
Quando pensamos em Bruxaria Italiana é muito frequente que se pense de cara em uma deusa: Diana. Mas existem outras deidades, outras deusas tão grandes em culto e em respeito em Roma quanto (e algumas até mais) que Diana.
Como um local de politeísmo, Roma abraçava muitas deidades, de Mitra a deusa Roma, muito do culto romano poderia ser visto com várias práticas, algumas mais estatais como o culto ao trio Júpiter, Juno e Minerva, e outros mais locais como o culto de Sullis, feito no que hoje é o sul da Inglaterra.
Uma das deusas que tinha um grande respeito dos cidadões era Bona Dea ou A Boa Deusa. Nessa imagem capturada na web a vemos como Bona Dea, a terra. É interessante que o culto de Bona Dea nos leva a pensar em várias deusas, em diferentes faces da Natureza.
A Boa Deusa é uma Grande Mãe. Seu culto se espalhou por toda Roma e seu culto era feito exclusivamente por mulheres e o seu nome não pode ser mencionado por homens. Com seu nome ligado ao que é bom, nobre e correto, Bona Dea é a deusa que protege as mulheres e traz a cura. Uma deusa virginal, mas que também olha pelas matronas. Também conhecida pelo nome de Fauna, fica assim, ligada também á fertilidade dos animais, o que nos faz pensar em Diana, como deusa selvagem. Nesse ponto, as deusas se perpassam entre si e, acredito, nasce ai a imagem da Grande Mãe.
E entre as diferentes Mães, Bona Dea é a que parece abraçar a todas e assim a deusa-cujo-nome-não-pode-ser-dito é a figura que traz em si muitas e múltiplas. É tão grande quanto a terra e a civilização que representa.
A imagem acima que mostra Bona Dea me faz pensar em outra Grande Mãe, Cybele. Trazida da Frigia, a grande mãe do carro dos leões. Rhea Cybele como ficou conhecida, a avó de Dionisio, a senhora que o ensina o selvagem e o prazer. Uma senhora de terras selvagens, uma senhora que efetivamente quando o masculino (Cronos, devorando seus filhos) é suplantado pelo filho Zeus, o que é cuidado e alimentado pelas ninfas com mel e leite de cabra. Embora Gaia seja a Mãe Primordial, seja o corpo de terra que está sob nossos pés, Rhea Cybele nos mostra e nos fala da alegria e do barulho, do bem-viver sobre essa terra.
Penso que o interessante dessas figuras todas é que elas vão se refinando, pois após Rhea Cybele, em Roma também sincretizada com Ops, nasce Ceres, a senhora do grão. E como em Roma se alimentaria seus 1 milhão de cidadões sem as bençãos da senhora do grão? E aqui reside a terra cultivada, a terra que civiliza, pois sem agricultura nenhum povo se constituiu plenamente.
E talvez em Ceres também more um aspecto de Bona Dea... Afinal, como não esperar da Boa Deusa o alimento tão necessário?
Essas deusas todas tão em comum a fertilidade, a terra e mesmo a civilização. Ceres com a agricultura ensina as pessoas a irem além da selvageria da Natureza e criam a civilização sobre uma cultura, um criar sobre os alimentos e assim, as cidades, o Império. Cybele traz a coroa de castelo, mostrando a civilidade e a criação de povos. É o movimento que existe dentro do crescimento dos povos e de suas culturas. Sem a terra, nenhum grupo teria crescido, porém sem a agricultura, nenhum grupo deixaria de ser e assim, nenhuma grande cultura teria se constituído. Desta forma nascem as tribos e os impérios. E por essas deusas mães entendemos mais profundamente o andar e os processos da Terra, da Natureza, da Criação. Honrar uma Deusa Mãe é honrar o que existe sob os nossos pés, o que nos alimenta e o que nos protege na noite escura.
Ave, Bona Dea!
Pietra
Pesquisa na web:
http://www.thaliatook.com/OGOD/bonadea.html
http://wikipedia.org
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