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Gianpaolo Celli



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Você é Responsável pelo que Acredita

 

Uma coisa interessante referente a crenças e dogmas é como as pessoas tendem a esquecer como tais coisas podem gerar responsabilidade. Este tópico, nascido de uma conversa com uma amiga que atualmente me é muito especial, é na verdade quase que uma mescla de duas de minhas colunas anteriores: a Responsabilidade, e a Fé, Destino e Livre-Arbítrio.


Mesclando ambas, pois na verdade todo o conhecimento é um só e deve se interpenetrar para ser real em sua e nossa totalidade, eu terminei com a seguinte conclusão: 'somos responsáveis por nossas crenças, nossos pensamentos e nossas ações'.
- Como assim? - você pode questionar. Ou pensar, com medo de se rebaixar se externar a pergunta.


Bom, ao longo de meus anos de estudo e de vida eu aprendi que melhor é aquele que questiona sem temer parecer ignorante do o que se mantém ignorante com medo de assim parecer aos outros. Questionar, afinal de contas, é ampliar horizontes. De qualquer maneira, a pergunta é muito coerente nestes tempos de 'fiéis não praticantes', em que crenças na verdade são pálidas lembranças, momentos de nosso atribulado cotidiano. Isso pois eu pessoalmente considero crenças primordiais, mesmo que sempre abertas à discussão (precisamos ter consciência de que verdades não são absolutas, afinal de contas) são a base de todo nosso comportamento.


A pergunta acima: - Como assim? - pode naturalmente ser repetida aqui.
O que acontece é que é através de nossa 'visão da realidade', de nossas 'crenças pessoais', que baseamos todas as nossas ações, desde as mais simples até as complexas. Um cético ou um pagão, por exemplo, não teriam razão de fazer o sinal da cruz na frente de uma Igreja ou um cemitério como um cristão normalmente o faz. Acontece que para ambos, pois razões diferentes, aquele lugar, ou mesmo o símbolo da Cruz (um símbolo do sacrifício que, segundo a crença cristã, Jesus fez para que os pecados da humanidade fossem perdoados), nada significa. Pois enquanto uns simplesmente não possuem uma crença no divino, os outros não possuem ligação àquela religião em particular.


Perceba que mesmo neste exemplo simples, podemos ver que a razão de ambos agirem assim se faz por motivos, crenças, diferentes.


Como um exemplo mais elaborado, nós podemos colocar em discussão a questão dos dogmas cristãos de ida para o céu ou inferno, da reencarnação e do renascimento. Numa analise mais profunda do dogma da ida ao céu ou inferno, percebemos que não existe uma responsabilidade social: se o cristão é pecador ele vai para o céu, se não é, vai para o céu, ponto final. Cada um é então responsável somente por sua salvação ou perdição.
Já quem crê em reencarnação, nossa evolução também é vista como individual, pois como mantemos uma unidade de espírito, que segue evoluindo pessoalmente. Assim, só seremos responsáveis socialmente pela evolução quando, eventualmente, ajudarmos no 'governo planetário' quando nosso espírito estiver plenamente desenvolvido


Já no renascimento, a crença é que todos os seres (sem distinção) tenham uma alma, a qual voltará ao 'caldeirão original' (algumas vezes também chamado de inconsciente coletivo), onde será totalmente re-misturada após sua morte, assim como sairá do caldeirão quando do nascimento de um novo ser.


Note que existe uma maior responsabilidade social nesta crença, pois quando uma pessoa evoluída morre, sua essência, ao voltar ao 'caldeirão' imediatamente 'melhora o caldo', deixando-o mais sutil, do mesmo modo que quando uma pessoa mais grosseira, cuja vida foi passada cultivando hábitos inferiores morre, a essência do 'caldo' engrossa. Segundo este ponto de vista portanto, no final quando todas as pessoas forem melhores e o caldo for mais sutil um céu não será necessário, assim como um 'governo planetário' também não será mais necessário, pois a própria Terra será o paraíso e cada será fará parte de seu 'governo'.


- Isso tudo é muito bonito - você pode dizer. - mas o que tem a ver comigo?


O assunto pode parecer banal, ou a temática longe de sua realidade, mas será mesmo? Pois essa é exatamente a questão primária deste tópico. Pois se para aquele que acredita no renascimento o desenvolvimento do todo é de responsabilidade pessoal de cada, para ele ou ela a busca pelo aperfeiçoamento espiritual deveria ser uma responsabilidade primária, pois dele resultaria não só o seu desenvolvimento, mas de todo o Universo.
Percebe como é sério o assunto?

Crenças, afinal de contas, não são coisas desnecessárias para lembrarmos somente quando nos interessa, esquecendo delas quando, alguma razão elas aparentemente deixam de ser necessárias. Elas são como a fundação de uma construção, nunca percebida mas de uma importância impar para a mesma, por mais que não queiramos, não saibamos e não questionemos, nossas crenças nos são sempre necessárias pois, no fundo são elas que moldam 'nossos pensamentos, e' é através destes que direcionamos 'nossas ações'. Assim sendo, 'somos responsáveis por nossas crenças.'


Como somos diferentes de construções, somos seres vivos, ativos e mudando constantemente, segue uma questão final para que você pense:
Quantas vezes você já revisou suas crenças? Quantas vezes já mudou-as, para melhor se adequarem a sua vida atual? Quantas vezes você percebeu que o que fazia era ou ia, de alguma contra ao que você mesmo acreditava? E neste caso, o que você fez em relação a tais atos?


Uma base firme, afinal de contas, é o que nos manterá no caminho que escolhemos para nós.

Gianpaolo Celli

09/08/06

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