“Pessoas sofridas são perigosas por que
elas sabem que podem sobreviver..."
[Filme: “Perdas e Danos”]
Os últimos três meses me reservaram surpresas de intensa emoção, perplexidade e assombro. Num momento a jovem-donzela se casa e se percebe mãe. No outro, mergulha nas profundezas do submundo e ganha um beijo de Perséfone.
Foi assim que dancei a dança do fio do destino, e vi as 3 Moiras tecendo o elo entre a vida e a morte. Dentro da caverna do meu próprio útero, fio de prata e cordão umbilical se fundiram... E fui uma, fui duas, fui três criaturas e fui nenhuma... Fitei a escuridão do invisível, do indizível, do indivisível.
Hades me apresentou o inverno da alma e a dança circular do eterno retorno. Algo que o giro sufi me havia permitido sentir e alcançar a ascendência esbarra agora no vislumbre em descendência, alteridade, ancestralidade.
Não foi a Deusa nem o Deus que me pegaram no colo. Sim, foram elas: avós, bisavós, tataravós e outra cujos nomes fogem a idade da escrita. Recebi a visita daquelas que secaram minhas lágrimas com pétalas de rosas e disseram: dance, dance... Dance a vida! Dance a Morte! Dance a Sorte!
E foi nesse momento que percebi que havia uma terceira e uma quarta danças. A dança que conecta o princípio e o fim, do fio do destino á transcendência do Samsara: a dança da vontade, que chamei de crescimento, que entendi como maturidade. E a dança do renascimento que dá asas de fênix àquela que deseja voar novamente.
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