tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
Cássia Larrúbia



menu menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
 
Bruxa genérica
 


Pessoas que resolvem ingressar no mundo neopagão têm uma enorme gama de opções de culto.

É realmente impressionante quantas coisas interessantes podemos conhecer, aprender, nos dedicar. São diversos panteões, linhas de pensamento, formas de culto, crenças, deuses, ufa, se for parar para estudar tudo, conhecer tudo, acho que só essa vida não vai ser suficiente.

Quando alguém chega pra mim e pergunta: “você é Wicca?”, eu dou até um suspiro por dentro. Por um tempo eu dizia que era, porque dava menos trabalho. Mas como não sou, achei melhor ter um pouco de paciência para explicar que minha espiritualidade passava pelo culto aos deuses antigos, que eu sou politeísta, que tenho um pé na bruxaria tradicional, que cultuo deuses gregos e que o que faço tem um pouco de xamanismo também.

Geralmente as pessoas me olham de modo estranho. Tudo bem, eu também olharia pra mim mesma assim, se fosse leiga no assunto.

É porque minha espiritualidade não se encaixa em nenhum movimento específico. Já tentei, mas tanta coisa interessante chega até mim, tanta coisa pode ser incluída aqui, ali... que desisti de me prender a um nome.

Um dia desses, a minha amiga e também colunista do Tribos, Pietra de Chiaro Luna, me chamou de bruxa genérica. Dei risada, mas acho que é por aí mesmo... Já que não posso ser chamada de Wicca, nem de Stregha, nem de bruxa tradicional, nem de coisa nenhuma (pelo menos por enquanto tem sido assim...), talvez bruxa genérica seja um termo interessante.

Sabe por quê?

Acredito que tenhamos que pensar na nossa espiritualidade como reflexo do momento em que vivemos, historicamente. Eu não posso cultuar os deuses gregos (que escolhi como meus principais companheiros nessa jornada) como os gregos os cultuavam ou até como cultuam porque eu não moro na Grécia. Eu vivo no Brasil. E nos anos 2000.

Sei que existe todo um movimento reconstrucionista e ele não é só grego, mas abrange alguns outros panteões e respeito o trabalho feito, gosto inclusive de pesquisá-lo, mas não sigo, pessoalmente.

Vivendo no Brasil, minha Roda é pelo sul, os ventos sopram de outra forma, minhas oferendas são outras...

Vivendo no século XXI, com computador, troca de receitas com outros pagãos, com internet para pesquisa, com acesso a palestras, textos, vivências interessantes de outras formas de culto...

Gosto de temperar com ingredientes de outras coisas.

Não quer dizer que eu olho, gosto e vou logo aderindo. Seria irresponsabilidade grande e, além de perigoso, superficial. Não me considero uma pessoa superficial, então...

Gosto de ler a respeito, conhecer pessoas que vivenciaram a experiência que quero ter e depois de experimentar com essas pessoas, posso inserir.

A maior parte das coisas nem passam para esse último estágio. Mas conhecê-las me dá grande prazer.

Existem muitas pessoas como eu por aí. Muita gente livre de dogmas, de nomes, de títulos. Não são melhores ou piores, mas merecem respeito. Seria muito mais fácil escolher uma das espiritualidades e/ou religiões já fundamentadas, conhecidas e decodificadas e segui-la.

Inclusive mais charmoso ter um nome para usar.

Participo do grupo (no fim das contas, sempre pertencemos a um grupo, não é mesmo?) que acredita que a espiritualidade é mais livre do que a religiosidade. Não sei se isso tem nome. Nem me importa, pra falar a verdade.

Gosto de estar construindo algo que tem a ver comigo, porque no fim das contas, quem convive com minhas crenças mais profundamente sou eu mesma.

Ser bruxa genérica é algo que me deixa feliz. É a liberdade que eu espero para a minha espiritualidade.



<<início<<<Cássia Larrubia

|
 
 
 
tribos de gaia