tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
Sarasvati



menu menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
 

* Mahavidyas - Deusas da Sabedoria

 

Há, na Índia, um estranho grupo de dez Deusas. Elas são chamadas de Grandes Deusas da Sabedoria, conhecidas em sânscrito como Mahavidyas (Maha - grande; vidya - conhecimento).
Uma delas é mostrada segurando sua própria cabeça recém cortada, que se alimenta do sangue que jorra de seu pescoço; outra segura uma tesoura sentada triunfante sobre um cadáver; uma terceira é mostrada como uma viúva velha e feia, dirigindo uma carroça decorada com um corvo como emblema. A série continua - uma reunião no mínimo interessante, para não dizer outra coisa.
A história de seu surgimento é igualmente interessante e paradoxalmente de origem romântica:
Uma vez, durante seus numerosos jogos amorosos, as coisas saíram de controle entre Shiva e Parvati. O que havia começado como brincadeira virou uma séria discussão, com um Shiva raivoso ameaçando abandonar Parvati. Nada que ela fizesse, sedução ou persuasão, poderia reverter o quadro. Sem escolha, ela se multiplicou em dez formas diferentes e correu para todas as direções. Então, por mais que Shiva tentasse escapar de sua amada, ele a encontraria, parada e guardando todas as rotas de fuga.
Cada uma das formas manifestadas da Devi fez Shiva perceber verdades essenciais, fez com que atentasse para a eterna natureza de seu amor mútuo e, mais importante, estabeleceu para sempre nos cânones do pensamento indiano, a superioridade da Deusa sob sua contraparte masculina. Não que Shiva tenha se sentido depreciado por saber disso, sentiu-se, apenas acordado espiritualmente. Isso é verdade tanto para o Grande Senhor como para nós, meros mortais. Na verdade, no processo de aprendizado espiritual, a Deusa é a musa que nos guia e inspira. Ela é a alta sacerdotisa que revela as verdades interiores.
O espectro dessas dez deusas cobre todos os aspectos da divindade feminina, englobando de deusas terríveis de um lado, a belezas impressionantes de outro. Essas Deusas são:
1) Kali, a Noite Eterna
2) Tara, a Deusa da Compaixão
3) Shodashi, a Deusa com 16 anos de idade
4) Bhuvaneshvari, a Criadora do Mundo
5) Chinnamasta, a Deusa que corta fora a própria cabeça
6) Bhairavi, a Deusa da Deterioração
7) Dhumawati, a Deusa que se faz viúva
8) Bagalamukhi, a Deusa que trava a língua
9) Matangi, a Deusa que ama poluição
10) Kamala, a última mas não a menor

Kali, a Noite Eterna
1Kali é mencionada como a primeira entre as Mahavidyas. Negra como a noite, ela tem uma aparência terrível e amedrontadora.
No Rig-Veda, o livro mais antigo do mundo, existe um 'Hino à Noite' (Ratri sukta), que diz que há dois tipos de noites. Uma vividas por seres mortais e outra por seres divinos. Na primeira, todas as atividades mortais cessam, enquanto na segunda, as atividades divinas também descansam. Esta noite é a noite absoluta de destruição, o poder de kala. A palavra em sânscrito kala denota tempo. O nome de Kali nome é derivado de esta palavra, como também da palavra sânscrita para negro. Ela é, assim, a noite atemporal, tanto para os meros mortais quanto para seres divinos. À noite, nos aninhamos em felicidade, como aves nos seus ninhos. Moradores das aldeias, suas vacas e cavalos, os pássaros do céu, os muitos homens que viajam a negócios, e chacais e os animais selvagens, todos saudam a noite e se aninham alegres nela; para todos os seres perdidos pelo caminho do Dia ela traz serenidade e alegria, assim como uma mãe faria. A palavra ratri (noite) é derivado da raiz ra ", dar", e é de onde se origina para significar "o doador" de êxtase, de paz da felicidade.

 

Tara, a Deusa da Compaixão

2 As semelhanças na aparência entre Kali e Tara são surpreendentes e inconfundíveis. Ambas repousam sobre uma figura masculina, geralmente reconhecida como Shiva, mas que pode também ser um cadáver anônimo.
Ambas vestem poucas roupas ou estão nuas. Ambas usam um colar de cabeças recém cortadas e um cinto de mãos humanas. Ambas têm a língua para fora, vermelha com o sangue de suas vítimas. Suas aparências são tão semelhantes que é fácil confundi-las.
A tradição oral conta uma intrigante história sobre da Deusa Tara. A lenda começa com a agitação do oceano. Shiva bebeu o veneno que foi criado da agitação do oceano, assim salvando o mundo da destruição, mas caiu inconsciente sob o seu poderoso efeito. Tara aparece e leva Shiva em seu colo. Ela o suga e o leite de seus seios anula o efeito do veneno, e ele se recupera. Este mito é reminiscência daquele em que Shiva pára a furiosa Kali tornando-se uma criança. Vendo o bebê, o instinto maternal de Kali vem à tona, e ela se torna calma e cuida do bebê Shiva. Em ambos os casos, Shiva assume a posição de uma criança perante a deusa. Em outras palavras a Deusa é Mãe até do próprio Grande Lorde.
A característica na iconografia de Tara é a tesoura que ela leva em uma de suas quatro mãos. A tesoura está relacionada à sua capacidade de cortar todos os apegos.
Literalmente a palavra 'tara' significa estrela. Assim Tara é a estrela da nossa aspiração, a musa que nos guia ao longo do caminho criativo. Estas qualidades são apenas uma manifestação de sua compaixão. A tradição budista enfatiza estas qualidades desta Deusa, e ela é adorado no Tibete como uma importante corporificação da compaixão.

Shodashi, a Deusa com 16 anos de idade

3Acredita-se que Shodashi ou Tripura Sundari tenha nascido para salvar os deuses da devastação de um poderoso e irado demônio. A história começa quando Shiva incendeia Kama, o deus do amor, que tentou desviar Shiva de sua meditação. Um dos seguidores de Shiva então pegou as cinzas de Kama e formou com elas a imagem de um homem. Este homem então convence Shiva a ensinar-lhe um poderoso mantra. Pelo poder deste mantra, qualquer um pode ganhar metade do poder de seu adversário. Mas porque ele foi gerado a partir das cinzas da ira de Shiva, ele é transformado em um feroz demônio. Intoxicado com o seu novo poder, ele começou a enlouquecer o reino dos deuses. Compreendendo a derrota e humilhação, todos os deuses procuraram a Deusa Tripura Sundari para buscar sua ajuda. A deusa aparece e concorda em ajudá-los. Tomando o campo de batalha, ela dá um golpe esmagador no poderoso demônio, poupando, assim, os deuses.
Iconograficamente, essa Deusa é mostrada sentada em um lótus que se apóia no corpo do Lorde Shiva, que por sua vez situa-se num trono cujas pernas são dos deuses Brahma, Vishnu, Shiva, e Rudra.
Esta é a representação direta da Deusa dominando as importantes deidades masculinas do panteão Hindu, uma crença central da ideologia Mahavidya. Ela é a salvadora de todos, o último Refúgio.
Ela detém em suas mãos um par de arco e flechas. O arco é feito de cana-de-açúcar, um símbolo da doçura. Seus dardos são a doçura personificada. Um de seus epítetos é 'Tripura Sundari-', que significa "Aquela que é bonita nos três domínios". Outro de seus nomes, "Lalita", implica suavidade. Essas duas qualidades dão origem a imagens de impressionante beleza e insuperável esplendor.
A palavra 'Shodashi' significa, literalmente, dezesseis em sânscrito. Por isso Ela é visualizada como uma doce menina de dezesseis. Na vida humana, dezesseis anos representa a idade da perfeição atingida, depois da qual o declínio se inicia. Na verdade, dezesseis dias formam o ciclo lunar da lua nova para a lua cheia. A lua cheia é a lua de dezesseis dias. Esta menina de dezesseis governa sobre tudo o que é perfeito, completo, lindo. Sua suprema beleza também tem uma história interessante:
Era uma vez, Shiva se dirigiu a Kali (sua esposa) por seu nome, na frente de algumas damas celestiais que tinham chegado para visitar, chamando-a de "Kali, Kali" ("Neguinha, Neguinha"), de brincadeira. Mas ela levou isso como uma afronta contra sua pele negra. Ela abandonou Shiva e resolveu livrar-se de sua cor através do ascetismo. Mais tarde, o sábio Narada, vendo Shiva sozinho, perguntou onde estava a sua esposa. Shiva reclamou que ela o tinha abandonado e desapareceu. Com seus poderes da ioga, Narada descobriu Kali vivendo ao norte do monte Sumeru e foi lá para ver se ele poderia convencê-la a voltar para Shiva. Ele disse a ela que Shiva estava pensando em se casar com outra deusa e que ela deveria retornar de uma vez para evitar que isso acontecesse. Kali já tinha se livrado de sua pele negra, mas não tinha percebido. Chegando na presença de Shiva, ela viu seu reflexo com a pele clara no coração de Shiva. Pensando que esta era uma outra deusa, ela se tornou ciumenta e zangada. Shiva disse a ela para olhar com mais cuidado, com o olho do conhecimento, dizendo-lhe que o que viu no seu coração era ela. A história termina com Shiva dizendo para a Kali transformada: "Como você assumiu uma forma muito bonita, linda nos três mundos, o seu nome será Tripura-Sundari. Você deve sempre permanecer com dezesseis anos de idade e ser chamado pelo nome Shodashi."

Bhuvaneshvari, a Criadora do Mundo

4Um texto moderno diz que a lenda de Bhuvaneshvari tem a seguinte origem:
"Antes que qualquer coisa existisse, era o sol que aparecia nos céus. Os rishis (sábios) ofereciam-lhe soma, a planta sagrada, para que o mundo pudesse ser criado; Naquele tempo, Shodashi era a força principal, ou a Shakti de onde o Sol criou os três mundos. Depois de o mundo ter sido criado, a Deusa assumiu a forma apropriada para o mundo manifesto."
Nessa forma ela veio a ser conhecida como Bhuvaneshvari, que literalmente significa "Dona do Mundo."
Bhuvaneshvari permanece não-manifesta até que o mundo seja criado. Por isso ela é primeiramente relacionada com o aspecto visível e material do mundo criado.
Mais do que qualquer outra Mahavidya, com exceção de Kamala (que eu vou contar depois), Bhuvaneshvari é associada e identificada com a energia subjacente à criação. Ela corporifica a dinâmica característica e constituinte que compõe o mundo e que dá à criação seu caráter distinto. Ela é parte da criação e também difunde-se em seu desfecho.
A beleza de Bhuvaneshvari é frequentemente mencionada. Ela é descrita com uma tez radiante e um belo rosto, emoldurado por um cabelo fluido da cor de abelhas negras. Seus olhos são grandes, seus lábios são cheios e vermelhos, seu nariz é delicado. Seus seios firmes são besuntados com pasta de sândalo e açafrão. Sua cintura é fina, e suas coxas, nádegas e umbigo são perfeitos. Seu belo pescoço é decorado com ornamentos e seus braços foram feitos para o abraço. Na verdade, diz-se que Shiva criou seu terceiro olho para olhá-la mais minuciosamente.
Essa beleza e força de atração pode ser entendida como uma afirmação do mundo físico. O pensamento Tântrico não denigre o mundo ou o considera ilusório, como outros aspectos abstratos do pensamento indiano. Isso se torna muito claro na crença de que o mundo físico, os ritmos da criação, manutenção e destruição, até mesmo os sofrimentos da condição humana não são nada senão o jogo de Bhuvaneshvari, seu alegre e emocionante passatempo.

Chinnamasta, a Deusa que corta fora a própria cabeça

5Um dia, Parvati foi se banhar no Rio Mandakini com suas duas damas de companhia, Jaya e Vijaya. Depois do banho, a cor da Grande Deusa se tornou negra, porque ela estava excitada. Depois de algum tempo, suas amas pediram para ela: "Dê-nos comida. Estamos com fome." Ela respondeu, "Eu lhes darei comida mas por favor esperem." Depois de um tempo, elas pediram novamente. Ela respondeu, "Por favor esperem, estou pensando em alguns assuntos." Esperando mais um pouco, elas imploraram, "Você é a mão do universo. Um filho pede tudo para sua mãe. A mãe dá ao filho não somente comida, mas também proteção para o corpo. Por isso nós estamos lhe pedindo comida. A Senhora é conhecida por sua misericórdia, por favor, dê-nos comida." Ouvindo isso, a consorte de Shiva disse-lhes que lhes daria qualquer coisa quando chegassem em casa. Mas, mais uma vezs as duas imploraram, "Nós estamos morrendo de fome, Ó Mãe do Universo. Dê-nos comida para que fiquemos satisfeitas, Ó Misericordiosa, Doadora de Bençãos e Realizadora dos Desejos."
Ouvindo essa verdade, a deusa misericordiosa sorriu e cortou sua própria cabeça. Assim que fez isso, a cabeça caiu na palma de sua mão esquerda. Três jatos de sangue ermergiram de seu pescoço; o esquerdo e o direito caíram respectivamente nas bocas de suas damas e o do centro caiu em sua própria boca.
Depois de ter feito isso, todas ficaram satisfeitas e voltaram para casa. A partir disso, Parvati ficou conhecida como Chinnamasta.
Chinnamasta é mostrada posicionada sobre o casal Kamadeva e Rati copulando, com Rati em cima. Eles são mostrados deitados em um lótus.
Há duas interpretações diferentes desse aspecto da iconografia de Chinnamasta. Ele pode ser um símbolo do controle do desejo sexual, ou um símbolo da incorporação da deusa de energia sexual.
A interpretação mais comum é que ela está derrotando o que Kamadeva e Rati representam, o desejo e a energia sexual. Nessa linha de pensamento ela significa o auto-controle, o que é a marca o iogue bem-sucedido.
A outra interpretação afirma que a presença do casal copulando é um símbolo da deusa sendo carregada com a energia sexual deles. Assim como o lótus abaixo confere à deidade posicionada acima suas qualidades aupiciosas e pureza, Kamadeva e Rati transmitem à Deusa acima deles o poder e a energia gerada pelo ato de fazer amor. Jorrando de seus corpos, essa energia emerge de seu torso sem cabeça para alimentar suas devotas e também reabastecê-la. Aqui, o casal enamorado não está em oposição à deusa, mas sim é uma parte integrada ao fluxo ritmico de energia que faz o ícone de Chinnamasta.
A imagem de Chinnamasta é uma imagem composta, transmitindo realidade como uma junção de sexo, morte, criação, destruição e regeneração. É uma representação impressionante do fato que vida, sexo e morte são partes intrínsecas do grande esquema unificado que forma o universo manifesto. O gritante contraste neste cenário iconográfico - a horrível decapitação, o casal copulando, o ato de beber sangue fresco, todos arranjados em um padrão delicado e harmonioso - choca o espectador em uma consciência da verdade de que a vida se alimenta de morte, é alimentada pela morte, e requer a morte e que o destino final do sexo é perpetuar mais vida, que por sua vez irá decair e morrer para poder alimentar mais vida. Como dispostos na maioria das interpretações desse ícone, o lótus e o casal parecem canalizar uma poderosa força vital dentro da deusa. O casal aproveitando o sexo transmite um impulso insistente, vital, para a deusa; eles parecem ser sua bomba pulsante de energia. E, no topo, como uma fonte que não pára de jorrar, seu sangue brota de seu pescoço cortado, a força da vida deixando-a, mas caindo nas bocas de suas devotas (e também em sua própria boca) para nutri-las e contê-las. O ciclo é totalmente retratado: vida (o casal fazendo amor), morte (a deusa decapitada), e nutrição (as yoginis bebendo seu sangue).

Continua...

Publicado em 10.02.2008

 

<<início<<<Luciana Sarasvati

|
 
 
 
tribos de gaia