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INÍCIO>>PEQUENOS PAGÃOS

* Pooka e a Fada
de Lora Craig

Traduzido por: Pietra di Chiaro Luna
Revisado por: Quellen Cristina Herek



Originalmente publicado em http://www.pookachild.com/pooka_and_the_fairy1.htm

Existem muitos tipos de bruxas no mundo. Elsie era uma bruxa do interior.

Ela morava em uma pequena cabana que ficava no meio de uma pequena floresta. Nos arredores havia colinas e fazendas e uma vila próxima na qual Elsie vendia suas ervas medicinais e loções e potpourri. Ocasionalmente, os vizinhos e pessoas da vila passavam pelos caminhos cheios de sombra da floresta para chegarem à porta de Elsie para algo especial. Mas, na maioria do tempo, ela vivia tranquila, sem companhias.

Agora, boa parte das bruxas tem um amigo animal especial que é chamado de familiar. O familiar de Elsie era um gatinho elegante e preto chamado Pooka.

Pooka tentava se comportar. Mas raramente o fazia! Mas alguns dias realmente parecia que em tudo que ele mexia, acontecia alguma coisa. E este era um desses dias!

Ele sentou-se em uma mesa de madeira que fica na cozinha e observava Elsie que estava no fogão cozinhando um mingau de aveia para o café da manhã.

"Eu espero que ela se lembre de não colocar uvas-passa no meu mingau", ele pensou. (Na opinião de Pooka, uvas-passa só serviam para brincar pela casa. Definitivamente, não eram para comer!). Sua barriguinha roncava. Ele estava com fome!

Na mesa a sua frente, as tigelinhas vazias ficam juntas do açúcar mascavo e do potinho de creme. Pooka olhou para Elsie, que estava de costas para ele. Seus olhos fecharam com prazer e no momento seguinte, uma patinha preta estava dentro das tigelinhas. Pooka soltou um ronronado forte enquanto sua língua lambia o creme amanteigado e doce de sua pata. Ele colocou a pata novamente...

"Pooka!", Elsie virou-se e pegou-o no pulo! Pooka, com sua pata na tigelinha pulou com o chamado de Elsie. A tigelinha foi para o chão, quebrando em vários pedacinhos. Foi creme espalhado para toda a cozinha.

Elsie suspirou e pegou sua vassoura. "Era uma das minhas tigelinhas favoritas! E você sabia muito bem!", ela ralhou.

Pooka olhou para a bagunça no chão do alto da mesa - e pensar em todo aquele creminho desperdiçado! Enquanto a bruxinha varria os pedacinhos de porcelana quebrada, ele pulou ao chão. "Vou te ajudar", disse ele, e rapidamente começou a lamber o chão.

Elsie literalmente gruniu! Pooka saiu de fininho da cozinha e Elsie jogou toda a bagunça fora, os caquinhos e o resto do creme. Então pegou um esfregão e limpou o chão. Pooka viu todo aquele creme, completamente aproveitável, sendo misturado com água num balde de limpeza.

Elsie se voltou ao fogão e gritou: "Agora o mingau queimou!”

Mingau queimado de café da manhã? E nenhum creme?

Com um olho em Elsie, Pooka se arrastou para perto da lata do lixo. Esticando as patinhas traseiras, sua cabeça preta e seus ombros sumiram dentro da lata e lá, ele lambia os cacos que ainda tinham creme.

"Pooka!"

Novamente, ele pulou. A lata de lixo virou - e tudo que estava dentro rolou pelo chão. Desta vez, Elsie foi atrás dele com a vassoura!

Com as orelhas baixinhas, ele pulou pela janela da cozinha (remexendo um pote de manjericão que estava no parapeito - ele ouviu o pote se quebrar no chão, enquanto ele pulava!) e foi ao jardim.

Ele não parou até chegar no limite do jardim. Lá, ele sentou-se e ficou lambendo seu pêlo nervosamente, até colocá-lo no lugar. Dentro da cabana, ele podia ouvir Elsie reclamando de ter de limpar toda a bagunça que ele havia feito.

Edgar, o corvo de Elsie, saiu do meio das árvores e sentou-se ao seu lado. Ele virou a cabeça para a esquerda e perguntou, "O que você fez agora?"

Pooka continuou a limpar-se. "Nada”.

"Crá, crá, crá", Edgar começou a rir. "Certo! Eu aposto que você fez cocô no canteiro de cenouras de novo!"

O gato parou de se limpar e levantou uma pata e tentou acertar o pássaro que, ainda rindo, voou ao céu.

Pooka decidiu deitar na grama por alguns momentos. Ele detestava quando Elsie ficava brava com ele. Que bom que ela nunca tinha ficado brava com ele muito tempo.

O dia prometia ser quente como não era comum no outono, e o bosque de árvores vermelhas e douradas parecia convidativo. Pooka limpou os últimos resquícios de creme de seus bigodes, levantando-se e espreguiçando-se longamente e correu para dentro do bosque.

Ele andou um pouco, subiu em algumas árvores e afiou suas garras em seus troncos. Então quando finalmente, ficou cansado, achou um local onde os raios do sol tocavam o chão e deitou-se em sua posição de yôga, patas guardadas perto do peito, rabo enrolado no corpo, para uma boa meditação.

Não demorou para que Pooka estivesse em meditação profunda (para quem passasse por ali, poderia até parecer que ele estava dormindo), quando, de repente, Alguma coisa voou por ele, quase relando em nariz. Seus olhos abriram rapidamente pela surpresa! Parecia uma borboleta. Os instintos felinos o tomaram e Pooka foi à perseguição!

Ele a perseguiu ao redor dos troncos e ziguezagueou pelos arbustos e finalmente, pulando alto num campo de samambaias, ele bateu nela com sua pata. Cambaleante, as asas fizeram uma cambalhota pelo ar e cairam sob uma pilha de folhas mortas. Pooka pulou sobre as folhas. E debaixo de suas patas, uma vozinha falava, "Me solta!"

Borboletas falantes?

Vagarosa e cuidadosamente, Pooka levantou a pata. Ali, meio enterrada nas folhas uma criaturinha feminina que parecia quase humana, mas com grandes asas olhava para Pooka. Ela ficou em pé e colocou o dedo no nariz de Pooka. "Seu bruto descuidado!" Ela ralhou, virou-se e levantou-se no ar. Mas ao invés de sair voando, ela deu um pulinho para o lado e caiu ao chão. Ela levantou-se novamente e virou-se para olhar ao seu redor. Uma de suas lindas asas estava quebrada e era inútil.

A criaturinha bateu seu pezinho no chão e gritou furiosa, "Agora, olha o que você fez!" Ela caiu de joelhos e começou a chorar.

Pooka estava boquiaberto! Ele sentou-se em suas patas traseiras e piscou.

"Crá!" E como se vindo do nada, Edgar apareceu ao seu lado. Os olhos do corvo brilhavam com a descoberta do gato. "Posso comer?", ele se empolgou.

A garota-borboleta gritou e começou a se enterrar na pilha de folhas secas em um esforço frenético para se esconder.

O rabo de Pooka batia enquanto ele respondia pensativo. "Acho que não”.

"Por que não?", o pássaro perguntou, colocando a cabeça para o lado. "Você vai comer?”

"Não", Pooka respondeu. Ele pensava no que estava acontecendo e ficou em silêncio por um tempo. Então disse, "Vou levá-la para Elsie”.

Ele escavou as folhas com suas patas com todo o cuidado até que descobriu toda a criaturinha, então a pegou rapidamente com a boca e voltou para a cabana.

Edgar pulou pelo caminho, "Elsie vai comer?"

"Não!", Pooka respondeu com o ladinho da boca, quase derrubando a garota-borboleta que se espremia na boca do gato. "Ela está quebrada. Talvez Elsie possa concertá-la”.

E assim, Edgar perdeu o interesse. Ele chacoalhou suas lindas penas negras e saiu voando.

A criaturinha alada se mexia muito na boca do gato, batendo em seus bigodes. "Me solta!", ela mandava e então exclamou, "Oooooh! Você está babando em mim!!! Ai, que nojo! Baba de gato! Que nojento!"

Quando Pooka se aproximava da cabana, ouvia Elsie lá dentro. Com um pulo gracioso, ele pousou no batente da janela. Elsie se virou, pois estava na mesa prendendo raminhos de lavanda do jardim.

"O que você tem ai?" Elsie chegou mais perto e olhou a criaturinha que se mexia na boca no gato. "Pooka, seu gato mau! É uma fada! Solte-a!" Pooka derrubou a fada no batente da janela. Ela estava quietinha. "Oh, Pooka, ela morreu?", Elsie estava quase chorando.

"Ela está fingindo", Pooka disse solenemente para sua dona.

Repentinamente, a fada voltou à vida, apoiando suas asas em suas pernas, numa tentativa de se equilibrar, olhando furiosamente para o gato. "Seu gatuno! Seu mentiroso! Seu feio!"

"Cuidado ai!" Elsie a avisou. "Assim você pode se machucar!"

A fada se calou, mas tirando o cabelo do rosto, voltou seu olhar furioso para Elsie.

"O que aconteceu?", a bruxa perguntou ao gato, mas antes que Pooka pudesse responder, a fada começou a berrar com toda sua força.

"O que aconteceu? Esta fera sem coração quebrou minha asa, como qualquer idiota pode ver! Oooh! Se eu estivesse com a minha varinha, eu poderia..."

"Você a concertaria?", Elsie interrompeu a fada.

A fadinha toda desconjuntada cruzou os braços e levantou o nariz. "Se você acha que uma pessoa humana pode consertar uma coisa delicada como minhas asas, então você não é apenas humana, mas também é boba!"

Pooka baixou os olhos para sua dona. "Ela não é muito educada, né?"

Elsie sorriu em concordância e colocou a fadinha na mesa.

A fada levantou-se, correu para a borda da mesa e olhou para o chão, lá embaixo. "Como eu vou descer? Eu não consigo voar!", choramingou a fada.

"Eu poderia colocá-la no chão", Elsie disse. "Mas se você sair lá fora, Edgar provavelmente vai comê-la. Ele está sempre com fome e não faz muita frescura sobre o que vai comer", a bruxa falou. A carinha da fada ficou pálida frente a este pensamento.

Falando em comida... Pooka cruzou a cozinha e foi até seu pratinho que ficava perto da lareira. Ahhh! Elsie tinha colocado um pouco de mingau de aveia em seu pratinho.

"Você tem certeza que não quer que eu veja o que posso fazer pela sua asa? Eu sou boa neste tipo de coisa", disse a bruxa.

A fada olhou com dúvidas para a bruxa, relutante a acreditar nela. Mas ela sentou-se na mesa. "O que você tem em mente?", ela suspirou.

"Bem, a asa está quebrada. Precisamos usar algo como tala”.

"E o que você tem", perguntou a fada.

"Humm." Elsie procurou pela cozinha. O que serviria? O que seria pequeno, leve e ao mesmo tempo, forte o suficiente para sustentar uma asa de fada? Seus olhos pararam em Pooka que comia seu café da manhã. "Que tal um dos bigodes de Pooka?"

"Talvez funcione", a fada falou.

A cabeça de Pooka imediatamente se levantou. Um grunhido profundo veio de sua garganta.

Elsie colocou as mãos na cintura. "É sua culpa, senhor, que a asa dela está quebrada. Ou você está me dizendo que vai negar a esta criaturinha um de seus bigodes para arrumar a asinha dela?"

"Vai doer?", ele perguntou.

Elsie riu. "Não... eu tenho alguns que caíram naturalmente." Ela pegou um jarrinho que ficava em uma prateleira alta e mostrou a Pooka. "Está vendo? Eu tenho todos os seus bigodes aqui. Vamos usar um deles”.

Pooka respirou aliviado! Não que ele negaria se Elsie tivesse insistido - mas seria melhor se ele realmente gostasse daquela criaturinha.

Elsie pegou um bigode bem longo de dentro do jarro. De um outro jarro, pegou um tanto de argila branca; cuspiu na mão e fez uma pastinha. Então, de sua cabeça, puxou um fio de cabelo.

"Vai doer?" A fada olhava para Elsie bastante ansiosa pensando no sentimento do gato.

"Talvez um pouquinho. Mas quando terminarmos deve ficar muito melhor e o incomodo deve passar”, Elsie foi bastante acertiva.

Em poucos minutos a bela asa estava apoiada no bigode e presa com o fio de cabelo de Elsie e completamente segura pelo uso da argila.

A fadinha olhou o curativo com alegria. Bateu palmas e exclamou, "Sim, já está bem melhor! Agora eu vou embora!"

Rapidamente, Elsie prendeu a fadinha em suas mãos. "Espere!", ela disse. "Se você tentar voar agora, vai quebrar a tala! Precisa esperar até que a asa se curar”.

A fada ficou olhando para Elsie por entre seus dedos. "Quanto tempo demora?", ela perguntou. Elsie a tirou de suas mãos e disse, "Eu não sei... nunca curei uma fada antes."

A fada sentou na mesa e deu um suspiro pesado. "Então acho que estou presa aqui!"

Pooka ficou de olho na fada enquanto Elsie fazia o jantar. Logo, a cozinha estava tomada do cheirinho do cozido. Manteiga com ervas estava servida na mesa para ser colocada sobre grossas fatias de pão quentinho. Mas as fadas estavam acostumadas com uma dieta um tanto diferente e tudo que fez foi reclamar (mas ela comeu bastante da comida de Elsie). Finalmente, Elsie perguntou a ela: "Como você se chama?"

A fada virou a cabeça e respondeu: "Thistle”.

"Olá, Thistle", Elsie respondeu. "Aquele ali é o Pooka". De seu pratinho, Pooka ficou olhando para a fadinha.

"E este é Edgar." Edgar, o corvo, comendo seu jantar nem percebeu que falavam dele. "E eu sou Elsie."

"Elsie é uma bruxa", Pooka acrescentou.

"Uma bruxa?", a fada berrou. Elsie consentiu.

A fadinha estava admirada - uma bruxa vivia na floresta e ela não tinha nem idéia... Quem diria.

********************

Naquela noite, Elsie fez uma cama para Thistle em uma caixinha de madeira recoberta por flanela macia e algumas penas. Thistle pulou dentro e tentou ficar confortável, mas não importava como ela se virava, parecia que sua asa machucada esbarrava nas quinas da caixa. Ela olhou por cima da caixa e viu Elsie

 

 
 
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