Sabe, as vezes é bom
começar um texto com uma frase. Uma que dê o tom
do mesmo. Para este a frase escolhida é: “TODO
CRENTE É CÉTICO DIANTE DA MORTE. TODO CÉTICO É CRENTE
DIANTE DO FIM!”
Pode não parecer muito, mas eu realmente gosto dessa frase.
Na verdade eu tenho orgulho dela (tendo em vista que fui eu quem
a criou). Pode não ser importante ou conhecida agora,
mas tudo bem. Afinal de contas, nós realmente não
nos importamos com o que lemos até que o escritor esteja
morto. Não é verdade?!
Na realidade nós não percebemos a importância
da maioria das coisas até que as perdemos!
E é por essa razão que hoje eu decidi falar sobre
a maior das perdas, a morte... O significado da morte, não
a carta do tarô ou a morte na Roda-do-Ano, portanto não
fique excitado. É só a morte.
Uma questão: Você sabe por que o ser humano criou
deus?
–
Sim! Nós criamos deus, ou os deuses se você preferir,
não duvide disso, é verdade!
A força original talvez já existisse na natureza
quando nós chegamos, mas a figura, a concentração
deste poder, deus, ou Deus se você preferir , nós
criamos!
Bem... nós criamos deus de modo a dar uma razão
para nossa existência.
Sim! E criamos as religiões, todas elas, completas, com
seus dogmas fundamentais e indiscutíveis, para dar uma
razão à nossa existência.
E o paraíso, e o inferno, (mas, para o inferno com este último,
pois eu realmente não acredito nele), de modo a dar uma
razão para nossa existência.
–
Por quê? Você pode perguntar. Ora, porque essa mesma
existência nos parece absurda, sem razão ou objetivo!
Agora você vai me perguntar: – Por que ela é sem
razão nem objetivo?
Bom, você nasceu, como nasceu a humanidade milênios
atrás, sem uma razão aparente, sem um objetivo
lógico. E nestes milhares de anos ninguém conseguiu
realmente dar uma resposta decente às questões: – Por
que existe vida na Terra? O que nós estamos fazendo aqui?
Como nós chegamos a isso?
–
O que você disse?! Deus?! Você começou a ler
o texto daqui, não foi?
–
Ah! A teoria da evolução! Certo, mas a questão
original continua, como começou? Vida... Como irá terminar?
Morte...
Ou seja, aqui estamos, depois de não sei quantos milênios,
vivendo nossas vidas sem uma razão, sem um objetivo aparente.
É
exatamente por isso que a morte nos apavora tanto! A idéia
do fim sem o conhecimento de uma causa, uma razão, um
objetivo... Então nós inventamos respostas.
Renascimento, reencarnação, religião...
Merda! No fundo é tudo merda sem sentido! Mas existe uma
resposta. No fundo, existe uma resposta.
Você sabe, existe no portal de um cemitério na saída
de uma cidadezinha na Espanha uma frase entalhada. Não,
não é “DECIFRA-ME OU DEVORO-TE”, ou “CONHECE
A TI MESMO”... a frase é “EU FUI O QUE TU ÉS...
TU SERÁS O QUE EU SOU”.
O que quer dizer? Quer dizer que a morte nos iguala a todos.
Não interessa o que você é, ou foi, rico
ou pobre, inteligente ou burro, bonito ou feio... no derradeiro
fim nós somos todos a mesma coisa... carne morta!
Ou seja, o que importa em sua vida é como você irá vive-la...
como você aproveita cada momento (CARPEI DIEM?)... o que
você faz dela.
–
Você já pensou nisso?! Ou vai me dizer que o que
importa é simplesmente a continuação da
espécie? Como a bíblia diz, crescei-vos e multiplicai-vos.
Ou aquela: antes de morrer escreva um livro, plante uma árvore,
tenha um filho? Bom, eu creio que, se for assim, alguém
deveria ter perguntado, ou dito isso aos dinossauros... ou às
espécies que nós exterminamos definitivamente da
face da terra!
Assim, tente pelo menos lembrar da morte de vez em quando. Dai
verifique se você está vivendo a vida que você realmente
deveria, fazendo o que realmente te dá prazer... pois
no fim, é isso que importa de verdade!
–
Terminada a coluna você deve estar se perguntando: – Mas
por que diabos eu li isso? O que essa matéria tem a ver
com o conteúdo do site?
A resposta para essa questão é: Tudo! Eu resolvi
falar da morte, ou os aspectos, as faces dela. Esta é a
primeira das faces, a MORTE FÍSICA. Aguarde para as demais
FACES DA MORTE.
Gianpaolo Celli
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