Outro dia eu fui assistir a uma palestra sobre ética e sustentabilidade. O tema está em voga ultimamente, com as alarmantes perspectivas ambientais e econômicas que afligem cientistas, ambientalistas e pessoas com um pouco de noção nesse mundo.
Vamos ver primeiro o conceito de sustentabilidade (tirado da wikipédia):
"Sustentabilidade é um conceito sistêmico, relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana.
Propõe-se a ser um meio de configurar a civilização e as atividades humanas, de tal forma que a sociedade, os seus membros e as suas economias possam preencher as suas necessidades e expressar o seu maior potencial no presente, e ao mesmo tempo preservar a biodiversidade e os ecossistemas naturais, planejando e agindo de forma a atingir pró-eficiência na manutenção indefinida desses ideais.
A sustentabilidade abrange vários níveis de organização, desde a vizinhança local até o planeta inteiro. Para um empreendimento humano ser sustentável, tem de ter em vista 4 requisitos básicos. Esse empreendimento tem de ser:
- ecologicamente correto;
- economicamente viável;
- socialmente justo
- culturalmente aceito."
No encontro, uma coisa me chamou bastante atenção: o conceito de cidadania global. Quer dizer o seguinte. Somos mais de 6 bilhões no mundo. Todos têm necessidades a serem supridas. O problema maior é que a noção de necessidade tem sido "esticada" a níveis extremos. Será que precisamos de tudo o que consumimos?
E os outros? Se pensarmos na China e na Índia, superpopulações planetárias, como equacionamos essa noção de necessidade? Porque se todos os chineses resolverem ter carro, por exemplo, o planeta entra em colapso. Então devemos dizer para o chinês que ele não pode ter carro? Isso é possível ou justo?
A idéia então é parar de pensar como cidadão da sua cidade ou do seu país e pensar em termos globais. Se eu posso deixar meu carro na garagem e ir trabalhar de metrô, então um chinês pode ter carro...
Esse conceito me fez pensar muito. Será que estamos preparados para essa mudança de comportamento? Parar de pensar só em nossa pretensa necessidade para que outro que nem conhecemos, que nem vive no mesmo país que a gente (indo longe), possa usufruir também de alguns confortos? E de outra forma, outros farão o mesmo por nós?
Achei que o calo aperta aqui. Somos seres individualistas. Pensamos em nossas vontades, em nossos desejos, em nossos prazeres. Mas e os demais? O mundo é um só e os recursos naturais não estão aí simplesmente para serem usados. Mais cedo ou mais tarde, nossos recursos não serão mais abundantes. Em muitos lugares do mundo já não o são. Muita gente por aí morre de sede, por exemplo.
Outros aspectos interessantes: a mesma quantidade de gente que morre de fome, também morre de doenças causadas pela obesidade. A produção atual de alimentos daria para saciar 11 bilhões de pessoas, quase o dobro do que existe hoje na Terra.
A coisa tende a piorar e os aspectos são muitos: falta de controle de natalidade, o modelo econômico cruel que exclui cada vez mais pessoas e as tais necessidades exageradas de quem pode consumir.
Sinceramente eu duvido que de livre e espontânea vontade as pessoas mudem seus hábitos. São cruéis esses, se entranham em nosso ser e são difíceis de mudar.
Mas gosto de pensar no conceito de cidadão global. Seria muito menos penoso se todos entrássemos numa freqüência de entender que da mesma forma que eu posso isso, outros também podem. E que se todos tiverem senso e informação (cada vez mais farta e ao mesmo tempo inacessível para mais pessoas), nosso planeta nos comporta como a grande mãe que é.
E para isso, só pede que seus filhos olhem para ela com outros olhos, que não os de cobiça.
E você, se sente preparado para ser um cidadão global?
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