tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
 

inicio>>>mitologia>>>mitologia grega

Mutunus Tutunos
de Gwydyon Drake


   

Outro dia surgiu uma discussão numa comunidade sobre a morte dos deuses, ao que respondi que os deuses morriam, quando nós humanos nos esquecíamos deles. Aí sempre aparecem aqueles que dizem que os deuses nunca morrem, e que nós não temos a menor influencia nisso.

As energias divinas nunca morrem, porém estas energias ou os nomes e formas que damos a elas morrem sim, mudam de nome e se mantém como energia divina, mas a visão que nossos ancestrais tinham delas desaparecem.

Antes mesmo que Romulo ocupasse o monte Palatino, sobre a Colina Vélia, já existia um templo em honra a Mutunus Tutunus, as antigas lendas contam que este templo existia desde os primórdios, e nele era cultuado este Deus na forma de um falo viril. Mutunus Tutunos era o Deus de toda fecundação, estava ligado a procriação humana, dos animais e a fertilidade da terra mãe.

Sabemos muito pouco deste antigo deus latino, e por maior ironia dos quatro autores que citam seu nome, o que nos dá mais pistas sobre seu culto é justamente Santo Agostinho (que menciona seu nome em Cidade de Deus - Livro IV capitulo XI e descreve o seu culto no - Livro VII capitulo XXI já com o nome de Libero)

"Eis uma das coisas que me vejo forçado a silenciar, por serem muitas: Nas encruzilhadas da Itália celebravam-se os mistérios de Libero, diz Varrão, com tamanha libertinagem e torpeza, que em sua honra se reverenciavam as partes viris do homem. Não o faziam em segredo, caso em que seria mais vergonhoso, mas em público, triunfando, assim, a carnal torpeza.

Durante as festividades de Libero, o vergonhoso membro era, com grande honra, posto em cima de carros e passeado, primeiro do campo às encruzilhadas, depois pelas cercanias de Roma, onde acabava entrando.

Na cidade chamada Lavínio dedicava-se um mês inteiro às festividades de Libero. Durante trinta dias todos usavam as palavras mais indecorosas, até que o referido membro, depois de conduzido em procissão pelas ruas, fosse repousar, enfim, em seu lugar. Ao desonesto membro era preciso que honestíssima mãe de família lhe impusesse publicamente a coroa.

Desse modo se devia tornar propício o deus Libero, para maior rendimento das colheitas. Assim devia repelir-se dos campos o feitiço, a fim de a matrona ver-se obrigada a fazer em público o que até a meretriz se deveria proibir fazer em cena, se espectadoras as matronas."

Mutunus Tatunus o Dionisio dos Etruscos e Latinos Primordiais, não cumpria apenas este culto agrícola, mas a toda a criação, para os humanos que levavam sua estátua (em tamanho menor) para a porta de suas casas como símbolo apotropaico, para afastar feitiços e malefícios lançados por inimigos, mas também para o interior da alcova como amuleto fecundador ou ao leito nupcial onde a estatueta era usada para que a noiva sentasse sobre ela consagrando ao deus sua virgindade, protegendo o noivo do perigo magico que a defloração de uma mulher causaria a ele, já que entre os antigos etruscos a sacralidade da mulher como força da natureza, não podia ser tocada pelo homem.

Este fato Ligado a Mutunus Tutunus, me fez compreender o papel de Hermes na Grécia, junto ao leito nupcial como deflorador das noivas. Algo que até encontrar com este deus esquecido, não consegui compreender. É provável que estes costumes venham dos primeiros povos agrícolas do neolítico, onde o feminino pode ter tido um destaque maior que o masculino, já que nestas sociedades o culto a Mãe Terra era dominante.

Embora Mutunus Tutunus, tenha sido esquecido, seu culto permaneceu em Líbero, depois Pater Liber que finalmente se funde ao culto dionisíaco vindo da Grécia.

O culto a Pater Liber simbolizava a fecundidade da natureza e espalhou-se por toda a Itália, fazendo com que o senado romano temesse que ele fosse capaz de desestabilizar a republica e por isto foi proibido no ano de 186 A.C. mas como nunca deixou de ser cultuado nos campos, a febre dionisíaca continuou rondando Roma até que nos primórdios do Império, volta com toda a força, não mais nos humildes camponeses mas sim na aristocracia romana que acolheu suas imagens e seus mitos.

Na Roma Imperial, que são as ruínas que encontramos hoje, sua imagem como o falo é onipresente em estátuas, amuletos e afrescos como os que encontramos na vila dos mistérios em Pompéia.

Mostrando que os deuses antigos são esquecidos e mortos, mas retornam em novos deuses, que mantém vivas as forças da natureza que geraram os deuses primordiais.

 

RE-PUBLICADO NO TRIBOS DE GAIA EM 9/12/2008

inicio>>>mitologia>>>mitologia grega

   
 
tribos de gaia