
No geral o mundo parece que ficou um tanto mais burro, não apenas no sentido da ignorância em si, mas no elogio da ignorância, como se os deuses que trabalharam milhões de anos para que tivéssemos uma mente complexa e criativa, de um momento para outro desistiram de nós e num instante aboliram a criatividade humana.
Nossos lideres, antes os melhores entre os humanos, hoje se mostram inferiores tento nos conceitos morais como nos intelectuais, e vão a publico mostrar sua ignorância e torpeza moral. A força do dinheiro compra os corações e mentes, e as lideranças da Terra buscam mais o poder e o enriquecimento pessoal do que o bem social e o desenvolvimento humano. Nossos lideres não se importam com aqueles que os elegeram, como o poder que deveria emanar da população servisse apenas para que eles se locupletem financeiramente. E a pobre democracia agoniza em meio à plutocracia e a pornocracia, pois nossos representantes vendem seus ideais, mente e corpo a serviço do dinheiro.
Enquanto os mais otimistas como eu buscam ver na decadência moral e social os sinais claros de um novo renascimento como já ocorreu varias vezes na curta história da humanidade, quando há 600 anos o poder da Igreja e dos Reis corrompia mais do que governava, os antigos valores do paganismo retornaram trazendo com eles a arte, a criatividade e conceitos morais que colocaram novamente a civilização no rumo do equilíbrio.
Portanto quando vejo pipocar aqui e ali movimentos e religiões neopagãs, sinto que os deuses não nos abandonaram, mas sim foram abandonados por nós, mas mesmo assim continuam conspirando e nos inspirando para que busquemos no bem maior que eles nos proveram - a nossa mente - a inteligência e a criatividade perdidas nas imposições mercadológicas onde o status de uma determinada marca vale mais que uma idéia brilhante ou um poema maravilhoso.
Mas ainda não podemos mudar o mundo, principalmente porque antes de mudar o mundo precisamos mudar a nós mesmos. Sim, mudar, nos reconstruirmos a partir de outros alicerces mais antigos, profundos e encravados firmemente na Terra, de onde vem a verdadeira força que move a nós humanos. Esta real mudança nos transporta para mais perto da origem da vida como a conhecemos, a vida que nasceu dos pântanos salobros e ctônicos, a placenta da nossa Mãe Gaia.
Esta mudança nos afasta dos deuses celestes e distantes e nos aproxima dos deuses que vivem e dançam ao nosso redor em tudo que a natureza nos deu. Deuses nascidos do seio da Grande Mãe, filha de Eurínome, a eterna caminhante, que cria e destrói universos enquanto vaga sem rumo no caos.
O inicio da mudança é reconhecermos em nós a divindade e todas as polaridades e oposições, afinal somos filhos da terra e netos das estrelas, somos sementes do Big Bang e temos em nós a ciência da criação. O bem e o mal, a luz e as trevas, o masculino e o feminino são partes de cada um de nós e se nos olharmos no microscópio veremos uma réplica do universo com eletros orbitando núcleos e constelações de átomos formando cada parte do nosso corpo. A primeira mudança é reconhecermos a divindade em nós, a segunda é percebermos a divindade em torno de nós, por fim reconhecendo a divindade em todo universo. Percebemos que tudo que nos cerca é sagrado e aprendemos a respeitar os deuses que regulam, controlam e mantém o universo em harmonia e assim trazemos esta harmonia para dentro de nós.
Revendo o que escrevi acima, posso considerar que este ano que passou, apesar de travado e aparentemente improdutivo foi realmente o Ano de Saturno, onde poucas novidades apareceram, mas que causou enormes mudanças dentro de nós.
Um ano voltado para o interior, para uma pausa e revisão para seguirmos nossas vidas.
Outra característica deste ano que passou foi que muito do que estava escondido apareceu e muitas máscaras caíram. Aqui mesmo no nosso microcosmo Pagão pudemos perceber que muitas lideranças fantasiosas desapareceram, muitos enganadores sumiram.
Foi um ano que por mais que eu quisesse trocar a figura e o texto inicial deste site, não consegui, a ceifeira foi o tema do ano, um período que após segar o trigo, a deusa o peneirou, separando-o do joio. Creio que por isto o silêncio do meio pagão em 2006, todos ficaram em compasso de espera aguardando para ver o que ia acontecer.
Como já disse acima sou um otimista, mas também sou cético, portanto meu otimismo não é cego, vejo boas razões para comemorarmos o ano que finda, afinal este limpou as energias pesadas que circulavam no mundo mostrando principalmente a verdade sobre nossos governantes e principalmente sobre nós mesmos. O que nos dá a oportunidade de receber um 2007 novinho e limpinho para que sob o domínio de Júpiter (Zeus), o grande fertilizador, o mundo renasça e cada um de nós nasça novamente em si mesmo e use a inteligência e a criatividade para, renascidos e plenos da força criativa e fértil de Zeus, efetuemos as mudanças interiores e recomecemos a mudar o mundo.
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