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Cássia Larrúbia



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Música ritual – uma viagem ao mundo do Dead Can Dance
 



“The river is deep and the road is long,
Daylight comes and i want to go home.
Awoke this morning
To find my people's tongues were tied
And in my dreams
They were given books to poison their minds.
The river is deep and the mountain high,
How long before the other side.
We are their mortar,
Their building bricks and their clay.
Their gold teeth mirror
Both our joys and our pain.
The river is deep and the ocean wide,
Who will teach us how to read the signs.
The earth is our mother
She taught us to embrace the light,
Now the lord is master
She suffers an eternal night.
You blocked up my ears,
You plucked out my eyes,
You cut out my tongue,
You fed me with lies,
Oh lord.”
Song of dispossessed – Dead Can Dance

Eu sempre adorei música. Faz parte da minha vida de uma forma muito intensa. Eu vivo rodeada por ela, no trabalho, no carro, em casa e quando vou me divertir. Dessa forma, não é difícil adivinhar que na vida mágica a música ocupa uma parte privilegiada em meus rituais, visualizações etc.
É na música que encontro paz para aquietar meu cérebro e coração para o contato comigo mesma, as divindades, os elementos...
E uma das minhas trilhas preferidas para esses momentos – e também para a vida, devo dizer – é a banda Dead Can Dance. Criada na Austrália em 1981, tem como membros principais Lisa Gerrard e Brendan Perry.

Se você for procurar o Dead Can Dance por aí, vai encontrá-los na categoria “world music”. Não é pra menos. Em todos esses anos, eles flertaram com sonoridades de diversas partes do planeta, o que os levou inclusive para trabalho como o realizado pelo Baraka, no vídeo/DVD de 1993.
Há no trabalho do DCD influências árabes, africanas, sacras, irlandesas (“as the bell rings the maypole spins”), renascentistas...
Lisa Gerrard e Brendan Perry se conheceram em Melbourne, no começo da década de 80. Mudaram-se para Londres e logo assinaram com o histórico selo 4AD, berço de uma geração de artistas interessantes e independentes, como o Cocteau Twins, Bauhaus e Pixies.
O primeiro álbum, chamado apenas Dead Can Dance, traz uma máscara ritual feita de madeira, que um dia esteve viva na árvore e agora está morta, mas transformada em arte. É o conceito atrás do nome, transformar algo vivo em morte e na seqüência transformar morte em uma nova vida, através da arte.
Na seqüência, Spleen and Ideal, que nos remete ao literário movimento Simbolista do século 19. em 1986, gravaram as músicas “Frontier” e “The Protagonist” para o projeto especial da 4AD chamado “Lonely is na Eyesore”, que aliás se transformaram em dois lindíssimos clips. Na seqüência, gravaram o álbum Within the Realm of a Dying Sun, ainda com temáticas um pouco mais soturnas e fixadas nos instrumentos tradicionais – baixo, guitarra e bateria.
Nos próximos trabalhos, o Dead Can Dance quebrou com essas limitações e passou a utilizar também instrumentos clássicos, samplers, computadores e uma variedade instigante de instrumentos musicais do mundo, aquele que a gente viaja ao escutar, para lugares que não conhecemos, mas intuímos.
Para mim, esta é a melhor parte. Os trabalhos daqui pra frente.
The Serpent’s Egg chegou em 1988. De acordo com Brendan Perry, ambos passaram a ter a visão da Terra como um organismo gigante, onde tudo se movimenta como uma serpente e, como o horubórus, essa serpente abraça um ovo, a própria Terra. Para expressar estes sentimentos no seu trabalho, o DCD se inspirou nos trovadores da renascença.
Em 1990, Aion, palavra que significa “era” e também a toda a duração (em contagem de tempo) do mundo ou do universo, é o título do próximo trabalho da banda, pautado desta vez na música sacra renascentista. Ao mesmo tempo, a preocupação com o mundo, com o planeta visto como um ser vivo continua aparecendo em canções como “black sun”. Essa temática é muito encontrada nas músicas feitas por Brendan Perry, inclusive em seu trabalho solo, lançado em 1999.
Into the Labirint, o meu preferido, veio em 1993. A influência árabe aqui é forte. Mitologia grega (“Ariadne”, bem propícia, visto que estamos adentrando em um labirinto), canções folclóricas irlandesas, folk e muito mais. Uma mistura linda e colorida, que trouxe, na seqüência, o lançamento de um disco ao vivo, chamado Towards the Within, cuja turnê trouxe o Dead Can Dance pela primeira e única vez ao Brasil.

Devo dizer uma noite inesquecível. Eu estava lá.
Spiritchaser, de 1996, traz influências africanas muito fortes, temas espirituais e instrumentos tribais. Também muito interessante para ser utilizado no trabalho mágico. É desse trabalho a letra que estou usando para ilustrar esta coluna.
O Dead Can Dance se separou dois anos depois, dando espaço para os trabalhos solo dos dois integrantes. Para mim, Eye of a Hunter, o trabalho lançado por Brendan é o melhor. Lisa gravou alguns trabalhos como The Mirror Pool, e trilhas sonoras aclamadas e premiadas, como a dos filmes “O Gladiador” e o delicioso “Encantadora de baleias”.
Em 2005, a dupla se reuniu novamente para uma turnê, que conta também com músicas inéditas no set list.
Depois da história, o bom mesmo é escutar. Caso você ainda não conheça, abaixo segue a discografia da banda, acho que se encontra fácil na Internet. Também há registros em vídeo/DVD, aí indico Towards the Within, que traz, além de apresentações, entrevistas com a dupla e vídeos de algumas músicas.
Aproveite bem a viagem!

Fonte: www.4ad.com

<<início<<<Cássia Larrubia

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