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Leonardo Chioda




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*IMPERATRIZ - A Grande Mãe do Tarô

 

"Ela é a noiva virgem, a mãe de todas as criaturas vivas, a sabedoria que ultrapassa os círculos do mundo. Em todas as Suas faces, em todas as nossas faces, assim como Ela brilha no céu, Ela brilha dentro de nós."

Marion Zimmer Bradley


Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto do Teu ventre. Sentada em seu trono, a Imperatriz do tarô representa a deusa e a terra. Ela é a Mãe-Natureza, a soberana e rainha do mundo. É a primeira e a última, aquela que alimenta e que dá a vida. Tal simbolismo tem revolucionado as estruturas religiosas no mundo todo, como a revalorização e o resgate das culturas matriarcais. O reconhecimento dos valores femininos em todas as áreas da vida humana exige posturas e mudanças efetivas frente aos conceitos de poder, ligação e comunhão com o divino e suas variadas manifestações na arte e no cotidiano.

A deusa tem nutrido a imaginação das pessoas, fortalecendo o poder interior e ainda sustentando suas necessidades e interesses, tanto na forma de uma única imagem, como a Maria cristã ou A Grande Senhora dos pagãos quanto às várias máscaras culturais que Ela usa, servindo de metáforas aos desafios, às possibilidades e às dádivas da vida. Tal conscientização favorece o reconhecimento e a valorização do nosso corpo físico, da nossa mente, do nosso coração e do nosso espírito.

O tarô, enquanto oráculo, ferramenta de autoconhecimento e galeria da vida, nos serve de exemplo artístico e arquetípico para explanar os variados atributos da Deusa inseridos desde a Idade Média na iconografia, no imaginário e na realidade dos que sentem e vibram com Seu poder. A mulher coroada Imperatriz, o terceiro arcano maior, representa e é a própria Deusa.



Ela reina absoluta a partir do paradoxo doadora/ceifadora da vida, responsável pelo bem e pelo mal e sendo a virgem e a prostituta. Mesmo ambígua, a concepção da Mãe na carta é válida: ela surge, por exemplo, como Ceridwen, a deusa da colheita nas cerimônias de Alban Eilir e Alban Elfed, os respectivos equinócios de primavera e outono. A Natureza repleta de frutos vem do útero da própria Imperatriz. Ela mesma os próprios frutos, o grande florescer. Em alguns baralhos ela está grávida, o que significa, portanto, que ela é a Criadora e a Criação. Seu consorte está retratado no arcano 12, o Enforcado, o deus sacrificado que retornará à Mãe. A mulher dá vida ao homem e, por meio dela, é capaz de ascender ao mundo dos mortos e então renascer.

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Diante do fato de gerar a vida, Ela foi sendo associada simbolicamente à terra, às cavernas, às árvores, ao sangue e aos mares, solidificando seu papel de divina soberana nos lugares, nas artes e nas próprias cartas, que trazem inúmeras figuras femininas representando Suas variadas faces. Como sabemos, a Deusa Mãe era primordialmente cultuada pelos mistérios que envolviam a concepção, a gestação e o nascimento. Mais tarde, no entanto, apareceu dotada de inúmeras funções e abarcando necessidades vitais do homem como a alimentação, a fertilidade e o sexo.

Embora multifacetada, sempre foi única em essência e reinou sozinha durante vários milênios, mas aos poucos foi sendo associada, principalmente por seu papel de mãe, a um jovem deus que assume a função de filho e amante. Ele, de agora em diante, vai participar de Sua vida e estará presente ao seu lado. Esta união sagrada se consolida, no plano temporal, pelos reis, chefes e heróis das histórias, lendas e dos fatos reais, diários. O próprio Imperador, a carta seguinte a Ela, elucida essa teoria: o patriarcado e a ascensão e soberania do macho sobre o mundo material.

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Sendo a união sexual da Deusa e do Filho a união dos princípios feminino e masculino em sua plenitude, a intensidade magnética dessa soma resulta na reintegração das dessas qualidades complementares, que fluem entre si. Houve, a partir dessa crença, a concepção da androginia do ser humano, ligada à imortalidade, à perfeição e ao elemento final da alquimia da vida: o arcano 21, o Mundo, por vezes representando uma figura hermafrodita, dançando a própria Existência.

 

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A Imperatriz, ao contrário do arcano 2, a Sacerdotisa, não é a virgo intacta. O conceito pagão de virgindade da Deusa o traduz o caráter moral de independência - ela não está sob o poder e/ou autoridade de homem algum. É impalpável e inatingível. Mesmo virgem, nada A impede de procriar. A criança gerada assume, então, as características do Herói, do Redentor - o próprio Cristo, na ideologia cristã.

Ela liga o céu a Terra, o espírito à carne. Reivindica nosso respeito, mas também nos encoraja a descobrir e a celebrar as paixões e as belezas do mundo ao nosso redor assim como nossa própria vida enquanto parte Dela. Mostra, ainda, o caminho da abundância e do florescimento do potencial criativo inerentes aos Seus filhos.

É necessário que aceitemos a viver de acordo com nossa própria natureza, sagrada por excelência. Se estamos comendo, dormindo, amando, fazendo sexo e mesmo chorando, estamos manifestando a Deusa. Através do mundo material nos abrimos a Ela e compreendemos que é a criadora de tudo, assim como a Mãe de todos os arcanos.

Sentir o mundo que nos cerca, de forma natural e equilibrada entre percepção e atitude, é tanto uma conseqüência da utilização do tarô quanto do reconhecimento e da vivência do Sagrado Feminino a cada momento do dia - uma verdadeira dádiva da Deusa. Sempre conosco, independente do nome, do temperamento ou da aparência.


Bênçãos Dela.
Agora e sempre.


Leo


Imagens:
Rider Waite Tarot
http://taroteca.multiply.com/photos/album/84

Publicado em 02.03.2008

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