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É muito estranho perceber que, nestes tempos de neopaganismo, a Deusa mais importante da antiguidade é relegada ao segundo plano, quando na religião grega ela fazia parte da trindade mais adorada tanto pelos gregos, (Zeus, Atena e Apolo) quanto pelos Romanos (Júpiter, Juno e Minerva, a Tríade Capitolina).
A primeira vista seria muito simples explicar esta ausência, já que parece que a inteligência abandonou de vez o nosso planeta. É claro que para quem busca o superficial, o que encontram sobre Atena é também superficial. E como poucos se dão ao trabalho de buscar profundidade e o que vemos na superfície é que Atena é a Deusa da estratégia militar e dos trabalhos artesanais para os gregos e a Deusa da sabedoria e engenhosidade para os romanos, coisas bem simples, convenhamos.
Mas é nesta simplicidade que ela tem sua importância. Para os gregos não existe feitos heróicos sem a ajuda de Atenas: Ulisses, Jasão, Perseu, Diomedes, Aquiles e outros tantos heróis celebres não teriam atingido a notoriedade sem a intervenção de Atenas.
Filha do primeiro casamento de Zeus, com Metis, a que tudo conhece sobre os deuses e os mortais, que quando estava prestes a dar a luz foi engolida por Zeus, seguindo os conselhos de Gaia e Urano. Do casamento entre Zeus e Metis nasceria o filho que destronaria o Crônida, por isto o cuidado de não deixa-la nascer naturalmente de sua mãe.
Engendrada por Zeus dentro de si mesmo, ele pode controlar a escolha do sexo da criança, e quando chegou a época de seu nascimento, o senhor dos deuses sentiu horríveis dores de cabeça, pois nasceria um fruto da sua mente. Estas dores foram tão insuportáveis que em seu desespero pediu ao Titã Prometeu que lhe abrisse a cabeça com um machado (outras lendas falam em Hefesto). Quando a lamina dura do Machado atingiu o topo da cabeça do Deus tonitruante, uma luz fortíssima brilhou e em seu centro apareceu a donzela armada de lança e escudo, imediatamente ela pulou para terra e lançou seu grito de Guerra OIOIOIOIOIOIOIOIOI-OIOIOIOIOOOOOOOOOOOOOOOOO – e com ele fez estremecer os céus e a Terra.
Um temor religioso tomou a todos os imortais presentes no Olimpo ao vê-la: Armada de escudo, capacete e de aguda lança ameaçadora. Todos os deuses estremeceram com o terrível olhar de coruja e ao redor a terra estremeceu e o mar sempre agitado por suas ondas se aquietou como se fosse um imenso lago. Hélios o filho de Hiperión, deteve seu carro puxado por irascíveis corcéis e por um longo tempo estancou no meio dos céus.
Atena é o protótipo da mulher viril, dotada de força física e energia espiritual. Ela possui as qualidades da prudência e sensatez e é a partir disso que é considerada a deusa da inteligência: sua ajuda a Hercules e a tantos outros heróis, faz que ela seja considerada aquela que com sua inteligência domina a força bruta. Com ela a Guerra deixa de ser apenas a matança indiscriminada, pois ensina aos homens a estratégia militar, aliando a inteligência aos músculos.
Suas ações mostram claramente que é uma deusa civilizadora: Posídon agita as ondas, Atena inventa o barco; ele excita aos cavalos, ela cria as rédeas; No tumulto de gritos e sangue onde Ares se deleita, ela organiza o combate; Hermes e Pan multiplicam os rebanhos, Atena ensina a usar a lã fiando e tecendo.
Ela preside as artes, a literatura, a filosofia e a musica. Dedica seu talento para as artes da paz e introduz no mundo o cultivo da oliveira. O nome latino, Minerva está relacionado com a raiz indo européia que designa as atividades do espírito. Em seu nome etrusco Menerua, Menrua a raiz “men” é relacionada a “pensar” de onde procede mens, mentis que em oposição a corpus é o principio pensante, a inteligência.
Em seus muitos epítetos, alguns são contraditórios, pois ela é tanto a protetora como a destruidora de cidades. É a filha menina/menino de Zeus, a Soberana, a Que brande o Escudo, a Eterna Donzela, a da Lança de Ouro, a Muito Prudente, a Hábil e como Homero a chamava a de olhos glaucos, de onde se tirou o nome da doença ocular o Glaucoma.

Um dos aspectos de Atena que chama a atenção é que seu símbolo que vemos na primeira figura, como o símbolo de Afrodite que é o símbolo alquímico do Cobre, o de Ares é do ferro, de Zeus o estanho... o símbolo de Atena foi usado pelos alquimistas para o Enxofre.
O que de certa forma dá o que pensar, já que o enxofre é associado ao mundo subterrâneo desde a idade média. Porém, para os antigos o enxofre era elemento de purificação, assim como para os alquimistas o enxofre era o principio gerador masculino, que manifesta a vontade celestial e a atividade do espírito, além de representar o Ardente ou seja a energia e a alma da natureza. Era empregado na antiguidade na purificação dos culpados. Deixando o pensamento voar encontramos ligações do enxofre com a imortal criatividade de Atena, como matéria-prima para ácido sulfúrico, vulcanização de borracha, pólvora, fósforos de segurança, fungicidas etc... Ligando-se, portanto a varias das atividades da deusa, purificação, guerra, civilização e artesanato.
Por tudo isto a minha afirmação inicial de que acho estranho que não vemos muito interesse dos neopagãos na deusa da inteligência e da estratégia. Talvez seja porque neste mundo tecnológico, a técnica se tornou mais importante que a criatividade.
Que Atena nos abençoe com seus dons.
RE-PUBLICADO NO TRIBOS DE GAIA EM 9/12/2008
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