MEDITAÇÃO ATIVA - EXERCÍCIOS COM O VÉU NA DANÇA DO VENTRE
por Libéria Al Khadir
"Para viver uma vida criativa,
precisamos perder o medo
de estar errados."
Joseph C. Pearce
"Fui e ainda sou um buscador, porém,
deixei de interrogar estrelas e livros.
Comecei a ouvir os ensinamentos
que o meu sangue sussurra para mim."
HERMAN HESSE
Meditar é uma prática ligeiramente difundida na cultura ocidental. Ainda assim, o estresse, as tensões do dia-a-dia têm feito com que busquemos essa prática. Por outro lado muitas vezes nos impomos um ritmo de vida tão acelerado que não permite a sua realização, principalmente se isso implica em sentar-se e assumir um estado de maior passividade.
Acreditando no potencial altamente terapêutico e regenerador da Dança do Ventre, tenho tido bons resultados com minhas alunas, associando à técnica da dança, práticas de "meditação ativa". É impressionante a capacidade de mergulhar em nós mesmas que adquirimos ao longo da aula. Uma música adequada e um exercício para conscientização levam a experiências individuais e coletivas impressionantes.
Para citar um exemplo, fizemos uma série de 3 exercícios com o véu, em que havia primeiramente um processo de apresentação e identificação seguido da associação do véu com um ser animado, ou seja, amigo, com propriedades únicas (como leveza, textura, cheiro...) e porque não com vontade própria? Como tudo é feito de energia, permitimo-nos em seguida experimentar uma simbiose com o véu.... deixar ser levadas, ensinadas e vividas pela experiência... sermos "unas" com o véu....
Essa experiência trouxe como resultados coletivos:
- o aprendizado da leveza como o despertar da auto-descoberta, ou seja, todas temos a capacidade da leveza dentro de nós, bastando despertá-la e habilitá-la;
- a percepção de movimentos novos, originais e plenos de significado;
- a experiência do deixar-se levar pelo desconhecido, mergulhando em si mesmas e aumentando seu poder de concentração;
- a oportunidade da entrega de envolver-se numa atividade não-linear e sem regras, libertando seu potencial criativo;
- o prazer de tocar-se e ser tocada ativamente, atingindo um estado de êxtase voluntário;
- a fluência do tecido em contato com o ar levou-as a perceber de que maneira os movimentos do corpo e os deslocamentos do mesmo poderiam ser mais sutis, fluidos e conexos, fazendo com que seus movimentos deixassem de ser mecanizados e previsíveis;
- a compreensão do significado simbólico e sagrado do véu, através de sua experiência prática, particular e ao mesmo tempo coletiva.
Alguns dos resultados individuais foram emocionantes:
- uma aluna que acreditava não ter capacidade de ser mais leve e delicada, percebeu dentro de si essa habilidade e desenvolveu-a, equilibrando melhor seu tônus muscular;
- outra aluna que tinha dificuldades de concentração, envolveu-se por completo na experiência de maneira consciente;
- um caso semelhante ocorreu com uma aluna que tinha dificuldade de subtrair as tensões para tirar maior proveito das aulas e de outras atividades, atingiu esse objetivo através dos exercícios propostos, percebendo que pode voluntariamente "deixar ir as tensões";
- outra aluna que não via sentido particular no movimento com o véu e que freqüentemente "escondia-se atrás dele" percebeu o significado do símbolo e o eco interno, profundo que ele provoca, levando-o à entrega e apreciação do mesmo;
- outro caso interessante foi de uma aluna que o tempo todo visualizou-se fora dessa época, como se o véu a levasse no túnel do tempo para uma época distante.
De posse dessas e de outras experiências, concluo sem dúvida alguma que a Dança do Ventre pode ser uma forma de "meditação ativa" com ótimos e comprovados benefícios terapêuticos.
Artigo publicado em 03/09/2002 revisado e atualizado em 20/9/2005.
Referências Bibliográficas:
LABAN, Rudolf. Domínio do Movimento - Summus Editorial - 1978, pág. 246-255.
FUX, Maria. Dança, Experiência de Vida - Summus Editorial - 1983.
JOHNSON, Robert A. SHE - A Chave do Entendimento da Psicologia Feminina - Mercuryo, 1996.
LELOUP, Jean-Yves. O Corpo e seus Símbolos - Uma Antropologia Essencial - Editora Vozes, 2002.
MONTAGU, Ashley. Tocar: O Significado Humano da Pele - Summus Editorial - 1988.
PENNA, Lucy. Dance e Recrie o Mundo: A Força Criativa do Ventre - Summus Editorial - 1993.
Referências Bibliográficas:
LABAN, Rudolf. Domínio do Movimento - Summus Editorial - 1978, pág. 246-255.
LELOUP, Jean-Yves. O Corpo e seus Símbolos - Uma Antropologia Essencial - Editora Vozes, 2002.
Atenção!Este texto não pode ser utilizado sem a prévia autorização da autora. Favor contatar Libéria através do e-mail: liberia@liberia.com.br
|