ocê já reparou em como é o nosso mundo? São tantas raças! E dentro dessas raças, temos também vários tipos de pessoas. Já reparou também como temos diversos tipos de comportamento, formas de encarar a vida, visões políticas, comportamentais, opções sexuais etc?
Isso me faz pensar naquela célebre frase da Bíblia, "E Deus os fez à sua imagem e semelhança".
Temos tantas imagens e tantas semelhanças, que não me parece certo pensar em um único Deus.
Então, por que será que a visão de um Deus único prevalece em nossa sociedade? Pode ser o Deus cristão, ou o Deus muçulmano, ou então o judeu... em nosso país então... se você diz para um cristão que é politeísta, primeiro ele vai te olhar com incredulidade, depois vai perguntar: "mas você não acredita no Deus único?"
Estranho não? Com tamanha diversidade...
Gosto de pensar nos deuses. Em todos eles, mesmo aqueles que eu não conheço. De pensar que em cada cultura houve ou há uma paleta de cores e crenças, que as divindades que cultuam têm a sua cara, são feitos à... sua imagem e semelhança!
Sendo assim, na verdade, não foi um Deus, ou vários Deuses, que nos criaram, mas nós os criamos. Demos caras a eles, personalidades. Depois de um certo tempo, recriamos essas personalidades, de acordo com o momento da nossa sociedade e das nossas crenças.
Se é assim, por que tantas pessoas se importam com as diferenças? Por que um evangélico provavelmente vai achar que cultuar deuses antigos é coisa do demônio - mesmo sendo esse demônio uma criação também?
Vou pegar aqui o exemplo clássico da migração do culto antigo aos deuses pagãos na Europa para o cristianismo. Quantas pessoas foram de alguma maneira convencidas de que suas divindades não eram reais, que simplesmente eram formas malignas que lutavam contra o deus único, que veio salvá-las pela vida e morte de Jesus Cristo?
Então pensemos nestas pessoas. Durante toda a vida, acreditaram nos deuses, em sua força, em sua ingerência em nosso mundo. Faziam os rituais, participavam de festas, faziam sacrifícios. De repente, tudo muda. Os deuses que os acompanharam durante tanto tempo, antes mesmo de terem nascido, não servem mais. Não são deuses, são demônios, criaturas do mal. Não deveria ser fácil esquecer todos eles para cultuar apenas um. Embora fosse mais simples, isso não podemos discordar.
Dessa forma, séculos de crença foram modificadas.
Ora, as pessoas aceitaram, mas até que ponto, dentro delas?
Então, a melhor forma de combater as dúvidas internas não seria exatamente o combate fervoroso àqueles que não mudaram de idéia?
E assim chegamos aos dias de hoje. A necessidade de convencer o próximo de que sua forma de ver a vida e, portanto, sua forma de culto, é a correta vem de uma fragilidade desta crença. Dentro do seu coração, o soldado da cruz, ou do pentagrama, ou de qualquer religião, não tem certeza absoluta do que está fazendo com sua vida espiritual. E para comprovar que está certo, nada melhor do que dizer e comprovar que o outro está... errado!
Uma pessoa convicta de suas escolhas, precisa realmente lutar para que o mundo a siga?
Para mim, não. Se meu vizinho é cristão, isso é com ele. Desde que não tente me convencer de que eu também deva ser... por mim, tudo bem.
Claro que sendo minha crença algo apaixonante, gostaria era que todo mundo resolvesse aderir a elas. Não seria bom um mundo todo neopagão? A princípio, acho que sim.
Mas aí me lembro da coisa toda do "à sua imagem e semelhança".
À minha imagem e semelhança são os deuses gregos, com suas lutas, suas paixões, suas necessidades, sua presença.
Mas não sei se o meu vizinho existe à imagem e semelhança dos gregos. De repente, à sua imagem e semelhança é Jeová e toda a sua poderosa egrégora formada por milhões de adeptos.
Somos tantos e tanta coisa podemos realizar espiritualmente. Cada grupo de sua forma, desde que seja honesto.
Basta que nos respeitemos, assim como os deuses nos respeitam. Porque a partir do momento em que nos deixam dar-lhes feições, e sabem que seus rostos e corpos mudam de acordo com o lugar em que estão sendo cultuados, respeitam nossas diferenças.
Não seria legal se seguíssemos seu exemplo?
Publicado em 18.08.07
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