O sacrifício animal é cruel, desnecessário, injustificável e degradante à nossa condição humana. Já não se pode admitir a prática primitiva e abominável de oferecer vidas iguais às nossas para Deuses que não precisam absolutamente disto para nada. Por mais que se fale em favor desta atrocidade com argumentos pseudo-antropológicos, já temos a informação de que nenhuma forma de vida merece nem precisa ser destruída para se atingir qualquer objetivo mágico.
Tudo se pode conseguir sem apelar para esta violência inominável, que costuma ser feita como oferenda e que se justifica pelo fato de determinadas culturas já terem praticado isto há 500 anos atrás; mas, só por este motivo isto tem que continuar a ser feito?
Ora, sacrifícios humanos também eram feitos, vamos permancer fazendo, então?
E não há progresso tecnológico na Magia? Novas e menos agressivas formas de obter resultados não teriam sido desenvolvidas em séculos? Nós sabemos que sim.
Seria julgar que o ser humano ainda precisa de muitos milhares de anos para compreender o que de melhor o Cristianismo e o Budismo com seus avatares nos trouxeram, que foi exatamente a mensagem de que todos os sacrifícios seriam abolidos a partir de então. A História do pensamento humano mostra uma etapa importante com o Iluminismo e desde então determinados pensamentos tidos como selvagens foram contestados e buscou-se novas formas de encarar o mundo a partir de nosso maior dom, a capacidade de pensar. De elaborar metodologias, fórmulas e teorias que nos deram um maior domínio de nosso ambiente. Isto não pode ter sido em vão. Temos que aproveitar nossa difenrença dos outros animais em prol de nosso Planeta e de nossos outros irmãos animais não racionais e não em seu prejuízo.
Enquanto isso, a História da Magia nos mostra também sua evolução, e atos que antes eram considerados arquiteturas do Diabo foram esclarecidos como capacidades inatas do ser humano. Entre elas, a comunicação com seres dos outros reinos, mineral e vegetal. Por que não então, de nossos irmãos mais próximos, de nosso mesmo reino?
Nem mesmo em rituais iniciáticos não há mais motivo para representar a superação do animal maior que o humano como uma prova de sua capacidade em vencer obstáculos, pois estes animais não são nossos predadores há milênios. Faz muito mais sentido hoje em dia, para provar nossas capacidades de sobreviver ao nosso meio ambiente, conseguirmos pagar nossas contas, entender como se faz uma declaração de imposto de renda, ou mesmo uma reação bem sucedida a uma tentativa de assalto.
Se o homem é o lobo do homem, por quê matar outro animal que não seja o próprio homem?
A matança para rituais de magia é na verdade uma ofensa a qualquer Divindade, pois elas são sempre associadas a algum animal e certamente jamais desejariam comer a carne de seus familiares.
Na antiguidade em que se praticava estes ritos não existiam conceitos que hoje devem nortear nossas condutas, como a Ecologia, a preservação de espécies, o vegetarianismo e principalmente o Direito à Vida.
Argumentos de que a matança em ritual é mais compassiva do que a feita em abatedouros para o nosso consumo de carne é falaciosa, pois na prática, feiticeiros urbanos sem experiência e sem técnica de como fazer este sacrifício pelo menos sem excesso de dor fazem verdadeiras chacinas com requintes de crueldade fazendo os animais sofrerem por horas a fio decapitados e despedaçados em troca de atender aos desejos egoístas, ilusórios e infantis de seus clientes e à suas próprias patologias sadistas favorecendo e satisfazendo não a qualquer divindade, mas sim a um mercado paralelo criminoso de venda de animais, inclusive de espécies em extinção.
É mister que se saiba disso e que os praticantes e sacerdotes de hoje reflitam e parem com estas descargas de violência contra nossos irmãos irracionais e partam para uma alternativa condizente com o século em que vivemos e com a já sabida lei do carma, pois afinal, para nós não só a reencarnação é uma variável a ser considerada, como a transmigração, que é a possíbilidade de uma vida posterior ou anterior destes mesmos sacerdotes ou seus filhos e outros entes queridos como um destes animais a quem submetem aos crimes hediondos que praticam e que só demonstram o quão indignos de serem considerados sequer como humanos que dirá como representantes de qualquer forma de Espiritualidade. A expressão de nossa religiosidade não pode se dar através do sofrimento de ninguém.
Matar para comer é natural, matar para outro motivo qualquer um ser inofensivo e em condição indefesa é crime e faz parte apenas do aspecto humano mais execrável.
Que o tempo de erros seja findo, pois não temos mais o benefício da ignorância, os deuses-cordeiros já se sacrificaram para que nenhum outro irmão animal racional ou irracional fosse posto nessa condição. aliás prefiro chamá-los de animais emocionais, e não irracionais. Se ao menos estes monstros travestidos de sacerdotes olhassem nos olhos destes animais antes de chaciná-los às dezenas...se tivessem a consciência de sua dor, e um vislumbre de sua grandeza, perceberiam que estão matando os próprios Deuses que dizem cultuar e que, espero, retribuam toda esta dor aos seus algozes.
Que os animais a serem sacrificados nos altares profanadores sejam os falsos profetas desconectados de sua própria natureza animal, e que não haja mais espaço para eles entre nós.
Cláudia Hauy
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