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Gianpaolo Celli



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Destruir para então Construir

 

Sabem, eu passei meu texto anterior para alguns conhecidos e, em sua maioria, eles acharam-no muito pesado... crítico demais. O ponto é que apesar de realmente ser, era este o objetivo. Antes de construir, afinal de contas, temos de destruir. Não interessa se vamos plantar algo ou levantar uma edificação, temos de arar um terreno ou terraplana-lo para isso. E convenhamos, ambos processos são ‘destruidores’. Fazemos isso também pois precisamos de uma base sólida para tudo em nossa vida.

E se você não construiria uma casa nova usando paredes de uma ruína já existente, e não plantaria sem haver limpado seu terreno do mato e de plantações mais antigas, por que você deveria fazer isso com sua espiritualidade? Nada é mais natural, portanto, do que iniciar um processo de criação com um de destruição.

Respire fundo então, pois vamos começar a construir uma base para sua espiritualidade, para sua crença, sua fé, sua religião...

Inicialmente vamos considerar o que vem a ser sua crença. Muito provavelmente estamos falando de, independente de qual seja sua religião, de paganismo. Neo-paganismo, na verdade, pois a maioria de nós, com acesso a supermercados, geladeiras e produtos industrializados, não depende mais tão diretamente da terra, pelo menos não como nossos antepassados precisavam.

O ponto então passa a ser realmente espiritual. Mas que ‘ponto’? O ponto do que devemos celebrar, de que datas do ano devemos dar valor pois, no fundo, da mesma maneira que, como neo-pagãos, consideramos toda a Terra sagrada, também consideramos, ou pelo menos deveríamos, todos os dias (todos os momentos, se pensarmos melhor) sagrados.

Toda Terra sagrada? Evidente, pois se o processo de criação ainda está acontecendo e o Universo ‘e tudo que nele existe’ é a parte física dos deuses, tudo no universo portanto, é sagrado.

Existem, entretanto, como as florestas vivas que consideramos especiais, datas especiais durante o ano (apesar de todo momento ser especial). Por que então um momento é mais ‘especial’ do que os demais?

Pois eles representam momentos especiais do universo. Inícios, finais e meios de fenômenos naturais. Alguns exemplos? Muito fácil... solstícios, equinócios, fases da Lua, marés...

O que existe de especial numa fase da Lua? – Você pode perguntar. – Como a lua crescente? Primeiro, a lua crescente, como a minguante, não são fases, mas passagens. Fases são a Lua Cheia (plenilúnio), quando a Lua nos oferece sua face iluminada, e a Lua Nova (novilúnio), quando ela se encontra em conjunção com a Terra, tornando-se assim praticamente invisível no céu noturno (ambas existindo por períodos de somente 36 horas).

O que isso muda em minha vida? – Você pode perguntar, imaginando que um astro sem luz própria não pode mudar nada na natureza.

Ledo engano! A Lua controla, por exemplo, as marés (os líquidos da Terra). Será então que ela também não pode controlar nossos líquidos internos (o microcosmo como o macrocosmo)?

Os cientistas descobriram que nos períodos próximos a lua cheia a seiva das plantas fica mais exposta, mais próxima ao topo das mesmas, enquanto durante as datas próximas a lua nova, a seiva se encontra próxima a raiz. A madeira, portanto é melhor se cortada durante a lua nova, pois será mais seca. Frutos, ao contrário, ficam mais suculentos durante a lua cheia.

Interessante, não é verdade,mas será que é só isso? Será que nada relacionado a nossa espiritualidade pode vir destas ‘datas especiais’? A Lua, afinal de contas, é um dos astros mais ligados aos deuses, a figura da Deusa, especialmente. Será então que o nosso inconsciente não seria como as marés? Ou como a seiva das plantas?

E os solstícios, equinócios? – Fácil! – Você vai responder. – São os inícios das estações! – Ai eu pergunto novamente. – Será mesmo que são?

O que é um solstício? Um equinócio? O equinócio é o ponto da órbita da Terra onde a duração do dia e da noite são iguais. É o dia a partir do qual os dias ou as noites começaram, a crescer (respectivamente primavera e outono), até que se chegue ao solstício, que é o ponto da órbita da Terra onde existe a maior disparidade entre a duração do dia e da noite. Os solstícios são, então, o dia e a noite mais longos do ano (verão e inverno, respectivamente).

Iniciando então no solstício de inverno (noite mais longa do ano), é a partir desta data que os dias começam a crescer, até que se chegue numa igualdade entre o dia e a noite (equinócio de primavera), e continuando até o ápice do dia no solstício de verão (dia mais longo do ano), data a partir da qual os dias irão diminuir até que novamente a igualdade se faça presente entre dia e noite (equinócio de outono) e seguindo novamente para o solstício de inverno onde nós começamos a explicação, num ciclo perpétuo.

Ai vem a pergunta: Se dividirmos o ano em duas metade (creio que você já deve ter ouvindo isso em algum lugar), por que a metade clara do ano deve começar exatamente quando os dias começam a diminuir? O mesmo acontecendo com a metade escura, quando os dias começam a crescer?

Não seria, então, mais lógico que tais datas fossem então os meios das estações? Já em Shakespear encontramos o clássico ‘Sonhos de uma Noite de Verão’, em inglês ‘A Midsummer Night’s Dream’ ou ‘O Sonho de uma Noite de Meio de Verão’, acontecendo num solstício. Apresentando a data na introdução como um período em que ‘estranhos sonhos são comuns de acontecerem.’

Mas se os solstícios e equinócios não são inícios, mas meios, quais seriam os inícios das estações?

Não... eu não irei responder isso! Realmente eu creio que tal resposta deve ser descoberta antes de simplesmente recebida. Na verdade aqui é o ponto que eu queria chegar. Após haver destruído diversas noções suas, deixando a ‘sagrada terra’ fértil para o plantio (ou terraplenada para a construção), eu mostrei com o que você pode iniciar sua plantação (ou construção), mostrei que você deve trabalhar, estudar, pesquisar, até praticar antes de simplesmente aceitar verdade. Não irei, então, trabalhar para você, ou facilitar sua vida mais ainda.

Que sua fé, sua crença, que a base de sua espiritualidade, que todas sejam trabalhadas por você mesmo.

Por que? – Ora, porque nunca damos valor ao que recebemos de graça!

Até a próxima, então.

Gianpaolo Celli

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