Nos últimos dias eu andei repensando minha relação com os deuses. Pensei em um monte de coisas e, no fim das contas, cheguei a várias conclusões sobre as minhas práticas. E para chegar a elas, eu percorri um pequeno labirinto, até chegar ali no meio e dar um beijo no Minotauro.
Pense na sua relação com os seus deuses. Seja lá de que panteão eles sejam, precisam ser amados, respeitados e cultuados. Falando nisso, eu me lembrei de um livro li recentemente. Chama-se "Deuses americanos". Nele, Neil Gaiman (criador de obras maravilhosas como a saga de Sandman, em quadrinhos) faz um retrato de divindades antigas esquecidas. Esses deuses explicam que vivem do amor dos seres humanos. E que conforme o tempo foi passando, as pessoas foram se esquecendo deles e eles se tornaram velhos e fracos.
E estava pensando que essa relação funciona da mesma forma como quando a gente conhece alguém, digamos, uma nova paixão. A pessoa conhece você, pede seu telefone e te liga. Você tem duas alternativas:
1. Resolve que aquela pessoa vai ser boa para a sua vida e aceita um convite para jantar ou ir ao cinema. Apaixona-se e dessa paixão vem o amor.
2. Na primeira vez que a pessoa te liga, você diz que está ocupado. Na segunda, não atende e na terceira dá uma desculpa para não sair com ela. Uma hora, mais cedo ou mais tarde, a pessoa vai parar de te ligar.
Da mesma forma, penso que seja com os deuses. Eles são um caso de amor em nossas vidas e se não forem, então não vejo sentido na prática de qualquer religião.
Nosso amor os alimenta, aquece e protege. Nossa indiferença os enfraquece e envelhece. Com o tempo, eles se esquecem da gente também.
Então não adianta mais fazer rituais e pedidos. Eles já foram embora, já rasgaram o nosso telefone.
Mas sempre é possível retomar essa relação. Diferente de homens e mulheres, os deuses estão sempre dispostos a nos dar uma nova chance. Aí talvez uma boa técnica seja a reaproximação como quem não quer nada, apenas cultuando e não fazendo uma lista de desejos a serem realizados por eles.
Como no livro de Neil Gaiman, eles vão ficando mais corados, os cabelos voltam às cores originais, o sorriso fica mais bonito e os olhos brilham novamente. Eles aceitam o nosso convite para jantar ou ir ao cinema.
E tudo acaba com um final feliz.
Ou talvez não seja tão fácil. Então pra que pagar pra ver?
Acredito que o mais importante, no fim das contas, é investir na relação. Uma prática real e constante resolve o problema antes que se torne tão grave.
E aí partimos para as práticas. Quais são as mais eficazes? Isso seu coração pode falar. Na minha experiência, acredito que o tempo que você investe em conversar com os deuses ou jogar intenções para o universo ou simplesmente acender uma vela para ele, para dizer que se lembrou dele, ou criar um ritual elaborado, ou até mesmo cozinhar, criar arte, dançar, todas são formas de integração com as divindades, inclusive se você disser/pensar: eu faço isso em homenagem a ______________ (e coloque aqui o nome do Deus com quem vai se relacionar, é sempre precioso e pode ser maior ou menor, de acordo com o momento em que está a sua vida.
O importante é que seja constante, verdadeiro e toque o seu coração. Afinal, é lá a morada dos deuses.
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