tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia v tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia tribos de gaia
tribos de gaia
tribos de gaia
 
Cássia Larrúbia



menu menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
menu
 
Junto a um Deus sempre se chora e se rí
 

No livro "As bodas de Cadmo e Harmonia", do escritor Roberto Calasso, há uma frase que esses dias me chamou muito a atenção: "Junto a um deus, sempre se chora e se ri", tirada do Ájax, a tragédia de Sófocles.

Diz também, no mesmo trecho: "... Então a pessoa não desfruta mais daquela tranqüila nitidez que percebia nos estados medíocres de existência, mas aquela nitidez transferiu-se para o companheiro divino: refulgente e desenhado no céu está o deus, nebuloso e transformado encontra-se quem o evocou."

Me trouxe uma reflexão sobre o trabalho com os deuses, o trabalho neopagão. Porque nós fomos criados numa sociedade cristã, que prega a bondade absoluta de seus deuses (vamos pensar em um panteão cristão, com o Deus principal e vários outros, que são chamados de santos). Prega então uma crença de paz, amor, e sentimentos positivos, sempre, desde que a fé exista.

Tenho percebido em muitas pessoas uma mistura de sentimentos em relação às divindades pagãs, uma forma de vê-las de forma similar ao que existe no inconsciente coletivo das crenças mais modernas, ou seja, ver os deuses somente nas qualidades boas, no sentimento tranqüilo da divindade, numa relação de amor e de paz absoluta.

Não creio que o trabalho com os deuses pagãos possa ser tão simples. Que será sempre uma maravilha. "Junto a um deus, sempre se chora e se ri". Acho que esse é um ponto importante. Quantas coisas os deuses nos mostram e quantos caminhos são dolorosos? Quantas vezes não sentimos um aperto no peito frente ao nosso altar, uma angústia, um "puxa, será que estou sozinho aqui?", para depois percebermos que não estamos, mas que a explicação para esse sentimento é a força que a divindade cultuada traz, para o bem e para o mal?

"Bem" e "Mal" são invenções recentes na história. Deuses antigos não se encaixam nelas, por mais que queiramos. Vão ser ambos, sempre, num coquetel de experiências vividas com eles, que vão causar extrema alegria, exaustão ou tristeza, dependendo do momento ou com o que estamos trabalhando.

Conhecer uma divindade para cultuá-la pode ser realizado de três formas:

- Lendo sobre ela tudo o que puder, preferencialmente livros de mitologia;

- Participando de rituais, sozinho ou em grupos;

- Mesclando ambos, conhecimento e prática, o mais indicado.

Nesse trabalho, que vai ser longo, cansativo, porém prazeroso, vamos conhecer melhor as divindades que cultuamos, cada vez uma face de sua personalidade, e vamos entender que não teremos apenas flores neste caminho.

Todos nós queremos momentos de tranqüilidade. Se puderem ser eternos, então... Mas se fosse somente isso, como iríamos aprender alguma coisa?

A risada com um deus é magnífica, o choro com um deus é retumbante, mas tudo traz depois um momento de reflexão e de epifania e de... tranqüilidade também.

Acredito que trabalhar com os deuses antigos seja mergulhar em caldeirões de emoção, com alguns momentos de sossego no meio. Emoção de conhecer a divindade, de aprender a trabalhar com ela, de sentir sua força dentro do coração, de levar uns puxões de orelha de vez em quando...

Tudo isso é inspirador, ao mesmo tempo que amedrontador. E difícil, porque se pensarmos que existem outros caminhos beeeem mais simples, bom, vamos perceber que a gente escolheu um meio pedregoso, mas que no fim leva a um lugar bem interessante.

Não sei até que ponto a gente escolhe o caminho ou somos escolhidos por ele. Mas creio que, uma vez decidindo por este, saber conviver com todos os aspectos de uma divindade é também aprender a viver com todos os aspectos de nós mesmos.

Publicado em 10.02.2008



<<início<<<Cássia Larrubia

|
 
 
 
tribos de gaia