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Inês Raven



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Por que você cultua a Lua?

 

Eu cultuo a Lua, como a maioria das streghe (bruxas que seguem as tradições italianas). Eu ritualizo para Ela, Lhe ofereço Louro e Alecrim, danço, oro, recebo Suas mensagens através do oráculo. E A reverencio. Não por Ela ser a Lua, um satélite que tem alguma utilidade para nós, mas porque vejo Nela o símbolo da Criação, da Deusa Suprema que anima nossas vidas e controla nossos fluxos.

Como mulher, o fluxo da minha vida é regido pela Lua, assim como Ela rege as marés. Por que teria de ser diferente comigo, já que o mar, para mim, é tão mulher quanto eu? Por essas e outras, Ela é a principal divindade da minha prática.

Não só da minha, mas de muitas streghe. Em "Aradia - O Evangelho das Bruxas", o livro que fala dos ensinamentos da strega mitológica de mesmo nome, as bruxas são ensinadas a cultuar Diana, Deusa da Lua. Até hoje Ela é cultuada, assim como Hécate, Selene e Ísis, todas Deusas lunares que tinham templos na Roma Antiga. A Itália ainda guarda registro de muitas outras, como Jana e Fana, citadas no livro.

E mesmo quando Roma caiu, a Lua nunca o fez. Ela está sempre lá, sendo representada pelas Deusas hindus e budistas e pelo Crescente aos pés de Nossa Senhora da Candelária. E mesmo quando chegamos ate´Ela, seu encanto nunca diminuiu. Ele continua tão grande que tem gente que acha que nunca um astronauta foi lá.

Em algumas culturas, como no Japão, a Lua era um símbolo masculino. Mas no Ocidente, em especial entre os gregos e romanos antigos, que fundaram as bases de nossa sociedade, foi identificada com deidades femininas. Para eles, Ela possuía - como eu já disse - diversas formas. Sempre esteve ligada ao fluxo da menstruação, ao humor do mar, à gravidez, às colheitas, à contagem do tempo, à magia e aos mistérios do Submundo.

Uma das faces lunares era a de Diana, a Senhora dos Animais Selvagens e da caça, casta e pura como a Lua Crescente. Mas havia uma sutil variação de sua figura na Turquia, em Éfeso, onde Ela foi cultuada como uma Deusa da Fertilidade, com muitos seios - a personificação da Lua Cheia, da fertilidade e da prosperidade.

Existia também a Senhora Hécate, das Sombras, da Magia, dos Caminhos que levam ao Outro Mundo. Ela é negra não porque é má (nada no Universo é totalmente mal nem bom), mas porque se esconde nas trevas de nosso inconsciente, com Cérbero, o cão de três cabeças. Ela traz o poder que vem do fundo da Terra, durante a fina Lua Minguante e a escura Lua Nova.

Outra de suas formas era a de Selene, o astro Lunar. Ela representa a Lua Crescente, mas não é a figura virginal que costumamos imaginar. Teve filhos e homens, mas apenas uma única paixão. E é por isso que percorre os céus toda à noite: para visitar seu amado, que dorme profundamente para conservar a juventude, uma bênção que Ela pediu e Júpiter concedeu.

Além Delas, os romanos também tinham templos à Ísis, em um culto que saiu do Egito e se espalhou até a Grã-Bretanha.Ela era cultuada como uma Deusa de fertilidade e geração. Para os egípcios, Ísis era uma das principais divindades e talves por isso os romanos tenham se interessado pelo seu culto.

A Lua ainda assume essas formas. E em meu culto existe lugar para duas delas: Diana de Éfeso e Hecáte. Elas estão ali no momento da evocação, porque a Lua nunca está longe. Pode estar nas sombras, como Hécate. Pode estar em busca de algo perdido, como Selene. Pode estar caçando, como Diana. Pode vir de uma terra distante, como Ísis. Mas sempre se faz presente quando chamamos seu nome e pedimos sua proteção.

E, agora, eu te pergunto: por que você cultua a Lua?

Bibliografia consultada:

FAUR, Mirella. "O Anuário da Grande Mãe". Editora Gaia Alemdalenda, São Paulo, Brasil.
LELAND, Charles. "Aradia - O Evangelho das Bruxas". Editora Madras, 2005, São Paulo, Brasil.
_______________. "Il Canti di Aradia - Il Vangello Delle Streghe Italiane". Aradia Edizione, 2005, Itália.
SHARMAN-BURKE, Juliet & GREENE, Liz. "O Tarô Mitológico". Edições Siciliano, 1998, São Paulo, Brasil.
Vários Autores. "Mitologia". Editora Abril Cultural, 1975, São Paulo Brasil.

Publicado em 18.08.07

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