tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
Gwydyon Drake
jh
menu menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
 

Entrevista para "O Regional" de Catanduva

 


Bruxos do século 21 fogem de antigos estereótipos


Profissionais das mais variadas áreas integram movimento neopaganismo


No creo en brujas, pero que las hay, las hay”. E como. Você muito provavelmente já viu muitas bruxas e bruxos por aí, sem sequer se dar conta disso, porque eles não andam com aquele chapéu de cone e vassoura de palha e pouco têm a ver com a feiticeira retratada por Nicole Kidman no cinema. Menos celebridades e menos personagens de histórias infantis, esses bruxos podem ser antropólogos, dançarinos, jornalistas, escritores ou donas-de-casa. “Não há nada de anormal em ser bruxo. As bruxas existem, são bem reais.
Trabalham, namoram, choram”, desmistifica “Madame Escarlate”, pseudônimo de uma das bruxas de Catanduva.

Os bruxos, hoje, não são perseguidos como no tempo da Inquisição, nem precisam viver às escondidas. E Madame Escarlate garante que Catanduva, a “Cidade Feitiço”, tem muitos bruxos, embora a maioria, segundo ela, não se assuma como tal.

Ser bruxa virou sinônimo de pessoa feia e
velha, porque as matriarcas curandeiras dos povos primitivos, que passaram a ser chamadas de bruxas, eram pessoas velhas que tinham estudado o poder das ervas a vida toda. A maioria das bruxas pós-modernas não liga de ser chamada assim.
Mas como vivemos na época do politicamente correto, elas preferem ser chamadas de neopagãs.

Mas por que tanta gente envolvida nesse tal movimento neopagão? Cezar Augusto Drake, publicitário e estudioso de antigas religiões, mitologia e História da Idade Média, acredita que a bruxaria esteja para o Brasil assim como a varinha de condão para as fadas. “Existe um caldeirão de raças e culturas onde tudo se funde. O próprio cristianismo, aqui, é um pouco bruxo. Muitos católicos procuram oráculos, astrologia, invocação de espíritos e outras práticas esotéricas, mesmo sendo proibidos pela igreja romana”, afirma Drake, que está no site www.tribosdegaia.com.br

GIRL POWER
Drake explica que as bruxarias remetem à cultura greco-romana, que enxergava a Terra como Gaia, a Grande Mãe, uma deusa de onde provinha toda a vida. “Gregos e romanos cantavam e dançavam nas noites de lua cheia e nos equinócios e solstícios.
Os neopagãos de hoje são uma mistura de ecologia e religiosidade”.

De acordo com o estudioso, o paganismo, como forma de religiosidade, existiu até por volta do ano 1200. A partir daí, a Igreja passou a proibir as tais práticas ancestrais. “A primeira manifestação neopagã foi o Renascimento, quando o corpo humano foi valorizado pelas artes e o estudo das antigas religiões veio naturalmente com a descoberta da imprensa e a possibilidade da leitura dos clássicos
gregos e romanos”.

Segundo Drake, o neopaganismo atual vem de dois movimentos culturais: o movimento hippie, que buscava a simplicidade e um retorno do culto à terra, e o feminismo, que passou a ver a divindade criadora como o feminino - a Mãe, e não o Pai, como geratriz da vida.

Isaac Vieira, ex-hippie, afirma ter participado de verdadeiras “viagens”, em rodas com mais de dez hippies, que enquanto fumavam liam trechos do livro “A erva do diabo”, de Carlos Castañeda. O livro é considerado a Bíblia dos hippies e chegou a ser proibido nos anos 1970. “Ele narra o encontro de bruxos em pleno deserto. Eles comem mescalina, substância extraída dos cactos capaz de induzir a viagens da mente, e começam a fazer bruxarias. Um velho hippie, que vive no deserto, consegue transladar-se de seu poder satânico e os principiantes que se entregam à bruxaria devem ir ao deserto para se encontrarem com esse mestre da bruxaria. Só que ele não aparece facilmente e, quando aparece, travam uma grande batalha de poderes”.

Hoje, o ex-hippie pensa que os que se aprofundam na bruxaria querem trazer a obscuridade camuflada de bondade. “Até hoje sou perseguido por lembranças”, diz.

Na opinião de Madame Escarlate, as bruxas más também existem, e isso seria compreensível em uma sociedade onde a maldade convive com a bondade. “Não existem pessoas más no mundo? Então, também podem existir bruxas más”, afirma.

Para o publicitário Cezar Drake, o grande benefício de conhecer o neopaganismo é o relativismo. “Não existem apenas luz e trevas e entre o negro e o branco existem infinitas variedades de cinza, portanto, o bem e o mal são relativos, existem em todos nós e na natureza. A água que nos mantém vivos também nos mata através de furacões, tempestades e tsunamis; o fogo que nos aquece e facilita nossa alimentação, destrói florestas e cidades.
Tudo na natureza tem os dois lados e os neopagãos buscam o equilíbrio. Os tão falados feitiços, rituais e bruxarias são formas de retomar a estabilidade”.

POÇÕES
Sem essa de rabo de lagartixa, unha de morcego e olhos de cobra. As poções de bruxaria são tão reais quanto os próprios bruxos, mas usam ingredientes bem mais digeríveis. Segundo Cezar Drake, elas se assemelham aos chazinhos da vovó e aos procedimentos fitoterápicos. “Se eu amassar num pilão cardamomo e zimbro, misturar com noz moscada e acrescentar vinho do porto, tenho um poderoso filtro de amor; posso trocar por mirtillo e canela para obter o mesmo efeito afrodisíaco”, ensina Drake, lembrando que a magia é um ato do desejo. “Quanto mais forte for a vontade, melhores serão os resultados”.

Os feiticeiros do século 21 retomam antigas fórmulas de botânicos do começo da era cristã. Um deles foi Plínio, o Velho (Gaius Plinius Secundus), que nasceu no ano 23 e morreu em 79 depois de Cristo.

A caça às bruxas
Os bruxos acreditam que quando as sociedades patriarcais assumiram o poder, muitas mulheres continuaram usando a natureza para curar. Essas mulheres tinham muita influência junto ao povo, ameaçando o poder da época, especialmente quando a Igreja assumiu poderes de Estado, no período feudal.

Em 1233, o Papa Gregório instituiu a Inquisição, uma caça às bruxas. Milhares de mulheres foram torturadas e mortas em fogueiras.

As respostas completas da Entrevista

1- Quem são as pessoas que estudam e buscam a prática da bruxaria hoje?
No Brasil, este caldeirão de raças e culturas onde tudo se funde (inclusive o próprio cristianismo) é um pouco bruxo (não gosto da palavra, adiante explico porquê), pois se olharmos os ditames cristãos veremos que oráculos, astrologia, invocação de espíritos, e outras praticas esotéricas, são proibidas pela igreja de Roma, mas de forma alguma, estas restrições são obedecidas pelos católicos. É normal na hora do aperto, que o cristão vá num terreiro de umbanda conversar com espíritos, jogue um tarô para saber do futuro, e mesmo, arrisque um feitiço, conjuro ou simpatia quando perde um amor ou precisa conquistar algo.
A feitiçaria (afinal bruxas e sua parafernália são invenção da inquisição) está entranhada no brasileiro em geral, porém, existe um outro grupo de pessoas que recusa a culpa cristã e o pecado e se volta a uma religiosidade natural ligada aos ciclos e mistérios da natureza. Estas práticas anteriores ao cristianismo, e mesmo às religiões gregas e romanas, afirmam que a Terra (Gaia é a Grande Mãe) é a Deusa de onde provém toda a Vida, e essas pessoas cantam e dançam nas noites de Lua cheia e nos equinócios e solstícios. Estes, numa mistura atual de ecologia e religiosidade, são os que podemos considerar os neopagãos.


2- Qual a origem do neopaganismo?
Acredito que o paganismo, como forma de religiosidade, existiu até por volta do ano 1200 da nossa era, quando deixou de ser aceito pela igreja dominadora, que "demonisou" as práticas ancestrais e cunhou a palavra Bruxaria para práticas de invocação do opositor cristão. No auge deste realinhamento religioso, no final da Idade Média e princípio da Moderna, com o Renascimento e o estudo das humanidades, percebeu-se que o deus único e distante (afinal, onde estaria o paraíso? Acredito que o Hubble já o teria localizado) não atendia mais as aspirações científicas e as novas descobertas. Portanto, a primeira manifestação neopagã foi, sem dúvida, o Renascimento, quando o corpo humano voltou a ser valorizado pelas artes e o estudo das antigas religiões veio naturalmente com a descoberta da imprensa e a possibilidade da leitura dos clássicos gregos e romanos.

Hoje o neopaganismo vem de dois movimentos culturais: o movimento hippie, que buscava a simplicidade e um retorno do culto à terra; e o feminismo, que passou a ver a divindade criadora como o feminino, a mãe (e não o pai) como a geratriz da vida.

Atualmente a maioria dos neopagãos acredita numa dupla de divindades, um casal divino, A Deusa e O Deus, que geraram o universo através da evolução e não da criação, uma reedição dos antigos cultos do Paleolítico e das sociedades de parcerias que existiram por mais de 30.000 anos nas sociedades caçadoras/coletoras. Esta busca se resume na busca do equilíbrio, vendo novamente uma parceria entre o masculino e o feminino e a igualdade entre os sexos.


3- De que forma esses conhecimentos podem ajudar na vida das pessoas?
O conhecimento de que não há apenas luz e trevas e que entre o negro e o branco existem infinitas variedades de cinza, e que o bem e o mal são relativos e existem em todos nós e na natureza. Afinal a água que nos mantém vivos, também nos mata através de furações e tempestades e tsunamis; o fogo que nos aquece e facilita nossa alimentação, destrói florestas e cidades. Tudo na natureza tem dois lados.
Esta visão nos permite entender melhor o mundo em que vivemos, pois é incompreensível que um Deus bom possa causar tanto mal aos seres humanos, principalmente para as populações mais pobres. A busca do equilíbrio é provavelmente o que mais move os neopagãos, e os tão falados feitiços, rituais e bruxarias são formas de retomar a estabilidade, invocando as forças da natureza para restaurar a naturalidade e corrigir as distorções que ocorrem e afetam nossas vidas tanto no pessoal quanto na natureza.


4- Há pessoas que estudam bruxaria e falam sobre poções. Elas existem?
É claro que existem! Você já deve ter toma chazinhos feitos pela sua avó, e a cada dia os tratamentos fitoterápicos são mais usados pela medicina. Se eu amassar num pilão cardamomo e zimbro, misturar com nós moscada e acrescentar vinho do porto, tenho um poderoso filtro de amor. Posso trocar por mirtillo e canela para obter o mesmo efeito afrodisíaco. Plínio o Velho (Gaius Plinius Secundus - nasceu em Como no ano 23 e morreu 79 da nossa Era), um antigo botânico, já descrevia estas propriedades, mas numa sociedade onde os conhecimentos dos antigos é desprezado esta sabedoria se perdeu, e neste caso a feitiçaria está ajudando a preservar estas fórmulas e propriedades.
Mas a magia em si é um ato da vontade, do desejo, e quanto mais forte é o seu querer, melhores serão os resultados.


5- Que curiosidades você considera as mais interessantes, descobertas recentemente, sobre a prática da bruxaria?
A cada ano, pesquisadores como André Leroy-Courhan, para citar apenas um, chegam a conclusões mais interessantes que comprovam a existência destes antigos cultos e de seus resultados, e percebemos o quanto as sociedades ditas pré-históricas eram mais humanas e igualitárias. São estes estudos que nos leva acreditar que o ser humano ainda pode ter uma chance de sobrevivência, se retomarmos as sociedades de parceria, abandonando a situação de dominação na qual vivemos há mais de 10.000 anos, em que uma parcela pequena da sociedade domina o restante desta.
Como curiosidade, podemos perceber que a cada dia as pesquisas arqueológicas comprovam que as mitologias (ditas mitos e supertições) são comprovadas como história, e que a cosmogenese cristã (dita como verdade) se transforma em fantasia.
Quem sabe isto desperte a humanidade para uma visão que tudo que nos cerca é sagrado, desde o planeta em que vivemos, até toda a vida que existe nele, e não apenas a divindade em si!

Gwydyon Drake

16/08/2005

<<início<<<Gwydyon Drake

|
 
 
 
tribos de gaia