Uma coisa interessante
referente a crenças e dogmas é como as pessoas
tendem a esquecer como tais coisas podem gerar responsabilidade.
Este tópico, nascido de uma conversa com uma amiga que
atualmente me é muito especial, é na verdade
quase que uma mescla de duas de minhas colunas anteriores:
a Responsabilidade, e a Fé, Destino e Livre-Arbítrio.
Mesclando ambas, pois na verdade todo o conhecimento é um
só e deve se interpenetrar para ser real em sua e nossa
totalidade, eu terminei com a seguinte conclusão: 'somos
responsáveis por nossas crenças, nossos pensamentos
e nossas ações'.
- Como assim? - você pode questionar. Ou pensar, com medo
de se rebaixar se externar a pergunta.
Bom, ao longo de meus anos de estudo e de vida eu aprendi que
melhor é aquele que questiona sem temer parecer ignorante
do o que se mantém ignorante com medo de assim parecer
aos outros. Questionar, afinal de contas, é ampliar horizontes.
De qualquer maneira, a pergunta é muito coerente nestes
tempos de 'fiéis não praticantes', em que crenças
na verdade são pálidas lembranças, momentos
de nosso atribulado cotidiano. Isso pois eu pessoalmente considero
crenças primordiais, mesmo que sempre abertas à discussão
(precisamos ter consciência de que verdades não
são absolutas, afinal de contas) são a base de
todo nosso comportamento.
A pergunta acima: - Como assim? - pode naturalmente ser repetida
aqui.
O que acontece é que é através de nossa
'visão da realidade', de nossas 'crenças pessoais',
que baseamos todas as nossas ações, desde as mais
simples até as complexas. Um cético ou um pagão,
por exemplo, não teriam razão de fazer o sinal
da cruz na frente de uma Igreja ou um cemitério como um
cristão normalmente o faz. Acontece que para ambos, pois
razões diferentes, aquele lugar, ou mesmo o símbolo
da Cruz (um símbolo do sacrifício que, segundo
a crença cristã, Jesus fez para que os pecados
da humanidade fossem perdoados), nada significa. Pois enquanto
uns simplesmente não possuem uma crença no divino,
os outros não possuem ligação àquela
religião em particular.
Perceba que mesmo neste exemplo simples, podemos ver que a razão
de ambos agirem assim se faz por motivos, crenças, diferentes.
Como um exemplo mais elaborado, nós podemos colocar em
discussão a questão dos dogmas cristãos
de ida para o céu ou inferno, da reencarnação
e do renascimento. Numa analise mais profunda do dogma da ida
ao céu ou inferno, percebemos que não existe uma
responsabilidade social: se o cristão é pecador
ele vai para o céu, se não é, vai para o
céu, ponto final. Cada um é então responsável
somente por sua salvação ou perdição.
Já quem crê em reencarnação, nossa
evolução também é vista como individual,
pois como mantemos uma unidade de espírito, que segue
evoluindo pessoalmente. Assim, só seremos responsáveis
socialmente pela evolução quando, eventualmente,
ajudarmos no 'governo planetário' quando nosso espírito
estiver plenamente desenvolvido
Já no renascimento, a crença é que todos
os seres (sem distinção) tenham uma alma, a qual
voltará ao 'caldeirão original' (algumas vezes
também chamado de inconsciente coletivo), onde será totalmente
re-misturada após sua morte, assim como sairá do
caldeirão quando do nascimento de um novo ser.
Note que existe uma maior responsabilidade social nesta crença,
pois quando uma pessoa evoluída morre, sua essência,
ao voltar ao 'caldeirão' imediatamente 'melhora o caldo',
deixando-o mais sutil, do mesmo modo que quando uma pessoa mais
grosseira, cuja vida foi passada cultivando hábitos inferiores
morre, a essência do 'caldo' engrossa. Segundo este ponto
de vista portanto, no final quando todas as pessoas forem melhores
e o caldo for mais sutil um céu não será necessário,
assim como um 'governo planetário' também não
será mais necessário, pois a própria Terra
será o paraíso e cada será fará parte
de seu 'governo'.
- Isso tudo é muito bonito - você pode dizer. -
mas o que tem a ver comigo?
O assunto pode parecer banal, ou a temática longe de sua
realidade, mas será mesmo? Pois essa é exatamente
a questão primária deste tópico. Pois se
para aquele que acredita no renascimento o desenvolvimento do
todo é de responsabilidade pessoal de cada, para ele ou
ela a busca pelo aperfeiçoamento espiritual deveria ser
uma responsabilidade primária, pois dele resultaria não
só o seu desenvolvimento, mas de todo o Universo.
Percebe como é sério o assunto?
Crenças,
afinal de contas, não são coisas desnecessárias
para lembrarmos somente quando nos interessa, esquecendo delas
quando, alguma razão elas aparentemente deixam de ser
necessárias. Elas são como a fundação
de uma construção, nunca percebida mas de uma importância
impar para a mesma, por mais que não queiramos, não
saibamos e não questionemos, nossas crenças nos
são sempre necessárias pois, no fundo são
elas que moldam 'nossos pensamentos, e' é através
destes que direcionamos 'nossas ações'. Assim sendo,
'somos responsáveis por nossas crenças.'
Como somos diferentes de construções, somos seres
vivos, ativos e mudando constantemente, segue uma questão
final para que você pense:
Quantas vezes você já revisou suas crenças?
Quantas vezes já mudou-as, para melhor se adequarem a
sua vida atual? Quantas vezes você percebeu que o que fazia
era ou ia, de alguma contra ao que você mesmo acreditava?
E neste caso, o que você fez em relação a
tais atos?
Uma base firme, afinal de contas, é o que nos manterá no
caminho que escolhemos para nós.
Gianpaolo Celli
09/08/06
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