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Sarasvati



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* Estórias de Shiva

 



Na semana que vem ser á celebrado o Mahashivaratri, a noite de adoração à Shiva. Essa festa é sempre celebrada na 14a. noite da quinzena escura do mês de Phalguna, para nós dia 23 de fevereiro. Dizem que foi nessa data que Shiva realizou a Tandava Nritya, a dança primordial da criação, preservação e destruição. Como é uma noite de lua nova, o deus que tem uma crescente na testa é reverenciado para garantir que a lua apareça na noite seguinte. Logo depois dessa noite, quase como um milagre, as árvores se enchem de flores, para anunciar que, depois do inverno, a fertilidade na terra foi restabelecida. Talvez seja por isso que o Linga é adorado em toda a Índia como um símbolo de fertilidade. Mas além de ser um ritual, o Mahashivaratri é também uma definição cósmica do universo Hindu. Ele dissipa a ignorância, emana a luz do conhecimento, nos torna conscientes do universo, conduz a primavera depois do inverno frio e seco e invoca o poder supremo a tomar conhecimento dos seres que foram criados por ele. Por isso resolvi compartilhar algumas lendas do Grande Dançarino.

HAALA-HALA, O VENENO

Quando os devas e os asuras estavam “batendo” o oceano de leite que criou o mundo, dele surgiu Haala-hala, um jarro de veneno tão tóxico que colocaria em risco toda a criação. Os deuses ficaram aterrorizados e, seguindo o conselho de Vishnu, foram pedir ajuda e proteção a Shiva, já que ele era o único que poderia engolir o veneno sem ser afetado. Por compaixão aos seres vivos, Shiva resolveu atender as súplicas e bebeu o conteúdo mortal do jarro. Mas, vendo o perigo que isso causaria até mesmo ao seu consorte, Parvati rapidamente pressionou a garganta de Shiva para que o veneno não chegasse em seu estômago. Dessa forma, ele ficou na garganta do deus sem se mover para cima ou para baixo e Shiva continuou ileso. O veneno era tão poderoso que mudou a cor do pescoço do Mahadeva, que desde então ficou azul. Por isso Shiva é também conhecido como Neelakantha (neela = azul e kantha = garganta).

O TIGRE E AS FOLHAS

Era uma vez um caçador que, enquanto perseguia um veado, acabou se perdendo no meio da floresta e foi parar nas margens do rio Kolidum, quando ouviu o assustador rugido de um tigre. Para se proteger da fera ele subiu na árvore mais perto que viu. Mas o tigre, faminto que estava, montou guarda embaixo da árvore, sem tirar os olhos da sua próxima refeição. O caçador pensou: “Quando a noite cair esse tigre vai embora e então eu poderei ir para minha casa”, mas que nada! Anoiteceu e o danado do bicho continuava lá. O problema é que com a noite veio também o sono e a fatiga, e o caçador começou a se preocupar. “Não posso dormir, não posso dormir” pensava. Então, para afastar o sono, ele começou a observar a árvore que lhe servia que proteção e, com sua licença, gentilmente arrancava folha por folha e as jogava para baixo.

Quanta sorte dera esse caçador! Embora ele não soubesse, embaixo da árvore havia um Shivalinga e, além disso, a árvore que lhe dava refúgio era uma árvore Bilva. Sem saber, o caçador passou a noite inteira agradando a deidade com as folhas sagradas de Bilva. Quando finalmente amanheceu e o caçador olhou para baixo, que surpresa não foi a sua ao ver que não só o tigre tinha ido embora, mas também que em seu lugar se encontrava ninguém menos que Shiva. Ele se prostrou diante do deus, com profunda reverência, e dessa maneira conseguiu obter a salvação e se livrar do ciclo de nascimento e morte.

A ADORAÇÃO DO DEUS FÁLICO

Uma vez Brahma e Vishnu estavam discutindo sobre sua supremacia. Brahma argumentava que, sendo o criador de todas as coisas, ele era mais poderoso e reverenciado. Já Vishnu dizia que não adiantava nada criar se não se pode manter a criação e que ele, sendo o responsável pela preservação do mundo, merecia mais respeito. Os dois ficaram nessa discussão por eras e eras. Os outros deuses já estavam ficando inquietos com a briga, pois estava desequilibrando a ordem do universo, e foram suplicar que Shiva fizesse alguma coisa. Apesar de não gostar de ter sido interrompido em sua meditação, o Deus Mendigo sabia que precisava agir. Nesse momento, na frente dos dois deuses brigões, eis que surge um linga colossal, conhecido como Jyotirlinga, todo coberto de chamas. Tanto Brahma quanto Vishnu ficaram embasbacados, pois o monumento não parava de crescer. Crescia tanto que eles até se esqueceram suas picuinhas e decidiram saber qual o tamanho daquilo. Shiva então se transformou em um javali e saiu correndo para o submundo, e Brahma assumiu a forma de um cisne e voou para os céus. Mas a tarefa era tão impossível que, mesmo sendo deuses, ambos falharam em determinar o tamanho do linga. Quando, frustrados, se encontraram novamente, Shiva saiu do linga, surpreendendo-os. O Deus estava muito irritado e, dando-lhes uma tremenda bronca – afinal dois deuses não devem ficar brigando sobre quem é mais importante – lembrou-lhes que ele era o progenitor de ambos e que, daquele momento em diante não deveria ser adorado em sua forma antropomórfica, mas sim em sua forma fálica, o linga.

PUBLICADO EM 20/02/2009



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