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Lord A:.



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"Um Olhar Vampyrico: O mito do vampiro eslavo"

Lord A:. [www.vampyrismo.org]

 

A Subcultura Vampyrica é rica em diversidade e seus integrantes procuram preservar essa diversidade e garantir que haja uma liberdade de expressão de suas crenças, opiniões, idéias, hipóteses, teorias e afins - desde que bem fundamentadas, coerentes e de forma respeitosa com os valores de terceiros e dentro de limites de realidade.

O arquétipo do vampiro é universalizado, não importa onde você o procurar do século XX em diante, ele estará lá; Mas o que temos como mito do vampiro e todos os elementos que o formam só vão se caracterizar e tomar forma efetivamente em meados do século 16 e 17 no Leste Europeu. Então adianto desde já que nem tudo que for noturno ou ligado a sangue e afins é necessariamente algo vampírico. E o termo é mal empregado e usado atualmente como sinônimos de coisas e pessoas que de vampírico não tem nada.


O pensamento mais comum presente em muitas obras e sites vinculados a Subcultura Vampyrica é a valorização da individualidade, experimentação dos sentidos e da estética, liberdade e diversidade criativa dentro do contexto Vampyrico e muitas vezes vemos citações que a "crença é apenas uma ferramenta". Se hoje em dia, aqui no ocidente onde supostamente vivemos em regime de estado laíco, viver uma estética Vampyrica já apresenta dificuldades consideráveis, imagine no passado eslavo então.

Para os apreciadores da Subcultura Vampyrica, o mito do vampiro é utilizado como uma forma de transcender valores sociais e de pensamento estagnados, através da interiorização e vivências e de forma estética encontrar a sí. Vale lembrar que passa longe deste autor querer transformar símbolismos e até mesmo o "inconsciente coletivo" em uma realidade virtual, ao se utilizar da expressão "crença é apenas uma ferramenta".

O Mito do vampiro entre os Eslavos, antes de sua hollywodização, era utilizado pelas pessoas como forma de entender e lidar com processos naturais como a morte, o sepultamento e o nascimento, fossem eles processos interiores ou mesmo físicos.

Pode parecer um pouco viagem pessoal dizer isso, porém em sociedades extremamente dominantes, ritualizadas, dogmáticas, proselitistas e repletas de tabús aqueles que por algum motivo súbito rompessem com os valores dessa sociedade e parâmetros de como deveriam viver sua vida nos moldes estabelecidos, eram excomungados, banidos e simbólicamente tornavam-se mortos-vivos, dentro do conceito de vida dessa sociedade...e posteriormente eram associados aos vampiros.

Isso poderia incluir banimento, desterro, excomungação, perda de direitos legais e muitas outras formas de humilhação humana. Não raro, esses "mortos-vivos" procuravam na noite tentar re-encontrar pessoas amadas ou pessoas odiadas para tentarem resolver suas pendências ou assuntos inacabados.

O Vampiro, o morto-vivo assumia o papel agora um semelhante ao forasteiro, o estrangeiro, o inimigo, o ladrão, o predador que vinha atrás das pessoas para roubar sua "vitalidade" ou mesmo seu "sangue". Se pensarmos que este sangue ou a referida vitalidade era existir e viver arraígado dentro dos costumes e valores rígidos da sociedade que havia condenado ou banido quem agora era o vampiro, faria todo o sentido essa analogia.

Imagine esse vampiro tendo que viver em grutas, locais abandonados ou até mesmo cemitérios e outros locais ermos. Vivendo de coletagem e tentando suportar a sua nova existência banido da graça do convívio social, do conforto ou mesmo daqueles que ele vivia acostumado. Sujo, Maltrapilho, esfomeado, assustado e tentando entender sua nova condição de vida.

Não raro, o folclore eslavo está repleto de lendas e causos de vampiros e espíritos da noite que após alguns anos de sua transformação recuperavam a vida cotidiana e uma nova identeidade como simples "mortal" em alguma cidade distante. Na verdade se o vampiro ou afim, não fosse morto entre 3 e 7 anos depois de sua "transformação", ele conseguiria essa proeza.

Da parte dos líderes dessas sociedades rígidas e estagnadas, era conveniente propagar o temor de que o contato com o impuro, o sujo e o estrangeiro - leia o vampiro - era contagioso. Não surpreende imaginar os surtos coletivos da população ao desconfiar da psença de um vampiro nos arredores de sua comunidade.

A moderna ciência forense conta que os fugitivos ou condenados pela justiça, em muitos casos quando escapam de uma prisão, são capturados algum tempo depois por não resistirem voltar ao seu antigo local de convívio social, para resolverem pendências.

Nessa abordagem estética e devéras romântica do mito do vampiro eslavo, pudemos observa o estágio de Morte, quando por algum motivo o futuro vampiro é morto de forma súbita e violenta, sendo banido do contexto cultural que havia crescido e se desenvolvido.

Assistimos ao seu sepultamento, onde após ser banido e execrado ele precisa deixar morrer sua vida pregressa e se afastar dela, rompendo todos os vínculos com ela. Um processo nem senpre completado, que muitas vezes poderia terminar com sua morte física.

E enfim, se ele conseguisse sobreviver a sua "morte" social e "interior", todo o processo de sepultamento dessa identidade, poderia nascer em uma nova vida social em uma outra cidade muito, muito distante de onde havia sido banido. Esta é uma abordagem estética e romântica sobre o folclore eslavo, poderia quem sabe oferecer alguma pista sobre o que poderia ter sido mistificado e folclorizado e que se tornaria o vampiro que viemos a conhecer.

<<início<<<Lord A:.

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