
Tempo de alegria, harmonia, primavera. É o rito de fertilidade que celebra o nascimento da Primavera e o despertar da vida na Terra. É a estação das flores, dos animais acasalando, a doce música dos ronronados, grunhidos, mugidos, trinados de pássaros, a delícia da continuação da vida.
Houve um tempo em que contei para meus filhos que a Deusa andava na terra e ela se chamava Ostara e vivia cercada de animais. Nos faz lembrar muitas histórias de contos de princesas, mas só que essa se apaixonou pela Lua Cheia e partiu, deixando a tristeza no ar e nos animais. O que ficou mais sentido foi a lebre. Uma dor forte, de um tempo que não voltaria jamais! Com o tempo passando, ela foi observando os outros bichos, ouvindo o uivo dos lobos e pensou que, se todos eles tentassem juntos, quem sabe Ela também ouviria? Dito e feito: a jovem Ostara se comoveu com a lebre e logo entendeu o esforço e o amor por detrás daquela nova canção e união.
Naquela noite, Ostara decidiu retornar à Terra e, com sua chegada, o tempo esquentou, as cores voltaram e as flores brotaram. A deusa pegou a pequena lebre em seus braços, a colocou no colo e disse: "Obrigada pelo seu amor! O que você deseja como recompensa?". A lebre, embevecida de amor e tonta com a beleza da donzela, respondeu: "Senhora, a única coisa que quero, é que da próxima vez seja mais fácil chamá-la de volta!"
Ostara pensou por um momento e depois concedeu à lebre o dom de se transformar em um pássaro mensageiro. Pois, quando fosse tempo de despertar de seu sono da Lua, a lebre mudada em pássaro a chamaria e teríamos a certeza de que ela sempre voltaria. E Ostara também acrescentou: "Pequena lebre – a você, que já é tão fértil, concedo, na forma de pássaro a guarda dos ovos sagrados que são a chave da continuidade da vida. Que você seja deles a guardiã e os distribua entre as pessoas quando necessário, mostrando a elas todas as possibilidades, que são meu poder e minha dádiva."
E desse momento em diante, a lebre distribui os ovos de Ostara, como recompensa de amor e dedicação. Aquela primavera foi feliz e todos se alegraram sabendo que, mesmo que o inverno chegasse, um dia a lebre buscaria Ostara de volta.
Ouvi essa história e passei para meus filhos. É uma época de contar histórias, do futuro, da união e do amor. Façamos desenhos com as crianças, pois é uma época de equilíbrio das forças: masculina e feminina, em harmonia exata, simbiótica, em perfeito êxtase. É a plenitude das espécies. Ensine a elas o significado do arco- Íris
O FESTIVAL DE OSTARA simboliza o casamento do Deus e da Deusa. Marca o início do plantio, tanto físico como o espiritual. É o momento de plantarmos nossos desejos e regá-los com muita dedicação, determinação e responsabilidade, para que floresçam fortes e saudáveis e que seus frutos nos tragam a renovação de uma boa safra. É hora de plantar girassóis, feijões, tudo em que possam sentir o crescimento.
Vamos fazer um altar dentro ou fora de casa. Sempre preferi fora, mas às vezes não dá. Então arrumamos a mesa, bem linda e colorida.
Contar a história da Deusa Oster, Senhora da Fertilidade, uma divindade de origem celta, tradição que comanda a Casa, traz consigo o renascimento. Junto, contamos outras histórias de família. Eles adoram! Têm muitas para serem lembradas, pois cada família tem sua história.
Tudo é motivo de alegria e, caindo em um domingo, as famílias podem se reunir, trazendo a alegria das gerações. Andar no quintal, plantar girassóis. Os dias escuros se vão, e a Terra está pronta para ser plantada. É quando o Deus e a Deusa se apaixonam e deixam de ser mãe e filho. Nessa data, a semente da vida é semeada no ventre. É uma época iluminada. Quando não existiam ovos de chocolate, cozinhávamos ovos de verdade, com cascas de cebola na água, o que dá uma bela cor dourada. Depois, desenhávamos com tinta não tóxicas – pois as outras podem provocar problemas se ingeridas -, usando anilinas para bolo. Podemos desenhar símbolos mágicos, ou decorados como a criança quiser.
Deve-se colocar flores no altar e na mesa. Ensinem a elas a reverenciar a Terra e todos os seus tesouros. Medite acerca das mudanças de estações, sinta o crescer das energias na Terra a seu redor. Deite com elas no chão, ou esconda os ovos. A brincadeira de esconder o ovo é uma festa para os pequenos. Eu colocava caminhos com os dedos na maisena, era uma farra! Desenhos feitos por eles nas janelas também dão um toque especial nesse dia.
À noite, depois do pique–esconde, podemos fazer uma oração agradecendo à mãe Terra, dançar, virar, recitar, cantar, encher de alegrias nossos corações para o início da primavera.
A palavra "Páscoa" é de origem hebraica (Pessach) e significa passagem. A Páscoa já era celebrada pelos judeus antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo. Os judeus comemoram esse dia desde há muito tempo, só que com outro sentido: o de liberdade, após anos de escravidão no Egito. ----achei que esse parágrafo ficava melhor no final do texto
Para os maiores, podemos ensinar as técnicas do Pysanky, de origem ucraniana, um costume muito antigo que ainda hoje é usado na Páscoa. A arte do Pysanky é a técnica usada para decorar ovos de aves com cores e símbolos, que estão relacionados ao desejo da pessoa que o criou. Ou seja, um ovo é pintado e decorado com os desejos de uma pessoa ao ofertá-lo a uma outra. Mas é preciso usar símbolos, e não palavras e frases.
Com tudo isso vamos fazer belos desenhos e preparar a casa bem linda para os parentes e para o Coelho, afinal como diz a música:
Coelhinho da páscoa o que trazes pra mim?...
Trio Cesarini |