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Cássia Larrúbia



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Viva a diversidade religiosa!
 

Vou contar hoje um pouco da história religiosa da minha família e de como isso influencia a minha própria vida espiritual.

Comecemos lá atrás, com meu avô materno, um espanhol que lutou na Revolução de 32, e que era ateu. Na verdade, se ele vivesse hoje em dia, arrisco que o chamariam de agnóstico. De qualquer forma, quando alguém batia em sua porta para "pregar o evangelho", ele dizia: "se eu quiser sermão, vou na igreja e encomendo para o padre" e logo fechava a porta na cara do desavisado Testemunha de Jeová.

Minha mãe é muito católica. Uma católica informada, que freqüentou cursos para entender a religião. Isso não a impede de gostar do Padre Marcelo Rossi, mas é minha mãe, eu a perdoou de qualquer deslize como este. Com ela aprendi um monte de coisas interessantes sobre o catolicismo nos anos que ia à igreja e acompanhava seus estudos.

Minha mãe tem um irmão kardecista. Do dia que meu tio Jaime resolveu seguir esta crença, começou uma vida inteira dedicada ao estudo e ao desenvolvimento pessoal dentro do espiritismo. Isso quando não estava trabalhando ou cuidando de sua esposa e/ou dos cinco filhos. Levou bem a sério, tem uma bela biblioteca recheada de títulos. Me deu dois: "O evangelho segundo o espiritismo " e "Iniciação espírita", que li na adolescência.

Meu pai é "batista de batismo", mas acompanha minha mãe nas missas. Diz que é cristão e que não importa se vai num templo de sua religião oficial ou na igreja católica. O importante, pra ele, é a fé em Cristo. Ah sim, e ele tem um irmão que é pastor da igreja presbiteriana.
Nesta salada cristã que existe dentro da minha casa, eu cresci vendo as pessoas conversando, discutindo e apreciando as crenças uns dos outros. Já freqüentei também centros kardecistas, fui a um culto do meu tio na presbiteriana e conheci também a igreja do meu pai. A minha maior felicidade é não ter neopentecostais na árvore genealógica e a maior tristeza é não ter ninguém do candomblé, assim eu já teria tido a oportunidade de ver uma sessão deles também.

Adoro conhecer crenças e religiões.

A convivência deles todos e as conversas na mesa da cozinha da casa de um e de outro me fizeram ter sempre profundo respeito por todas essas pessoas, primeiro porque todos eles escolheram seus caminhos e entraram a fundo, estudando, trocando informações e pesquisando, sempre. Depois porque mesmo nas acaloradas discussões de meu tio kardecista com minha mãe católica, sempre vi uma profunda consideração pela opção do outro.

Talvez tantas crenças juntas tenham modificado esta descendente geneticamente, e aqui estou eu, neopagã e bruxa. E os exemplos me fizeram também seguir os passos de estudo, interesse e curiosidade, sempre. Além de me embasar no respeito pelo outro, seja lá quem for, desde que não seja xiita ou neopentecostal.

Já pensou em quanto tempo a gente pode perder discutindo com uns e outros sobre quem tem razão? Se devemos rodar pelo norte ou pelo sul? Se a vela deve ser apagada com o dedo ou com um assopro ou acesa com fósforo ou isqueiro?

E agora pense em quanta coisa podemos aprender com boas conversas rodadas a vinho, fogueira e boa comida?

Se a gente se une e se respeita, teremos muito mais força do que se passarmos nossa rica existência tentando provar quem é o melhor.

 

<<início<<<Cássia Larrubia

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