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Gwydyon Drake
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*O jogo dos sete erros


Vocês conhecem esta brincadeira que sai como passatempo em jornais e revistas, normalmente se apresentam duas imagens aparentemente iguais, mas que em alguns detalhes surgem pequenas diferenças. O trabalho de quem brinca é localizar estas distorções e a graça da brincadeira é que muitas vezes as distorções ou "erros" são quase imperceptíveis, o que dificulta o jogo.
No paganismo também é assim existem erros e distorções que poucos percebem, e por isto os ignoram. Seria tudo normal e divertido se fosse um jogo, mas infelizmente não é uma brincadeira, é vida real e é sério. Vamos dar uma olhada melhor e descobrir os erros que estamos cometendo quando optamos pelo neopaganismo ?

1º - Considerar a religião dominante como inimiga e falsa.

Afinal a grande maioria das correntes neopagãs é politeísta e assim sendo acredita em muitos deuses, portanto, não podemos considerar o deus dos monoteístas como falso, pois assim investimos conta a própria visão politeísta, que prevê uma infinidade de deuses. Nós simplesmente não cultuamos o deus dos cristãos, judeus e muçulmanos, porém não vamos desprezar o deus de milhões de pessoas.
Um outro ponto nesta mesma questão é que em sua grande maioria os neopagãos vêm de famílias cristãs e desprezar os seus ancestrais por sua religião é um erro enorme, já que muito do paganismo é relacionado com a ancestralidade e indo contra nossos pais e avós estamos indo contra a crença pagã.

2º- Acreditar que o cristianismo destruiu o paganismo e que por isto devemos lutar contra os cristãos.

O paganismo Ocidental destruiu a si mesmo, quando seus lideres, como os imperadores romanos, resolveram ser considerados deuses e com isto oprimiram ainda mais a plebe e os escravos, criando um clima de revolta que abriu as portas para uma nova religião voltada aos mais pobres.
Ficar relembrando as "bruxas queimadas nas fogueiras" como motivo para a vingança também está errado, já que o paganismo romano possivelmente queimou mais cristãos que a inquisição. Nero, segundo contam, iluminou a cidade com cristãos queimando. Estes jogos de culpa e ódio não servem a ninguém, pois são instrumentos de religiões dominadoras que buscam reprimir, com seus dogmas e regras, a liberdade individual.
A visão do paganismo ancestral é a da liberdade do indivíduo em escolher seus deuses e manter contato e culto com suas divindades sem a interferência de sacerdotes ou de leis que restrinjam sua liberdade. Assim, devemos cuidar de nossos deuses e deixar que os outros tenham a liberdade de fazer o mesmo com os deles.

3º- Crer que sua maneira de cultuar seja a certa e verdadeira.

O paganismo é uma visão da religiosidade que brota no coração de cada um, por isto não existe uma visão única sobre ele, portanto esqueçam esta história de verdadeiro paganismo. O verdadeiro paganismo nasce do sentimento de cada um e assim existem tantas visões do paganismo quanto o numero de pagãos.
E é ausência de leis e dogmas que torna o paganismo tão atrativo! Chegamos a um ponto de conhecimento em que acreditar (ter fé) sem compreender suas causas não responde mais a nossa alma, portanto não "temos que acreditar" cegamente no que está escrito em um livro de tradições ou nas palavras de um sacerdote, se estas não fizerem eco ao nosso sentimento. Portanto, a maneira que cultuamos pode ser verdadeira para nós, e não o ser para o restante da população mundial. Assim, a melhor maneira de buscar a verdade da nossa fé é a troca de informação com outros pagãos.

4º- Achar que o Hábito Faz o Monge.

Algumas pessoas acreditam que se vestir de Pagão (?) o torna pagão e sai na rua vestido no figurino que a inquisição criou para os acusados de bruxaria e olha com agressividade para todos que o acham engraçado e se sente discriminado. Um erro básico para os iniciantes no paganismo. O neopagão é um ser humano igual a qualquer outro ser humano, portanto não precisa se vestir diferente ou se fantasiar de pagão já que o paganismo está na mente e no coração.
Roupas pagãs? Oras, devemos nos sentir confortáveis, portanto nada de capas negras no verão (isto esquenta) nem tecidos sintéticos que nos fazem suar e que não respiram, assim, é melhor usar fibras naturais e cores de acordo com a estação, o mais claro possível no verão, e os tons mais escuros somente nos dias frios. Isto não vai fazer de você um pagão melhor, mas seu cheiro vai melhorar consideravelmente.

5º- Acreditar em uma Igreja Universal Pagã

A busca por uma igreja pagã é falsa e uma Igreja Universal Pagã é uma mentira usada porque o cristianismo está tão arraigado nestas pessoas que eles não conseguem ver outra forma de religiosidade senão a cristã e por isto criam arremedos da igreja "católica" (do Grego katholikós, que significa universal). Para um pagão, a vocação missionária e a catequese são consideradas aberrações que devem ser evitadas. Não devemos pregar ou catequizar pessoas. Já que gostamos da nossa liberdade de escolha, devemos permitir que as outras pessoas também a tenham. Isto não impede que passemos informações e conhecimento para aqueles que nos procuram, já que como nós estes que nos perguntam podem estar passando pelo mesmo processo que passamos, ou seja, já não encontram na religião monoteísta o apoio espiritual que precisam para Viver.
Nunca existiu nem nunca vai existir um culto Universal Pagão, pois o paganismo e as visões dos deuses pagãos estão estreitamente ligadas a geografia e o clima da região onde se cultua.

6º- Acreditar que uma iniciação o torna sacerdote.

No paganismo, como em qualquer religião iniciática, a iniciação é apenas o primeiro passo, ela apenas torna o iniciado apto para participar dos cultos fechados ou secretos. É o inicio de um longo caminho de aprendizado.
O que vemos no paganismo hoje, é que a partir da leitura de dois ou três livros muitos se acham aptos para criar uma tradição e iniciar outras pessoas. Poucos percebem que apenas anos de prática e estudos são necessários para a compreensão dos rituais e o entendimento das divindades.

7º- Escolher o seu deus pessoal por sorteio ou afinidade.

Temos visto uma infinidade de pessoas se dizendo filhos deste ou daquele deus pela simples simpatia pelos arquétipos básicos de cada deus, e se esquecem que é a divindade que nos escolhe, e que nos acompanha desde o nascimento. Assim, quando escolhemos um deus aleatoriamente, corremos o risco de não escolher o deus que nos acompanha, e portanto deixarmos de cultuar aquele que nos move.
O nosso deus interior é o responsável por nosso comportamento e atitudes em relação ao mundo, são nestas atitude que devemos buscar o nosso deus, percebendo o nosso comportamento e os comparando com os mitos, e não ao contrário como a maioria das pessoas fazem, gostam das características de determinada divindade e tentam imitá-la através do seu comportamento e atitudes. É no conjunto das coisas que gostamos e não gostamos em nós que vamos encontrar os aspectos da nossa divindade. Conhecendo a nós mesmos é que vamos descobrir qual é o deus que caminha ao nosso lado.

Publicado em 10.02.2008

 

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