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Cássia Larrúbia



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Eu adoro cor de rosa
 

Um dia desses, eu estive numa festa cigana, na qual tivemos rituais de prosperidade e de amor, entre outras atividades.

Foi uma festa divertida. Num determinado momento, os rituais começaram e, quando chegou a hora de falar de amor, a cigana entregou para cada um dos presentes uma vela cor de rosa.

Eu fiquei pensando na coisa batida que é acender vela cor de rosa para os deuses, quando queremos amor. Mas aí ela deu uma explicação interessante para o fato. Disse que a vela cor de rosa simboliza o "amor adolescente", aquele que sentimos nos primeiros borbulhares dos hormônios, que é isento de sofrimento, de egoísmo, de controle, de histórias anteriores mal sucedidas.

Uma espécie de amor mais puro.

Então eu comecei a pensar no cor de rosa de uma outra forma, no quesito "rituais de amor".
E o cor de rosa, como a representação do sentimento puro e adolescente, de entusiasmo, suspiros e risadinhas sem motivo é uma coisa muito bonita.

Há um tempo eu ouvi o termo "pink wicca" para designar aquelas pessoas que estão começando a estudar magia, bruxaria, wicca e outras vertentes do neopaganismo. É uma sentença pejorativa, que rotula as pessoas, geralmente muito jovens, que demonstram um entusiasmo infantil por sua crença, lêem diversos livros, muitas vezes os mais fáceis de se conseguir, de linguagem mais simples e a preços acessíveis. Usam grandes pentagramas e roupas pretas, fazem questão de externar o que sentem em relação aos deuses, de forma muitas vezes exageradas.

Eu já conheci "pink wiccas" bem mais velhas que adolescentes, claro. A faixa etária que estou usando aqui é apenas alegórica.

Do mesmo jeito que todos os que começaram um dia, os "pink wiccas" erram e acertam. E seus erros e acertos estão na cara de todo mundo. Porque não fazem a mínima questão de esconder nada.

Muitos deles vão desistir no meio do caminho. Outros tantos vão amadurecer, conhecer outras coisas, fazer suas opções sobre o que é certo e o que é errado. Conhecerão pessoas dispostas a ensiná-los ou então vão mergulhar na literatura e de uma coisa vem outra, e mais outra e um belo dia estarão lá, com pentagramas menores, roupas mais discretas e conhecimentos evoluídos. E talvez um pouco menos divertidos.

Assim costuma ser. Eu sempre fui uma bruxa "discreta", tanto que só procurei conhecer mais pessoas e saber da existência delas muito depois dos primeiros livros lidos. Eu li "as brumas de Avalon" e achei que muito do que estava escrito lá era verdade. Só com o tempo e o estudo fui aprendendo diferenciar a ficção da realidade. Entre outras coisas.

Eu acendi velas cor de rosa para Afrodite às sextas-feiras e também tratei os deuses como eu anteriormente tratava os santos católicos. Acredito eu que muitas pessoas já o fizeram.
Pensando em tudo isso, cheguei à conclusão de que o termo "pink wicca" não é assim tão ofensivo. Lembra lá no começo da cigana? É o mesmo princípio: o amor por uma crença que difere do comum, com seus rituais bacanas, as velas coloridas, os apetrechos, os feitiços de amor, o crescimento do poder pessoal, tudo isso é novo, é bonito e é desafiante.

É aquele momento de encontro com os deuses que traz uma alegria fora do comum, o momento de sermos um com eles, quando os sentimos pelas primeiras vezes, a alegria que parece sem fim, o calor que vai explodir o peito. É tudo isso o tempo todo e, por isso mesmo, com muita "purpurina".

O engraçado é que este entusiasmo todo, a corte de barulhentos pagãos que freqüentam alguns eventos, aqueles que falam da Deusa como se ela fosse a Madonna, incomoda as pessoas.

E isso pra mim é uma inversão do ser pagão. Afinal, a alegria sempre foi a alma das crenças pagãs, já diz a carga da Deusa: "que meu alegre culto esteja em seus corações, pois todos os atos de amor e prazer são meus rituais", pensemos nas festas rurais dos povos antigos, pensemos em Beltane, enfim...

Essa é a ligação entre o cor de rosa da cigana com o pink das wiccas. E ao mesmo tempo temos a ligação entre os amores adultos e sérios, sem a inocência da juventude, com o pensamento extremamente sério de algumas vertentes do nosso diverso caldeirão chamado Gaia.

Entre os dois, eu ainda prefiro as primeiras. O rosa é uma das minhas cores favoritas mesmo...

 

<<início<<<Cássia Larrubia

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