Minha idéia
original era continuar mostrando pontos de vista em relação
ao neo-paganismo e como eles pode ser mais amplos do que realmente
se pode imaginar. Eu senti, entretanto, que deveria falar de
um ponto importante não somente dentro do paganismo,
mas em todas as áreas de nossas vidas, a figura do mestre.
Logo quando comecei a matutar sobre o assunto, percebi que,
na realidade, este nada mais era do que um dos pontos que iria,
ou teria de, desenvolver no futuro.
A figura do mestre (do dicionário: mestre - do Lat.
magistru - s. m., homem que se dedica ao ensino; professor;
homem muito versado ou perito numa arte ou ciência; artífice
competente; indivíduo que, na Maçonaria, tem
o terceiro grau; adj. 2 gen., que tem vantagem ou superioridade
em relação a outro; grande; importante; exemplar.) é,
em diversos aspectos, controversa.
Isso ocorre pois mesmo um professor muitas vezes, apesar de
conhecer o que ensina, não sabe ensinar. Da mesma maneira
a questão da superioridade, ou da vantagem sobre alguém,
pode e deve ser pesada sob diversos ângulos, pois pontos
de vista diferentes podem colocar mestres em posições
inferiores a alunos. Ninguém é totalmente superior.
Bom, se estas são verdades para muitos aspectos de
nossa vida, dentro da religião e da magia elas são
dolorosamente reais, especialmente se verificarmos que muitos
dos auto-entitulados 'mestres' não são, como
o dicionário nos coloca, 'grandes' ou 'exemplares'.
Muito pelo contrário. Em sua maioria eles são
pequenos e egoístas.
'egoístas' - você pode perguntar. Bom, a meu
ver, qualquer um que se auto-entitula mestre, é tudo
menos isso, e possui um ego muito mais inflado do que realmente
deveria, pois qualquer título deve, ou pelo menos deveria,
ser dado por um grupo ao indivíduo.
'Pequenos' é um outro ponto interessante. Novamente
uma consideração minha. Eu creio que sempre haverá algo
a aprender, um novo angulo para se ver algo. Assim, sempre
seremos estudantes, ou estudiosos na vida.
Além disso, somente aquele que fez a Jornada de Mistérios
que transforma o ser humano em Herói Mitológico;
aquele que se tornou o Iniciado, que foi além dos deuses,
olhou o vazio inicial e voltou (coisa que mesmo os seres considerados
iluminados muitas vezes dizem não ter conseguido); somente
ele tem contato direto com os Mistérios, com a Verdade,
sem filtros sociais ou pessoais, somente ele se tornou alguém
que fundiu-se aos deuses, a natureza, livrou-se do Ego e das
necessidades humanas pode ser chamado realmente de mestre espiritual.
Na realidade, segundo Sócrates "sábio é aquele
que conhece os limites da própria ignorância.",
ou seja, sábio não é aquele que acha que
sabe tudo, mas aquele que sabe que nada sabe (colocação
também tirada de uma frase de Sócrates, "só sei
que nada sei").
Um ponto interessante em relação a este tópico é que
se muitas vezes precisamos de tempo e experiência para
adquirir confiança para um relacionamento ou uma amizade,
para que a pessoa se torne nosso mestre, o guia espiritual
que iluminará nosso caminho por entre as trevas do desconhecido,
isso parece cada vez mais parece desnecessário.
Para que confiança, tempo e experiência quando
nos são apresentados títulos e diplomas, não é mesmo?
Quando palavras difíceis, muitas das quais nem o 'mestre'
sabe realmente o que significa, são utilizadas com tanta
propriedade (mesmo que de maneira errada)?
Não estamos falando de nada importante, é só de
nosso caminho espiritual, de conhecer a nós mesmos,
afinal de contas.
Interessante a colocação acima, não é verdade?
E ela é uma realidade, apesar de não a considerarmos
como tal. Somos cegos para os mestres que escolhemos para seguir
pois no fundo achamos que a senda espiritual não vale
realmente o pouco tempo que estamos gastando com ela. E se
fala-se muito de auto-conhecimento, a maioria não quer
realmente enfrentar sua sombra, conhecer a si próprio. É como
dizem, falar sempre foi mais fácil do que fazer
Temos então basicamente dois grandes grupos de pessoas:
Aquelas que buscam agregar seguidores para que com isso, com
mais pessoas escutando o que eles dizem, acreditando no que
eles crêem, suas verdades se tornem mais reais. Estes
são os 'mestres'.
E aquelas ávidas em colocar nas mãos de outrem
a responsabilidade pela senda iniciática, para que não
precisem pensar ou se preocupar, só precisem seguir...
e depois ter em quem colocar a culpa por seus fracassos. São
estes os seguidores.
Isso sem contar aqueles que buscam usar a crendice e a insegurança
alheia para lucrar, e uns poucos que seguem o caminho buscando
o que realmente devem.
Ai eu pergunto:
Qual destes é você?
Sim, pois na senda iniciática, não existem avenidas
pavimentadas ou atalhos. Existem sim picadas, caminhos de terra
batida pouco utilizados. Todo caminho, afinal de conta, é pessoal,
e nenhuma pessoa é igual à outra.
Os caminhos podem convergir? - você pode perguntar,
com medo de caminhar sozinho. - Ou tornarem-se paralelos, ou
mesmo semelhantes, por muito tempo?
'Evidente que sim!' - é a resposta para tais perguntas.
- Mas caminhos semelhantes são caminhos de pessoas que
caminham a senda em igualdade, não que uma guia a outra.
O que vemos hoje são pessoas que muitas acham ter chegado
a algum lugar, apresentando este como 'o final'; cegos guiando
cegos; guias que apontam suas lanternas somente para o estreito
caminho que eles mesmos seguiram, pisando nos mesmos lugares
que já pisaram, tomando cuidado para não iluminar
algo além disso pois ai eles também não
saberias para onde ir, ficariam com medo e também se
perderiam. Enfim, são pessoas que servem o peixe ao
invés de ensinar a pescar, pois na realidade muitas
vezes eles mesmos não sabem faze-lo. Estes são
os mestres e discípulos que vejo hoje no neo-paganismo.
Resta a questão do título: Por que 'ao mestre
com carinho'?
- Bom leitor, no seu caso eu não sei, mas meus mestres
são os deuses, aqueles que existem dentro de mim...
eu, portanto, sou responsável pelos atos, sou meu guia...
sou o mestre, assim como sou o aprendiz! |