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Gwydyon Drake
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A Eterna Caminhante

 



No principio havia o Caos, Nix - a noite de Asas negras, o negro Érebo e o imenso Tártaro. Não existiam a Terra, o Céu nem o Ar.

Eurínome, a eterna caminhante, percorria lentamente esta escura imensidão à procura de um local de repouso para seus alados pés. Vagar sem Limites era o seu nome e era isto que ela fazia.

Cansada, Eurínome engendrou em sua mente uma melodia, que cantava para si mesma, pois não havia ar para que o som se propagasse, e esta se espalhou por seu corpo dando ritmo ao seu eterno vagar. Lentamente a musica tomou todos os seus membros e seus braços se movimentavam em uma nova cadência. Curiosa com estes efeitos que a musica causava, deixou-se levar e sentiu a pulsação da canção em seu peito e no imenso nada começou a dançar com potentes movimentos que a levavam a girar em torno de si mesma, cada vez mais forte, cada vez mais rápido e sentiu-se bem.

Pela primeira vez o Universo sentiu algo novo, algo que fazia tremer o Caos e que levou Nix a mover suas asas e a criar o vento. Ainda dançando, Eurínome sentiu a corrente de ar que estava em sua volta, percebeu que sua música se propagava e tomava o Caos e ecoava nos vazios abismos do Tártaro voltando para ela.

Ouvindo sua própria cantiga, e notando que a corrente de ar de seus movimentos juntava a matéria informe que antes a cercava, percebeu que poderia criar um solo onde poderia pousar os seus pés. A dançatriz então acelerou seus movimentos e com isto criou uma massa sólida abaixo de si e parou para observar seu feito.

O que antes era estanque e estagnado agora se movimenta, o que era morto, vivia. Do silêncio nasceu a música, e desta a dança que gerou os ventos. Juntando o vento em suas mãos criou seu par, o gigantesco dragão Ofión, que logo se encantou com a sua beleza e, enlevado por esta e pelo som que dela provinha, bailou ao seu redor.

A dança de Eurínome e Ofión ordenou o Caos e a matéria amorfa criou forma e separou-se em terra, água e ar e o círculo que seu enorme corpo fazia em torno da Deusa, atingiu uma velocidade vertiginosa e incendiou-se criando o 4º elemento, o fogo.

A atração que a Eterna Caminhante exercia sobre o dragão logo se transformou em paixão, que foi traduzida por seus movimentos. A furiosa cadência da musica primordial converteu-se numa melodia suave e a dança que antes movimentava o universo muda para movimentos cinéticos, lúbricos, lascivos e sensuais. Ofión se contorcia de desejo e a Deusa, observando seu filho e parceiro, corresponde aos movimentos até que, tomados por incontrolável paixão, ambos se entregam e desvairadamente se amam com bocas, corpos, membros, sexos e almas, se transformando em um só e se amando em uma espiral que atraía toda a matéria e a expulsava criando as estrelas, os planetas e tudo que conhecemos no universo.

Após este romance, Eurínome se transformou numa pomba e sobre o primeiro pedaço de terra firme que criara botou um ovo e deste nasceu Fanes, o Protogeno, também chamado de Eros.
O casal divino escolheu o monte Parnaso como moradia e no seu cimo construíram o seu trono enquanto pensavam em como remodelar o planeta, até que Ofión jactou-se de ser o criador do universo e quis um trono maior e mais alto que Eurínome. Esta, sem mesmo se dar ao trabalho de discutir, pisou com seu calcanhar em sua boca quebrando-lhe os dentes e com suas mãos atirou-o para as profundezas do Tártaro e mudou seu nome para Morte, e ele sendo o primeiro nascido, foi também o primeiro a sucumbir. Triste com o que lhe fizera seu filho e acreditando que havia sido parte dela que fizera com que isto ocorresse e que toda a vida que pensava em criar cairia na maldição da morte, separou-se de sua sombra e a chamou de Hécate e deu-lhe o domínio dos mundos subterrâneos onde esta deveria aprisionar a Morte, e partiu deixando seu trono para seu filho Fanes, e seguiu sua sina de vagar sem limites.



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