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MAGNA MATER DEORVM IDAE
Ou simplesmente Cibele
de Gwydyon Drake

Mãe dos deuses imortais,
Ela prepara um carro da rápida monta,
conduzido por leões touros matadores:
Ela que maneja o Cetro sobre o célebre pólo,
Ela de muitos nomes, a Honrada!
Tu ocupas o trono central do Cosmos e portanto da Terra
enquanto proporcionas os alimentos mais deliciosos.
Por Ti foi criada a raça dos imortais e dos mortais!
Por Ti, os rios e o mar inteiro são governados!
Vai ao banquete, Ó Sublime!
Deleitada pelos tambores, Domadora de tudo,
Salvadora dos frígios,     
Companheira de Cronos,criança de Urano,
A Velha, a Doadora da Vida, o Amante frenética,
A Alegre ... alegre pelos atos de piedade!
Generosa Deusa do Ida,
Tu, Mãe dos deuses,
que te comprazes em Dindima ...
e em cidades elevadas ...
e nos leões emparelhados ...
Guia-me agora nos anos vindouros!
Ó Deusa, faze este signo auspicioso!
Anda a meu lado com seu passo gracioso!

(Enéas na Eneida de Virgilio)

Durante a Segunda Guerra Púnica houve um momento de pânico coletivo em Roma, os exércitos de Aníbal cruzava os Alpes e nada o impediria de marchar diretamente para Roma. Apavorado, o senado romano enviou emissários a Cunas para ouvir os presságios da Sibila e ela revelou a eles que apenas uma coisa poderia salvar o destino de Roma.

Era o momento de voltar as origens e de trazer a Roma a divindade dos seus antepassados de Tróia, o senado devia mandar

   

imediatamente emissários para buscar Cibele, A Grande Mãe do Monte Ida, pois ela a mãe de todos os deuses zelaria pelo futuro dos descendentes de Éneas.

Quando chegaram a cidade de Pessinunte na Anatólia e fizeram sua reivindicação ao monarca da cidade. O rei Átalo a principio negou ao pedido, mas no dia seguinte, após sonhar com a Deusa e ouvir dela que deveria seguir para Roma, liberou o transporte da imagem desde que o colégio dos Gallos (sacerdotes da deusa) a acompanhassem a Roma e lá continuassem a cuidar dela, como já o faziam, no seu templo no monte Ida.


A imagem de Cibele, antes adorada apenas como um meteorito negro que caiu em uma noite cheia de estrelas, riscando o céu como uma labareda, agora já ganhara adereços em prata, foi transportada para Roma acompanhada por seus sacerdotes, chegando ao porto de Óstia, na entrado do Rio Tibre, o barco que atranspostava, encalhou num banco de areia e todos os esforços para desencalha-lo foram em vão. Engenheiros e generais discutiam a maneira para tirar o barco daquela situação, para que a imagem chegasse a Roma. Cipião Nasica o enviado do Senado para recpcionar a imagem e a leva-la para Roma estava aflito, mas nada fazia com que o barco se movesse, resistindo a todos os esforços.


Inesperadamente, sem que ninguém percebesse, Cláudia Quinta, uma matrona romana que por seu gosto exagerado no vestir, dera o que falar as más línguas romanas, chega as margens do Tibre e fazendo se ouvir por todos que cercavam o navio, clama:
"Tomo por testemunha a Magna Mater, que todas as maledicências e calunias lançadas contra mim e que tanto mancharam minha honra são mentiras causadas por inveja e Suplico a Grande Mãe que de seu testemunho publico de que sou inocente"


Em seguida passa pela cintura a grossa corda que ligara o barco a dezenas de homens e anda sem nenhum esforço, a corda se retesa e ela continua caminhando fazendo que o barco a siga. E assim por força e crença de uma matrona romana que a Magna entra em Roma no ano 204 Ac. sendo instalada no templo de Victória. E Roma viu o poder e o nome da gens Claudio crescer com descendentes de Claudia Quinta enquanto o poder e força de Aníbal e de Cartago definhavam, como uma planta sem água.


Porém, ainda que os Censores M Liuius Salinator e C Claudius Nero erigissem um templo a Magna Mater no Monte Palatino o Culto a Cibele não eram vistos com bons olhos pelo Senado. Os Romanos mais conservadores, ainda que agradecidos pelo favor da Mãe dos deuses, ficaram ao mesmo tempo estarrecidos pelo esplendor exótico das Gallae. A religião romana tinha pouco do frenesi apaixonado, da auto-flagelação, do estrépido dos címbalos, e da dança ao zumbido plangente das flautas orientais.

Alguns romanos, porém, acharam tal êxtase tão estimulante, ao ponto de imitarem o mistério do emasculação de Átis. Ficou então proibido aos romanos que fizessem votos á Cibele, proibição esta que durou até a época de Mario que revogou estas leis permitindo que cidadãos romanos participassem do sacerdócio da Deusa, depois 100 anos da chegada da Deusa em Roma.


Os romanos adornavam as estátuas de Cibeles com rosas, como faziam com Afrodite. Parece possível que, na época em que seus mistérios se celebravam em Roma, o simbolismo da rosa começara a desenvolver-se como imagem de ressurreição, e do jardim de rosas como símbolo de mundo sagrado ou da dimensão oculta da Deusa.


A combinação de rosas e leões pode parecer um pouco esquisita. No entanto, é provável que o carro de Cibeles tirado por leões terminava coberto de rosas, jogadas por seus devotos, enquanto ela passava pelas ruas de Roma.

 

RE-PUBLICADO NO TRIBOS DE GAIA EM 9/12/2008

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