dan conta a verdade à Alice.

Ela já havia mostrado que sabia mais do que falava no dia da vernissage, quando disse a ele que estava esperando que ele a deixasse. Ouve a admissão da traição e se prepara para partir. Ela percebe a mentira, as saídas, os encontros. Ela entende tudo e não aceita as desculpas esfarrapadas sobre estar apaixonado.

Existe um momento, sempre existe um momento: “Posso me entregar ou resistir.” Não sei quando foi o seu, mas ele existiu. (frase de Alice)

Alice precisa apenas olhar nos olhos de Dan para dizer adeus.

Ela não quer pena, nem ajuda. Ela pode se virar sozinha. O que ela não quer é ficar perto de alguém que mente sobre o que sente para ela e por ela. O que ela não pode é aceitar a pena, a indulgência, a compaixão. Ela não precisa de nada que venha dele. Usando um truque quase bobo, deixa Dan sozinho e some na noite, com as mesmas roupas que chegou.

 

Por que o amor não basta? (frase de Alice)

Larry e Alice se encontram num bar de strippers. Como colocado antes, Larry sempre queria ser seduzido pelo amor. Alice está ali com a missão de seduzi-lo. Na conversa entre eles, a mais inteligente, profunda e interessante do filme, o diálogo acima acontece. Ele quer que ela fale sobre seu verdadeiro nome, já que ali ela é conhecida como Jane. Insistentemente ela repete o mesmo nome: Jane. Sempre em busca da verdade, Larry é incapaz de reconhecê-la. Procura respostas em Alice, mas apenas as próprias verdades são suficientes para ele. Frente a frente com ela, ele se vê em busca de vingança e a deseja. Agora, além de seduzido, Larry quer ser vingado pelo amor, quer ser arrebatado pela sensação de ter o que era do outro, quer ter como arma a possibilidade de causar a mesma dor que sentiu ao seu rival.

Vocês mulheres não conhecem o território. Porque vocês são o território. (fala de Larry)
Isso não é uma guerra. (fala de Alice)

Depois cenas se cortam e se reintroduzem. A total manipulação de Larry para com Anna e Dan vai sendo finalmente percebida por aqueles que assistem ao filme.
Larry usa a culpa de Anna para obrigá-la a aceitar fazer sexo com ele, e sugere que ela conte a verdade. Ele sabe que isso será o fim da relação dela com o pequeno, medíocre, mimado e infantil Dan. Sabe que ele não terá estrutura para lidar com isso e a relação deles terminará ali.

Dan espera Anna no teatro. Eles se encontram e conversam brevemente, ele vai ao banheiro e olhando-se no espelho, ele cai em si e percebe que ela fez sexo com Larry. Como? Como ele consegue perceber isso? Muito, realmente muito simples. Olhando para si, para as muitas vezes que traiu e que trocou uma pessoa pela outra buscando no novo amor a emoção perdida da conquista, ele reconhece no olhar de Anna a mesma expressão. Ao confrontá-la, ela simplesmente confirma.

Dan não sabe amar. Não percebe que o amor é a conquista diária da mesma pessoa. Ele sequer conhece a pessoa que conquista. Ele foi incapaz de conhecer Alice. Ele foi incapaz de conhecer Anna. Ele é incapaz de conhecer a si mesmo e aos seus sentimentos. Ele é incapaz, idiota, leviano e fútil.

O amor o entendia. (frase de Anna para Dan)
Não. O amor me desaponta. (resposta de Dan)

Depois Dan vai ao encontro de Larry, com quem Anna resolveu voltar. Ele a quer de volta. Ele quer Alice de volta. Ele quer alguma mulher de volta que refaça sua auto-estima em pedaços diante dos sucessivos abandonos. Ao procurar Larry buscando tomar alguma satisfação, tem o ego mais duramente despedaçado.

O Grande Don Juan não passa de uma fraude!

Larry é cruel com Dan. Ele pisoteia seu amor-próprio usando as informações que Anna deu para ele, ele mostra como Anna é perdida e apenas se sente confortável quando está infeliz, quando está deprimida, ele faz com que Dan perceba que Anna não o quer, talvez nunca tenha querido, que ele não passou de mais uma “transa com culpa” para ela. E por último, joga a isca: dá o endereço do clube em que Alice trabalha, e quando Dan baixa mais ainda a guarda frente à gratidão que sente diante desse gesto, solta a bomba de que ele tinha transado com Alice também.

Todo mundo se esbaldou na cama um do outro. Todos se comprometeram sem realmente se comprometer. Nenhum deles aceitou ou era feliz no compromisso assumido porque sempre buscavam a nova emoção: Anna oscilava entre a segurança e o romantismo, Larry oscilava entre a esposa e a prostituta, Dan oscilava entre a nova conquista e a antiga, Alice oscilava entre a sua personalidade assumida e a anterior.

Alice transou com Dan, que transou com Anna, que transou com Larry, que transou com Alice. O círculo se fecha, o vício se completa, os medos montam suas trincheiras.

Ninguém é capaz de amar, porque ninguém ali se entrega.

Mesmo despedaçado, Dan vai ao encontro de Alice no clube. Eles se reencontram, eles resolvem ficar novamente juntos e assim eles viajarão para Nova Iorque de férias.
Tudo seria lindo, Dan estava a um passo de descobrir a verdadeira Alice, Alice estava a um passo de se entregar verdadeiramente.

Porém a ferida causada pelas informações de Larry está consumindo Dan. Ele pressiona, pressiona e pressiona Alice para contar se ela transou com Larry. E só aceita um “sim” como resposta. Ele sabe que o “sim” é verdadeiro e precisa ouvi-lo. Mas o “sim” finalmente cansa Alice. Quando Dan tem uma nova epifania, novamente se olhando no espelho e percebendo que viu nos olhos de Alice o mesmo abandono que havia nos seus quando a deixou, ele volta correndo.

Mas é tarde. Alice não o quer mais.

O que é esse amor? Eu não posso vê-lo, eu não posso tocá-lo, eu não posso senti-lo. Eu posso ouvir suas palavras, mas não posso fazer nada com suas palavras vazias. (fala de Alice)

Alice sabia o tempo todo do vazio de Dan, tinha percebido que era um prêmio de consolação. Ela sempre percebeu que ele não tinha nada mais a dar além de sua casca vazia. Ela o preferia, porque o cupido pregou-lhe uma peça. Mas Dan não pode enganá-la, porque ela o enganou o tempo todo... e apenas quando ela vai embora, descobrimos que todo esse tempo Alice não existia. Seu nome era Jane. Como tantas vezes ela havia afirmado para Larry sem que ele percebesse a extensão da informação que ela lhe dava.

Dan descobre a verdade. Passeando pelo local onde foi com Alice no dia que a conheceu, vê uma placa com o nome que ela tinha dado como dela. Vê que nunca a teve, percebe que jamais a conheceu. Talvez nunca tenha parado para conhecer verdadeiramente nenhuma das mulheres com quem esteve.

Se você acredita em amor à primeira vista... nunca para de procurar. (frase do trailler)

Nenhum deles parou de procurar. Talvez jamais pare.
Dan continua caminhando pelas ruas, em busca de um rosto perfeito.

Anna continua deitada de olhos abertos na cama, buscando um novo sonho romântico. Larry continua dormindo com Anna, sonhando com uma nova prostituta.

Alice continua caminhando e encantando os homens pelas ruas. Sozinha. Alheia e completamente sozinha...

O Filme e o Tarô

Personagens
Larry – O Hierofante (manipulador)
Dan – O Mago (prestidigitador)
Alice – O Louco (vai aonde quer)
Anna – O Enamorado (ela quer amar e é cegamente guiada pelas flechas de cupido)

 

A História do filme e “O Enamorado”

O filme traz em si o Arcano “O Enamorado”. Esse símbolo passeia pelas decisões apressadas de todos os personagens, pelas necessidades de encontros, pela busca de um amor romântico e perfeito que será destruído pela rotina bruta e imperfeita. Eles se encontram nos caminhos do filme, eles se amam e se desprezam conforme o momento vivido. Eles mentem e falam a verdade de acordo com a intenção momentânea.

Eles não decidem nada. Cupido decide tudo. E como se brincassem de cabra-cega, eles continuam apalpando o destino em busca da eterna felicidade.

Cenas do filme

Dan e Alice se conhecem
O Enamorado (o encontro casual)

Dan e Anna se conhecem
O Diabo (o doce da tentação)

Conversa entre Dan e Larry
O Louco (pregando peças)

Encontro de Larry e Anna
O Hierofante (manipular um encontro sexual para se tornar um relacionamento)

Vernissage
O Sol (os envolvidos ficam claros uns para os outros)

Fim do casamento de Anna e Larry
O Hierofante (manipular a relação amorosa de Ana, por ser extraconjugal, transformando-a em algo sujo e degradante visando os próprios interesses)

Fim do casamento de Alice e Dan
A morte (Alice termina a relação e vai embora. Sem meias verdades).

Final definitivo de Anna e Dan
O Carro (Impetuoso Dan age e termina a relação).

Divórcio de Anna e Larry
O Hierofante (manipulando para assinar o divórcio, de forma que na culpa ela termine com as chances da relação com Dan).

Conversa e a vingança de Larry
O Diabo (e tendo mexido as cordinhas do Hierofante, é hora de saborear a vingança deixando Dan sem nada).

Final definitivo de Alice e Dan
O Eremita (ela vai embora sozinha).

Quando Dan descobre que vida de Alice era mentira.
A Torre (as ilusões que ele tinha sobre controle caem por terra, as ilusões que todos os demais personagens pudessem ter caem por terra, inclusive as ilusões dos espectadores do filme. Alice era maior que aquelas histórias de amor e pode criar todo um personagem para representá-la).

O Final – Anna deitada ao lado de Larry com os olhos abertos
O Enforcado (Total conformismo, não existe felicidade ali, apenas a aceitação do que não se consegue mudar).

O Final – Alice sozinha na rua
A Sacerdotisa (Seduzindo ao passar, sem notar ninguém, sozinha com a sua sedução. Ela não se realiza enquanto mulher, apenas segue em frente).

 

Ficha Técnica

Título Original: Closer (Perto demais)
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2004
Estúdio: Icarus Productions / John Calley Productions / Avenue Pictures Productions
Distribuição: Columbia Pictures / Sony Pictures Entertainment / Buena Vista International
Direção: Mike Nichols
Roteiro: Patrick Marber, baseado em peça teatral de Patrick Marber
Produção: Cary Brokaw, John Calley, Robert Fox, Mike Nichols e Scott Rudin
Fotografia: Stephen Goldblatt
Desenho de Produção: Tim Hatley
Figurino: Ann Roth
Edição: John Bloom e Antonia Van Dermellan

Elenco

Natalie Portman (Alice)
Jude Law (Dan)
Julia Roberts (Anna)
Clive Owen (Larry)

Créditos
- Os arcanos do tarô (O Louco, O Enamorado e O Mago) foram retirados do blog: http://orkuttarot.blogspot.com/. O Hierofante é do Dragon Tarot.

 

 
 
 
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