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Pietra Di Chiaro Luna



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*Uma história de strega

 

Strega é bruxa. Bruxa gosta de oráculos. Essa bruxa em especial, afinal de contas, Apollo ilumina a minha vida. Então, quem me conhece sabe que eu gosto de ler até urubu no céu.

Um dia toca meu telefone:

- Pi, você lê tarô, né?
- Leio. Por quê?
- Porque tem uma gringa num hotel que queria uma cartomante.
- Ela fala inglês?
- Fala. Parece que é comissária de bordo.
- Ah, bacana.
- Você atende a moça? Posso dar seu telefone pra ela?
- Pode. Eu converso com ela e acerto tudo. Obrigada.

Marquei com a moça. Fiquei pensando na coisa de "cartomante". Eu não sou cartomante... sou taróloga, mas achei que seria muito pra cabeça ficar explicando isso para quem é leigo. Mas fiquei satisfeita com a oportunidade de ler cartas para uma pessoa totalmente desconhecida... Uma pessoa "do estrangeiro", como diz vovó.

Cheguei no hotel no qual a moça estava. Tão chique que parece que todos estão reparando o que você faz com as mãos, se está se portando de um jeito adequado. Mas enfim, eu não ia ficar circulando pelo lobby mesmo. Pedi para a recepção dizer que eu tinha chegado.

Subi. Aliás, lindo o elavador. Todo cheio de espelhos. Minha Afrodite ficou exultante!

Quando eu cheguei no quarto da moça, ela me cumprimentou com um sorriso, um aperto de mão e uma cordialidade que as comissárias de bordo têm. Até me ofereceu um chá gelado. Não, não tinha barrinha.

Ao nos sentarmos ela me perguntou se precisaria de alguma coisa. Alguma foto, algum fio de cabelo. Pensei comigo: "não, querida, isso não é vudu", mas apenas disse que não e comecei a ler tarô pra ela. De cara ela me perguntou se a pessoa que ela queria iria ficar com ela. E de cara as cartas disseram um sonoro não.

Não convencida com o não, a moça passou uma hora e meia tentando com que o oráculo confirmasse as intenções dela. Acho que perguntou: "eu vou conseguir o que eu quero?" umas 15 vezes. Até que o oráculo disse que sim.

Juro, me deu uma coisa. Soltei as cartas, e comecei a falar. Disse um monte para ela. Não um monte de coisas mal educadas. Mas um monte de coisas que ela precisava ouvir. Sobre a saúde dela, sobre ela se assumir, enfim, sobre as muitas coisas que provavelmente ela nem ouviu.

Sai do hotel com um sentimento esquisito. Será que eu tinha feito um bom trabalho? Sim. Eu tinha feito o meu trabalho e bem. Eu trouxe à realidade o que estava no inconsciente dela. Eu traduzi os símbolos. Não consegui convencê-la, porém, que não se convence um oráculo. Too bad, too sad...

Fui para casa pensando, "foi uma experiência intensa, mas bacana". Estava pensativa, mas leve.

O que eu quero dizer com essa história é que ser bruxa não é ser milagreira. Podemos lidar com curas, com oráculos, com bênçãos. Mas não temos um diploma que nos faz "concertadoras de situações" nas quais as pessoas se metem. Ou "guias de um oráculo favorável". Quer dizer, podemos fazer alterações em nossas realidades pela magia? Sempre. E isso está no nosso pensamento, no coração e no que fazemos no dia-a-dia para interagir e entender essa realiadade. Não adianta parar na frente de uma catarata e dizer: "pelos poderes de mim eu ordeno que essa água pare".

Somos bruxas, não as divindades. Nós cultuamos e nos ligamos o divino, temos uma parte dele em nós. Aliás, eu percebo que somos quem trabalha para os Deuses, somos seus sacerdotes, somos suas expressões na Terra, mas não somos os Deuses... Nos dedicamos a Eles, louvamos seus nomes e agradecemos pelo que aprendemos e pelo que vivemos. Não anulamos leis da fisica. Ou da química. Ou da constituição federal. Não de uma hora para a outra. Não num estalo de dedos.

Se queremos as mudanças, trabalhamos por elas. As entendemos. Viver uma vida bruxa, é viver uma vida de compromisso. Com você mesmo, com os Deuses, com toda a Criação. Assim, com tempo e com dedicação as mudanças se estabelecem, nossos planos amadurecem, e os Deuses florescem em nossas vidas e esse quebra-cabeça que parece maluco vai ganhando mais peças, mais cores. E definitivamente não precisaremos assim convencer o oráculo de que estamos certos...

Boa sorte a nós todos em 2008! E que ele seja mágicko!
Pietra

Publicado em 02.03.2008

 

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