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Gianpaolo Celli



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5 Faces da Morte – parte 2

 

Dando continuidade a meu texto anterior: todo esse medo de morrer, esse receio de viver, ou melhor, de não viver, nos toma de maneira tão inexorável que quando percebemos que o fim é inevitável terminamos por questionar a real necessidade da morte. Não só ela é tão necessária como a vida da maneira que nós conhecemos, como também a existência de uma seria impossível sem a existência da outra. Em poucas palavras: a vida se alimenta da morte como a morte se alimenta da vida.
Inclusive, todo o processo de alimentação, independentemente de quem ou o que estiver se alimentando, assim como do que este ser estiver se alimentando, é um ato matar. Todos matam para viver, essa é uma lei natural e imutável e não há nada que possamos fazer a respeito.
– Mas as plantas não matam para viver! – você pode responder.
Aí eu coloco outra questão: – Você já ouviu falar em dois termos agrícolas: “rotação de plantio” e “descanso de solo”?
Bom, se não, eu vou explicar: “Rotação de plantio” é quando se trocam as plantações de um determinado campo para que a terra não fique totalmente exaurida de um dado componente utilizado pela planta em seu crescimento. Da mesma maneira “descanso de solo” é quando não se planta nada por toda uma estação, adubando a terra para que ela volte a ter total capacidade de manutenção de vida vegetal. Ou seja, para sobreviverem as plantas também matam; a única coisa é que elas não matam seres vivos, pelo menos não como a ciência determina, mas a terra onde elas estão plantadas. Terra esta a qual, segundo a Teoria de Gaia, também é um ser vivo.
Aí você pode colocar que “na natureza isso não acontece!”
Muito pelo contrário, acontece sim. a diferença é que a diversidade existente na natureza não deixa que a terra morra totalmente. Assim, as mesmas árvores que drenam a terra, a alimentam ao deixar caírem galhos, folhas e frutos que apodrecem e terminam por tonificar a própria terra onde a árvore está. Ainda assim existem desertos pelo mundo onde antes existiam florestas.

Deste modo nós temos aqui o aspecto energético da morte. Seu aspecto mais natural. O ciclo eterno, não de Roda-do-Ano, mas de seu semelhante, o ciclo de vida-morte-renascimento.
Este é um ponto interessante pois mesmo a ciência nos dava, até algum tempo atrás, um ponto de vista errado da vida e seus ciclos. Aprendíamos em biologia sobre cadeia ou pirâmide alimentar, sobre como os herbívoros comem as plantas e os carnívoros comem os herbívoros numa pirâmide até chegar nos grandes predadores que, por não terem inimigos naturais, não servem de alimento para ninguém.
Aí eu perguntava: – Não são mesmo? E o que acontece com suas carcaças quando eles morrem? Não se tornam alimento dos necrófagos? Animais, insetos, vermes e bactérias que se alimentam dos mortos? Seus corpos mortos não se decompõem na própria terra que alimentou suas presas? Ou seja, como se ensina agora, estamos falando de um ciclo, o que vem da terra e vai para ela!

Eu sei que há muito tempo nós temos colocado nossos mortos em caixões fechados e forrados como camas, em tumbas lacradas de cimento e aço, onde o corpo, sem real contato com a terra, quase só apodrece, servido de alimento para vermes que morrem ali mesmo no cimento sem alimentar realmente a terra, mas a questão se mantém:
– Por que cavamos túmulos? Por que “devolvemos nossos mortos ao ventre da Mãe Terra”? – Não será para que eles mesmos voltem a se tornar parte dela, renascendo, desta forma, como alimento para plantas, que serão alimento de herbívoros, que se tornarão alimentos de carnívoros?
Ou seja, é aquela Lei da Conservação da Massa, formulada por Lavoisier em 1789: “Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”
Vendo tudo isso e lendo nas entrelinhas podemos chegar à conclusão que a própria física determina a existência do renascimento. O que era matéria se torna energia para tornar-se matéria uma vez mais.
Indo mais fundo inclusive, considerando conceitos da homeopatia que determinam que tudo possui memória, as idéias de renascimento e reencarnação, passam de meras fantasias para verdades. Nossa memória, mental e física (genética) fica impregnada no solo em que fomos enterrados e de onde nosso corpo agora faz parte. Essa terra alimentará plantas que alimentarão animais, no ciclo mais de uma vez citado acima. A mesma matéria, a mesma energia vinda da vida, tornando-se morte para então novamente voltar a ser vida.

Depois de ver tudo isso, passagens folclóricas relativas ao processo de reencarnação ou renascimento como a lenda indígena sul-americana que reza que se alguma grávida passar por um local onde alguém jaz morto, a alma desta pessoa passa a habitar a criança ainda não nascida passam a ter uma nova lógica, não é mesmo?

Mesmo assim continua a questão: Será que é só isso? Será que não existe mais uma das FACES DA MORTE para analisarmos? Uma talvez mais profunda, que complete toda essa teia de uma maneira memorável? Vamos esperar...

Gianpaolo Celli

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